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SEM MORADIA

Orla e Cais do Porto são ocupados por dependentes químicos

Por: Redação

WebReprodução

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Moradores, comerciantes e frequentadores da região do Porto, em Cuiabá, dizem que os investimentos anunciados para a região, pelo Ministério do Turismo e prefeitura, são bem-vindos e esperados, porém nem todas as demandas da área dependem de tijolo e argamassa. Reforço na segurança e a solução definitiva para os problemas gerados pela presença de usuários de drogas e pessoas que vivem nas ruas também estão na lista de reivindicações, principalmente na Orla e Cais do Porto.

No entorno da Praça Luís Albuquerque, recentemente reformada, grupos de mais de 10 pessoas se acomodam em colchões jogados ao chão no período da manhã. À noite, o número é bem maior. O acampamento improvisado muda de lugar conforme a disponibilidade de sombra. Ali, se reúnem usuários de drogas e pedintes.

De acordo com o segurança Cezar Marques, 45, a situação se agravou nos últimos meses porque muitos bares, que foram fechados pouco antes da inauguração da Orla, em dezembro de 2016, conseguiram a emissão de um novo alvará e assim, voltaram a ser ponto de concentração de prostitutas, traficantes e usuários de drogas.

Com esta mudança, muitos comerciantes que estavam instalados no entorno do Museu do Rio e do Antigo Mercado do Peixe, desistiram do negócio. “Os roubos acontecem, mas a pior parte é a ausência de clientes. Como uma senhora vai passar com sacolas na calçada cheia de moradores de rua? Eles abordam as pessoas e começam a pedir. Intimidam e afastam a freguesia”, relata o segurança.

Marques, que afirma ter nascido e crescido no Porto, acredita que haverá uma verdadeira melhoria no Porto quando a assistência social conseguir acabar com o problema e tirar da comunidade a pecha de reduto de drogas e prostituição.

Sem atrações diurnas

Com o Aquário Municipal fechado para reforma, frequentadores questionam a falta de ações durante o dia na região do Porto.

Diretora da Creche São Mateus, Rosângela de Jesus Souza, 44, disse que depois da reforma, o espaço ficou interessante, tem muitos elementos culturais e tornou-se um ponto de passeio para a criançada. “Antes, eu não tinha sequer coragem de promover este tipo de atividade porque a orla era suja e tomada pelo vandalismo. Agora, está lindo e confio que Cuiabá chegará ainda melhor aos 300 anos”.

O problema, segundo ela, é que todos os pontos funcionam somente durante à noite e os pequenos visitantes precisam se conformar com caminhada e fotos. “Seria bom que nós pudéssemos participar de alguma atração, de preferência que fosse focada na cultura mato-grossense”.

O Museu do Rio está instalado no prédio do antigo Mercado do Peixe, construído em 1899. A construção foi tombada pelo governo do Estado em 1983.

Mercado do Porto

Alguns comerciantes do tradicional Mercado do Porto estão contentes com as possibilidades de melhoria, mas estão no estilo São Tomé, é preciso ver para crer. Entre eles está Vandir Lopes, 65, que trabalha no local desde a época que funcionava nas proximidades do Estádio Dutrinha. Ele esteve nas instalações do antigo Mercado do Peixe e foi um dos primeiros a mudar para o atual espaço, que fica na lateral do córrego 8 de Abril. Ao todo, são mais de 40 anos de feira. “Já recebi na minha barraca muitos políticos e lembro da briga que tivemos com Dante de Oliveira para viabilizar o local que estamos agora. Acho tudo bonito, mas só acredito quando a turma chegar para construir”.

Ele conta que representantes da Prefeitura estiveram no local para mostrar o projeto do novo mercado e, na ocasião, falaram que as obras seriam iniciadas em janeiro. “Já estamos em julho e agora que vão assinar a autorização para licitação”.

Presidente da Organização do Mercado do Porto, José Ismar estava presente na mesma reunião e afirma que o projeto apresentado encheu os olhos dos 150 permissionários que estão atualmente na área. Contempla a ampliação do estacionamento, da área das barracas e também do espaço para a manipulação dos peixes.

No rol de melhorias, está a acessibilidade, que atualmente é precária. As rampas atuais foram construídas em 1995 e a inclinação é muito íngreme. “Nem para passar carrinhos com mercadorias dá. Para um cadeirante, é um suicídio”.

A única preocupação dos comerciantes é com relação à possibilidade de remoção do local durante as obras. “Eles garantiram que ficaríamos aqui. E não existe a possibilidade de ficarmos sem abrir o mercado. Algumas barracas empregam família inteiras”.

Inaugurado em 1995, ocupa 26.480 metros quadrados da área do “Campo do Bode”.

E a permanência do tradicional Campo do Bode é uma das exigências dos feirantes que, segundo Ismar, será atendida pelo projeto. Na perspectiva, o campo seria reformado e no entorno, construída uma pista de caminhada. Um cenário diferente do atual piso de terra batida.

No momento, o campo está recebendo o tradicional campeonato dos feirantes, no qual os integrantes de cada time são conhecidos após um sorteio. “É um torneio longo que envolve todos. Atualmente, temos 10 times na competição”.

 

Completo abandono

Por décadas, o único investimento no Cais do Porto foi uma demão de cal, passada de qualquer jeito no batente da ponte de acesso. O local recebe diariamente pescadores, que logo seguem para o rio. Já os usuários de drogas usufruem da tranquilidade e da belíssima paisagem. Este cais foi o segundo construído em Cuiabá, em 1965, mas de acordo com a história nunca chegou a ser usado. O primeiro cais é do século 19, e ficava no fim da avenida 15 de Novembro, onde hoje é a Praça Luis de Albuquerque.

Há 10 anos, foi anunciada a construção do Complexo Turístico do Cais do Porto, com o Teatro do Rio, uma estrutura com 100 lugares climatizados, em vidro, com visão em 360 graus, passarela com cobertura, deque para contemplação, lanchonete e restaurante. O projeto total era estimado em R$ 2,7 milhões e também serviria para revitalizar a orla do rio. Foi apenas mais uma promessa.

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