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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

GERAL Segunda-feira, 06 de Agosto de 2018, 16h:00 | - A | + A




AL debate ampliação de ferroviária

Por: Redação

A Assembleia Legislativa iniciou hoje (06), pela manhã e segue até o final da tarde, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o I Seminário de Transporte Intermodal de Mato Grosso – “Ferrovias, o Brasil passa por aqui”. No final do evento, a AL e a UFMT vão formatar um documento que será encaminhado ao Governo Federal.

O professor, mestre em Engenharia Oceânica e doutor em Engenharia de Transportes da Universidade Federal de Mato Grosso UFMT, Luiz Miguel de Miranda, afirmou que após a paralisação dos caminhoneiros, no primeiro semestre de 2018, não dá mais para postergar a ampliação da malha ferroviária em Mato Grosso.

Hoje, de acordo com Miranda, Mato Grosso está contemplado com quatro projetos de construção ferroviária. A ferrovia do grão, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que já teve R$ 4 bilhões disponibilizados pelo governo federal; a Ferrovia Vicente Vuolo e a Ferrovia do Cerrado.

“Mato Grosso tem 18% da matriz ferroviária, mas pode chegar até 2025, a 25%. Mas a meta é de o transporte ferroviário de grãos chegar a 36%. Ou faz ou faz. Não existe outra alternativa para ampliarmos o desenvolvimento do Estado. Nos últimos dez anos, os investimentos em transporte rodoviário foi da ordem de R$ 150 bilhões.  Mas nesse período, o investimento em ferrovia somou menos de 10%”, explicou Miranda.

O presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, disse que esse seminário é uma marca histórica para alavancar e discutir a ampliação da malha viária em todo o estado. Segundo Milan, é uma logística que precisa ser implementada em todo o país, principalmente no estado. “Em todo o Brasil, existem apenas 28 mil quilômetros de ferrovia. Isso é uma vergonha. Se o governo não dá conta de investir, que libere para a iniciativa privada. Infelizmente, os chineses não investem no Brasil porque têm medo dos ambientalistas”, disse Milan.

O secretário do Municipal de Cultura, esporte, Lazer e Turismo de Cuiabá, Francisco Vuolo, disse que as discussões são fundamentais para manter o equilíbrio entre os transportes intermodais (hidrovia, ferroviária e rodoviário) em todo o território mato-grossense.  Segundo ele, o estado não precisa de ferrovia, mas sim de uma malha viária de ferrovia.

“É preciso ter estradas em boas condições, mas é preciso ter ferrovias em razão de Mato Grosso ser um dos maiores produtores de grãos do Brasil e do mundo. A ferrovia é um indutor do desenvolvimento econômico e social, gerando mais competitividade com a criação de emprego e renda”, afirmou Vuolo.

O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM), afirmou que falar em desenvolvimento do transporte logístico das ferrovias em Mato Grosso é uma das formas de ampliar a balança comercial brasileira e, com isso, colocar mais comida na mesa da população em todos os cantos do mundo.

“O que defendemos não é apenas o desenvolvimento e a logística de Mato Grosso, mas também os valores agregados à econômica brasileira. Por tudo isso é que investir em trilhos já não pode mais ser só um pedido, tem que ser uma exigência”, disse Botelho.

Para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, Mato Grosso está longe dos grandes centros (portos para exportação da produção) e, por isso, os investimentos na malha ferroviária vão dar mais competitividade ao agronegócio mato-grossense. Segundo Maggi, há um gasto muito alto com o transporte da produção por meio rodoviário. Com o país em crise financeira, a União busca novas alternativas para investimentos na malha ferroviária. Segundo Maggi, o governo federal busca modelos diferentes em financiamento. Na Ferrovia Fico, que chegará em Água Boa, por exemplo, o governo está fazendo a renovação da concessão de duas malhas ferroviárias, uma localizada em Carajás e a outra no Espírito Santo.

“Esse dinheiro pertence a União. Parte desses recursos, de R$ 4 bilhões, o governo não receberá em recursos financeiros, mas em obras. Uma das concessionárias vai apresentar projeto à União com custos determinados e aprovados pelo Tribunal de Constas da União, aos invés de pagar os R$ 4 bilhões, a concessionária entrega uma obra pronta saindo da Norte-Sul, chegando até Água Boa. Depois, o governo licitará a venda do ramal ferroviário”, disse Maggi.

De acordo com o deputado Wilson Santos (PSDB), todos os prefeitos de Mato Grosso pedem para a construção de um anel viário para tirar as carretas dos perímetros urbanos das cidades, com isso diminuindo as mortes de trânsito. Muitas vezes, segundo o deputado, as carretas são carregadas com 60 toneladas de grãos o que danifica as rodovias.

“No Brasil são enterrados, todos os anos, mais de 50 mil brasileiros por morte no trânsito, muitos deles por caminhões. Os motoristas são subordinados a uma carga horária de trabalho enorme. Com os trens há um aumento da capacidade de transporte. Cada vagão tem a capacidade de transporte de 100 toneladas, e os caminhões não conseguem superar 35 toneladas”, explicou Santos.

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