O óbvio sobre o segundo turno | MUVUCA POPULAR

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018

ARTIGOS Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018, 15h:54 | - A | + A




O óbvio sobre o segundo turno

O óbvio sobre o segundo turno

Por que voto em Haddad e Manuela

 

 

O que está em xeque vai além de projetos de governo. Independente de quem chegasse ao 2º turno, jamais apoiaria um candidato cujo discurso fundamenta atos violentos contra pessoas que já são violentadas socialmente. Um candidato racista é o espelho de um país que viveu livre da escravidão apenas 130 dos seus 518 anos, o último da América Latina a abolir, e que ainda assim continua a assassinar impunemente sua juventude negra.
Ouço o eco de seu discurso homofóbico no fato do Brasil ser o país que mais mata LGBTs no mundo: 1 a cada 19 horas. O reflexo de sua conduta misógina incide diretamente nas quase 4,5 mil mulheres vítimas de homicídio anualmente, boa parte delas mortas pelos atuais ou ex-companheiros. Este dado obrigou o Brasil a tipificar um novo crime: feminicídio. Temos que reconhecer e tentar superar tudo isso. Caso contrário, vamos nos deixar engolir cada vez mais nesse abismo de ódio e intolerância.

E concordo (quem discorda?) que temos que combater a corrupção, mas não sejamos hipócritas de atribui-la a um único ente político para nos absolver da culpa e responsabilidade de nossas escolhas enquanto cidadãos. Não faz sentido votar em alguém sob o pretexto de não ser corrupto e desconsiderar a existência de pessoas que se sentem ameaçadas pelo discurso violento desse candidato. Não adianta tentar combater a corrupção na política se corrompendo humana e moralmente. Para que qualquer tentativa de mudança surta efeito, antes é preciso reconhecer que a corrupção é algo sistêmico, e não partidário. Assimilar e propagar a simplória narrativa antipetista é má fé ou desinformação.
A corrupção não surgiu de 2002 pra cá. O próprio Bolsonaro foi filiado desde sempre ao PP, o partido que mais tem parlamentares investigados pela Lava Jato. E só mudou de partido por ocasião de sua candidatura e por uma questão eleitoreira, mas nunca demonstrou nenhum incômodo com a corrupção generalizada no partido que representou por mais de uma década na câmara. Não por acaso, agora, lideranças deste mesmo PP já lhe acenam apoio.

Sobre os projetos de governo, prefiro o que se ampara no livro ao invés da bala. Acredito em políticas públicas destinadas aos mais necessitados, pois são eles os que sentem na pele o efeito ou a ausência destas. Acredito no programa que se propõe a ser mais inclusivo, e não excludente.
Opto pelo candidato que está disposto a dialogar e debater propostas e soluções com a população e o adversário, e não pelo que foge do embate público e só concede entrevistas a apoiadores enquanto se blinda pelas fake news de WhatsApp. Acredito no projeto mais consistente para lidar com a complexidade do Brasil, e não em meia dúzia de bordões simplistas. Deposito meu voto no candidato que respeita os direitos humanos, e que por consequência não flerta com tortura, torturadores e com a ditadura militar. Mais do que nunca, é preciso se posicionar. Vou de Haddad e Manuela.

 

Túlio Paniago é Jornalista 

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COMENTÁRIOS

(1) COMENTÁRIOS

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Carlos Nunes - 12-10-2018 09:04:52

O óbvio? É BOLSONARO 17, presidente do Brasil. Nada de URSAL, pra implantar o Socialismo/Comunismo nas Américas, pois Socialismo/Comunismo FRACASSOU. O maior exemplo de fracasso tá aqui perto...é a VENEZUELA. Chavez implantou...estatizou, expulsou o capital estrangeiro, e se agarrou ao Poder igual pit-bul segura o osso...não larga e se quiserem tomar, morde. A inflação por lá já superou os 1.000% ao ano, desemprego em massa, recessão braba, esfacelamento da Saúde e FOME. Um canal de TV entrevistou outro dia, por lá, uma senhora que carregava uma criança nos braços, esquelética. Aí, a Jornalista perguntou: por que não compra um leite e dá pra criança? Resposta: custa muito caro. Óbvio, a inflação por lá é de 1.000%. Tão morrendo de fome na VENEZUELA, enquanto outro canal de TV, mostrou o Maduro, aprendiz de ditador, num restaurante caríssimo, enchendo o bucho, tomando champanhe. Em protesto contra a situação da VENEZUELA, nada de PT e Partido Comunista do Brasil, como vice.

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