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Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

ARTIGOS Segunda-feira, 02 de Julho de 2018, 13h:41 | - A | + A




Questões eleitorais

Questões eleitorais

Os números mais significativos das próximas eleições se referem ao imenso número de votos nulos e brancos, além da estrondosa margem de abstenções, como apontam as pesquisas. As recentes eleições de Tocantins dão mostras que nossos “representantes” representarão parcelas minoritárias da população.

 

O governador e seu “oponente” nesse Estado não conseguiram obter nem 50% dos votos da sociedade de Tocantins. Ou seja, para a maioria da população os políticos não as representam, nem tem esperanças de que possam representá-la.

 

Esse desencanto e desalento vêm num crescendo desde a redemocratização, e é possível que nas eleições de outubro o índice de participação seja pequeno por parte dos eleitores e o número de votos nulos e brancos francamente superiores aos votos conquistados pelos eleitos. O fato é que o número de votos nulos e brancos supera em muito as intenções dos votantes nos candidatos conhecidos. Quem está vencendo as eleições é a falta de esperança nos políticos e nos partidos.

 

A democracia foi usurpada pelos partidos políticos, que tiranizam a sociedade civil.

Não é apenas um modo de protestar, quando se anula ou se vota em branco, ou mesmo se abstendo, dando um recado claro e cristalino aos partidos, mas a prova concreta que esse sistema eleitoral está esgarçado, e que não serve a população nacional. A legislação eleitoral não serve aos eleitores, apenas aos eleitos; não privilegia nossas possibilidades de escolha, mas a tiraniza para escolhas dos partidos majoritários no congresso.

 

E não há melhoras à vista, apenas mais do mesmo. Eis porque as pessoas estão cada vez mais anulando seu voto ou votando em branco, ou nem indo votar; seja lá quem seja eleito, não nos representará.

 

O fato é que a forma que inventaram para as eleições nacionais servem aos partidos políticos já existentes, e não permitem o surgimento do diferente, de novas posições políticas. A própria maneira de se criar partidos políticos no país não permitem outra alternativa a não ser se coadunar as regras por eles estabelecidos.

 

Tudo está errado, a começar pela forma de financiamento dos partidos, que era um equívoco profundo quando havia financiamento pelas empresas (pois partidos representam pessoas, cidadãos, não instituições econômicas ou sociais), e continua de forma piorada com o financiamento estatal. Ora, partidos são associações livres e voluntárias de cidadãos, como igrejas e clubes esportivos, e devem ser financiadas pelos seus crentes ou torcedores, ou mesmo adeptos.

 

A organização partidária no país é feita para se ter acesso a esse financiamento estatal, que é uma extorsão da sociedade civil em prol de particulares e privados, e eis porque complicam e burocratizam a fundação de partidos políticos. Além disso, impedem que haja candidaturas avulsas, autônomas e livres.

 

Além disso, ao se fazer o voto obrigatório, uma tirania do voto, não se obrigam a serem sequer simpáticos aos eleitores, já que estamos obrigados a ter que escolher. E as escolhas tem sido entre os menos ruins, nunca entre os melhores, pois que esses estão impedidos de aparecerem, visto que a forma como estão organizadas as eleições, os candidatos tem que se comprometer com a máquina política, não com sociedade civil. Para a sociedade promessas vagas, para os partidos compromissos sérios e clandestinos.

 

O fato é que nos cansamos de ter que escolher o menos ruim, cansamos de ouvir uma velha ladainha sem compromissos sérios com a sociedade. Estamos cansados dos políticos e dos partidos existentes, sem ideologias ou posições claras, que falam uma coisa aos eleitores e outra coisa no congresso ou nas votações.

 

Estamos cansados de sermos obrigados a ter que participar de uma farsa eleitoral e democrática, pouco republicana, onde só se pode escolher entre os canalhas e bandidos escolhidos pelos partidos, sem que o povo possa escolher seus legítimos representantes.

 

É preciso urgentemente uma reforma política feita pelos cidadãos, não pelos políticos. É preciso dar o direito de votar, não o dever, o direito de abstenção. É preciso fazer com que a política não tenha custos econômicos para a sociedade e tão somente aos partidos. É preciso deixar que as pessoas criem seus partidos sem custos ao Estado ou à sociedade, e que haja candidaturas avulsas de pessoas não partidárias.

 

Roberto De Bbarros Freire é Professor do Departamento de Filosofia/UFMT

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COMENTÁRIOS

(1) COMENTÁRIOS

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Carlos Nunes - 02-07-2018 17:31:59

Tem que dividir as Questões Eleitorais em 3 partes: 1) dizer aos eleitores que tão pensando em não votar, ou anular o voto, ou votar em branco...VOTEM. Alguém vai ser eleito, alguém vai mandar em vocês, alguém vai tomar conta do seu dinheiro. 2) dizer pros eleitores maus brasileiros, que só votarão se comprarem o voto...NÃO VENDAM O VOTO. Não dêem mandato pra corrupto, que depois vai ficar passando a mão no dinheiro. Quem compra voto não é boa pessoa, ou é? 3) dizer pros eleitores mais conscientes...RENOVEM. Por que votar nos mesmos? Se não fizeram no mandato, ou nos mandatos que já ocuparam, não vão fazer no próximo. Tiveram toda a oportunidade pra fazer e não fizeram. POR QUE não fizeram? NOVO presidente, NOVO governador, NOVOS senadores, NOVOS deputados federal e estadual. Os políticos não são importantes como eles imaginam...nem insubstituíveis. Podemos, devemos substituí-los.

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