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Eleições de 2018 mostram o fim da hegemonia do agronegócio na política

Somente um candidato ligado ao agronegócio foi eleito

Helena Corezomaé
Redação

Historicamente o estado de Mato Grosso elege a cada pleito um grande número de representantes do agronegócio na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.

Porém, esse foi um ano de mudanças para essa classe, que viu apenas um candidato apoiado pelo segmento ser eleito, Neri Geller do Partido Progressista (PP), para deputado federal.

Nilson Leitão (PSDB), deputado federal e candidato ao senado, não foi eleito. Leitão recebeu dinheiro do seu partido e de Odilio Balbinotti para o financiamento da sua campanha. Odilio é presidente da Sementes Adriana, no estado, e o seu pai é um dos maiores produtores de semente de soja do país.

Adilton Sachetti (PSB), candidato ao senado financiado pelo agronegócio, foi outro representante que não conseguiu se eleger. O candidato recebeu da sua sobrinha, a empresária Natasha Preza Sachetti que atua no ramo agropecuário, R$ 50 mil reais. Natasha fez doações que passam de $ 1,6 milhão, o maior beneficiário foi o Diretório do PRB em Mato Grosso, que recebeu R$ 1,2 milhão. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral ela é a 8ª maior doadora do país para campanhas eleitorais deste ano. Mesmo com grande investimento nos candidatos, o agronegócio só conseguiu eleger um representante.

Assim, o povo mostrou nas urnas que desejam um desenvolvimento sustentável e que anseiam por parlamentares que busquem a geração de renda para a população de Mato Grosso.

Desigualdade no estado

Segundo a pesquisadora do curso de serviço social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Vera Bertoline, a desigualdade social do estado se deve à atividade econômica. "É a pecuária, a agricultura, que se volta para a monocultura que não é geradora de empregos, mas gera renda para o dono da propriedade", afirmou.

A pesquisadora também enfatizou que o agronegócio é um grande concentrador de renda e não é um gerador de emprego. “O agronegócio, ainda que se tenha toda essa campanha de que ele é pop, ele não é pop, por que ele é excludente, não gera empregabilidade e só enriquece o dono da propriedade”, declarou.

A professora também lembrou sobre o alto índice de desigualdade no estado. “Mato Grosso tem uma concentração de renda que é vergonhosa. Eu aposto no pequeno produtor, naquele que falta incentivo, mas que de fato é quem nos alimenta”, afirmou.

Quase 18% da população de Mato Grosso vivem abaixo da linha da pobreza, com rendimento médio inferior a 5,5 dólares. Isso representa cerca de 600 mil pessoas que conseguem uma quantia de R$ 12,9 a cada dia para despesas básicas, ou R$ 387,07 ao longo do mês.

Os números são da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais da população brasileira divulgado no ano passado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com dados colhidos em 2016. No ano, Mato Grosso, com preciso 17,7% nas condições, ficou dentre os 11 Estados com média inferior à do Brasil (25%).

Além do agronegócio não gerar emprego para quem precisa, os produtores também são isentos de impostos, arrecadação que seria muito importante para o estado. As exportações brasileiras são beneficiadas por incentivos fiscais e tributários oferecidos pelo governo. O exportador tem imunidade de pagamento do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e a não-incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“Se essas pessoas tivessem de fato uma preocupação com a socialização dos seus ganhos eles investiram em indústrias, para gerar empregos. E não exportar o produto bruto. O agro não é pop, pelo contrário, é excludente e é gerador de riqueza para os que têm nas mãos os processo produtivo”, finalizou Vera.


Fonte: MUVUCA POPULAR

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