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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

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Câmara de Cuiabá

Ex-coordenadora afirma ter sido afastada por recusar reconhecer pagamento superfaturado

Por: Redação

A ex-coordenadora do Laboratório Central de Cuiabá (Lacec), Walquíria Alves Martins, afirmou em depoimento dado nesta quarta-feira (19), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, que o afastamento da coordenação pode ter ocorrido pelo fato de ela ter recusado a assinar documentos que asseguravam pagamento de serviços, análises e exames na ordem de aproximada de R$ 6 milhões. Contudo, os valores auditados por ela e sua equipe seria três vezes menor.

Conforme a depoente, durante sua coordenação a gestão administrativa da Secretaria de Saúde de Cuiabá chegou a exigir que ela reconhecesse o pagamento superfaturado. “Eram valores muito altos. Mas eu li e vi que os valores não correspondiam ao que tínhamos levantados”, disse Walquíria.

Outra situação relatada pela depoente é de que o Lacec tem equipamentos suficientes para atender a demanda da população. Entretanto, a falta de insumos e reagentes, que dá margem a terceirização dos serviços de análises e exames laboratoriais, impendem o trabalho efetivo. “Lá tem profissionais altamente qualificados, equipamentos que não tínhamos há 20 anos e que tem condições de atender a população. Mas hoje não temos sequer coletores de urina”, disse a ex-coordenadora. Segundo Walquíria, um serviço que custa na ordem de R$ 10 à terceirizada, poderia custar R$ 4, caso o Lacec tivesse os reagentes e insumos.

Funcionária efetiva da Saúde, a ex-coordenadora manifestou ainda sobre a tristeza que sente do cenário da saúde pública de Cuiabá e da esperança que tem diante da CPI. “Eu sinto muita tristeza com o Lacec. Há 20 anos, nós não tínhamos esses equipamentos, mas conseguíamos atender a população. Hoje, com todos os equipamentos existentes, não conseguimos atender a demanda por falta de reagente e insumos”, desabafou, salientando sobre a condução da CPI. “Fico feliz com a CPI, como cidadã. Por ver o trabalho que ela vem desenvolvendo”, completou.

A atual coordenadora do Lacec, Kety Auxiliadora Preza Nogueira, também prestou depoimento junto à CPI. Em relato, ela esclareceu que a necessidade de aquisição de insumos e reagentes era de conhecimento da gestão da pasta. Contudo, a administração não chegou a ser oficiada sobre a referida situação. Ainda assim, a coordenadora assegurou que um processo licitatório foi iniciado este ano para conclusão em 2019.

Presidente da CPI, o vereador Abilio Junior (PSC), salientou sobre a importância dos depoimentos prestados na oitiva desta quarta-feira. “Estamos no caminho. Temos obtido muita informação relevante, que indicam a ingerência administrativa. Com os depoimentos de hoje, podemos avaliar sobre o prejuízo que a terceirização tem gerado diante do serviço prestado à população. Agora, é dar prosseguimento aos trabalhos que estamos fazendo. E, ao final, creio que o nosso trabalho será concluso com bastante efetividade”, avaliou Abilio.

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