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Sábado, 17 de Novembro de 2018

ARTIGOS Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018, 15h:02 | - A | + A




Caiu o muro, caiu a máscara!

Caiu o muro, caiu a máscara!

Por: Redação

Tenho ouvido para todos os lados e na grande mídia o mantra de que houve uma grande renovação no cenário político, após o escrutínio das urnas no primeiro turno. Esforcei-me para acreditar nisso, que os eleitores votaram pela razão e de forma consciente, contudo, buscando elementos que corroborem esta dita “renovação”, o que eu encontrei me deixou mais desiludido ainda.
De fato, em termos de quantidade, em relação a eleição passada, tivemos um aumento de nove a dez por cento de candidatos eleitos que estrearam agora no cenário. Boa parte desses eleitos agora para o Congresso Nacional, conseguiram se eleger na esteira dos “cacarecos”. Para quem não sabe o que significa, “cacareco" é uma figura exótica, engraçada ou polêmica, que tem uma expressiva votação fruto de protesto contra os políticos tradicionais. É um fenômeno até então típico do eixo Rio-São Paulo. Quando se votava por cédula de papel, antes da urnas eletrônicas, o Macaco Tião, um simpático chimpanzé do zoológico municipal do Rio de Janeiro, foi um dos mais votados na eleição do ano de 1988, com mais de quatrocentos mil votos. Porém, anterior ao Macaco Tião, o jornalista Itaboraí Martins, do jornal o Estado de São Paulo, em 1959, vendo o sentimento de insatisfação com os políticos da capital paulista, lançou o rinoceronte Cacareco, que veio transferido, naquela época, para a inauguração do zoológico da cidade de São Paulo. Naquela eleição, nos meados do século passado, o rinoceronte Cacareco, que era uma fêmea, apesar do nome masculino, obteve mais de cem mil votos.
Após a implantação das urnas eletrônicas, o fenômeno Cacareco se “humanizou”. E, o fato novo dessa eleição, é que não é mais exclusividade do eixo Rio-São Paulo, pois pipocaram Cacarecos Brasil afora. Portanto, ainda que a renovação tenha ficado de nove a dez por cento acima da eleição passada, em termos de qualidade nós perdemos muito, porque houve uma pulverização por diversos partidos, quando todos gostariam que houvesse uma diminuição do número de partidos no país, Talvez a cláusula de barreira amenize um pouco essa idiossincrasia do nosso sistema eleitoral, o qual transformou os partidos em órgãos cartoriais simplesmente.
Outro mantra massificado pela mídia nacional, e repetido por todo canto, é a divisão que se estabeleceu pela polarização de um candidato contra um anti-candidato. Isso já aconteceu diversas vezes no Brasil. Em uma determinada época, a UDN e o PSD eram como água e óleo. A radicalização era tão grande que em determinadas situações, a filha de um udenista era proibida de namorar o filho de um peessedebista. Portanto, em termos de polarização, de renovação, divisão, nada de novo, tudo do mesmo, isso é cíclico na política, fora o fato de que agora temos as mídias sociais, onde as divergências estão mais expostas.
O que ninguém se atentou até o momento, e que de fato é uma coisa inédita, em se tratando de política e eleição neste país, é o número absurdo de pessoas que estão saindo do armário. Não no sentido de se revelarem homossexuais, ao contrário, o fenômeno verdadeiro desta eleição é uma revelação do real caráter das pessoas. Parentes e amigos que convivemos há muito tempo, contaminados por esta histeria, que assola o país de Norte a Sul, tiraram suas máscaras, e sem a máscara se tornaram irreconhecíveis, deixando aflorar todos os sentimentos que estavam até então enrustidos como o racismo, a homofobia e o preconceito generalizado, azeitado por um ódio insano. O ápice desta revelação foi durante o show do ex-vocalista da banda Pink Floyd, Roger Waters. Muitos, ainda tentando permanecer nas sombras, compraram ingressos caríssimos para assistir ao show, quando foram pegos de surpresa. Eu pergunto: o que o eleitor de um certo candidato, que faz apologia às armas e à violência, que afirma que a homossexualidade é uma doença que se resolve no tapa, trata mulher como cidadã de segunda classe, refere-se a negros com medidas animais, foi fazer no show de um camarada mundialmente reconhecido por sua luta pelos direitos civis?
Conheci a banda Pink Floyd e o Roger Waters, em 1984, quando me mudei para os Estados Unidos e, o primeiro álbum que eu vi dessa banda foi Final Cut, que era um manifesto de protesto contra o arbitrário governo inglês, liderado por Margaret Thatcher, e também contra as guerras. Na sequência veio The Wall, que conquistou corações e mentes e levou toda a nossa geração para o ativismo político e para a luta pelos direitos humanos. O filme, estrelado por Bob Geldof, foi um tapa na orelha. Naquela época, eu tinha de catorze para quinze anos, sai do cinema de cabeça feita. Ali germinou a semente que deu frutos. Sai com a certeza de qual lado escolher politicamente. E essa opção que carrego até hoje, com muita determinação, pelos direitos humanos, pelos direitos civis, pelas minorias, contra o racismo e todas as formas de injustiça.
Ao retornar dos Estados Unidos, engajei-me na luta pela libertação da Palestina e me lembro bem do discurso de Yasser Arafat, em 1974 na ONU, quando ele disse: Vim, em uma mão com um ramo de oliveira, e, na outra com um fuzil de revolucionário. Não deixe que o ramo caia da minha mão!
Roger Waters, agora um senhor de setenta e cinco anos, não derrubou somente muros, derrubou muitas máscaras, dando uma lição de moral em toda uma geração. Vamos segurar firme o ramo de oliveira na mão e não permitir que sejamos apenas mais um tijolo na parede!

Rodrigo Rodrigues, empresário, jornalista e graduado em Gestão Pública.

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COMENTÁRIOS

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Carlos Nunes - 15-10-2018 16:51:41

Pois é, ano passado foram assassinadas no Brasil 64 MIL PESSOAS, neste ano deve dar isso ou muito mais...do governo FHC até hoje (Lula, Dilma, Temer), se fizermos a estatística dá 1 MILHÃO DE PESSOAS ASSASSINADAS. Aí, um comentarista policial do Jornal de RedeTV disse outro dia: antigamente no país só tinha 1 facção criminosa, hoje já tem 87 facções. Em Cuiabá, há pouco tempo os sites deram uma sequência de notícias escabrosas: Bandido invade casa e estupra mulher na frente do marido...Bandido invade casa e estupra mulher na frente da filha...Bandido invade casa e estupra mulher na frente da mãe. E tem que turma que diz que será o BOLSONARO que trará a violência no Brasil. Pelo contrário...BOLSONARO será uma REAÇÃO a essa violência. O cidadão e a cidadã de bem não aguentam mais...pra resolver o problema precisaria de um Capitão América, mas como Capitão América é só personagem do gibi, vamos de Capitão BOLSONARO mesmo, com o General Mourão como vice. Já vivemos uma Guerra Civil faz tempo...e a Imprensa fica querendo saber em qual parte do mundo tá havendo guerra...pra que? Se a mortandade é por aqui mesmo. Isso é igual a esquerda brasileira querendo saber Quem matou HERZOG...que mané HERZOG, quero saber por que FHC, Lula, Dilma, não impediram que 1 MILHÃO DE PESSOAS FOSSEM ASSASSINADAS? É como o Datena e o Marcelo Resende disseram: primeiro deixaram a bandidagem tomarem as ruas, depois começaram a invadir as casas, os bancos, as lojas. Sabendo que 90% da população tá desarmada, hoje escolhem a casa em que vão assaltar, estuprar...já existe pena de morte no Brasil...tá na mão dos bandidos. O maior indicador social do país já é incalculável...em cada cidade brasileira, em cada bairro, tem uma porção de bocas de fumo, comandadas pelas facções, e olha que temos sorte, pois uma facção tá brigando com a outra...se unissem távamos perdidos. 87 facções unidas, ninguém parava mais. O crime organizado, as facções, os traficantes, não querem que o BOLSONARO seja eleito de jeito nenhum. Seria bom perguntarem pra eles: quem eles querem que seja eleito?

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