Avó é presa por planejar a morte de índia recém-nascida | MUVUCA POPULAR

Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

INVESTIGAÇÃO Sábado, 09 de Junho de 2018, 09h:32 | - A | + A




CANARANA

Avó é presa por planejar a morte de índia recém-nascida

Por: Gazeta Digital

A avó e bisavó da recém-nascida indígena, enterrada viva em Canarana, premeditaram a tentativa de infanticídio, conforme apontam as investigações da Polícia Civil. A avó foi presa ontem e a bisavó já estava presa desde terça-feira (5). O delegado Deuel Paixão de Santana destaca que os depoimentos confirmaram que as duas já haviam tentado fazer com que a adolescente de 15 anos abortasse, sem sucesso, e chegaram a coagir os familiares para não contarem a verdade.

Elas não queriam a criança por ser filha de mãe solteira. O pai já seria casado com outra indígena. Embora exista uma cultura indígena onde crianças de mãe solteira são enterradas vivas após nascerem, o delegado afirma que não é este o caso, pois elas iniciaram tentando interromper a gravidez.

Tapoalu Kamayura, 33, é a avó da bebê e teve a prisão preventiva decretada. Ela foi interrogada e manteve a versão que não combinou nada e que queria sim a neta. “Não há menção a ritual. O que foi demonstrado é que havia uma combinação entre avó e mãe da adolescente e talvez outras pessoas de que não queriam a bebê”, diz o delegado.

A bisavô é Kutsamin Kamayura e tem 58 anos. A versão dada por ela à Polícia é que o bebê nasceu e como não chorou acreditou que estava morto e, por isso, enterrou. A criança foi desenterrada cerca de 7 horas depois por policiais militares, após uma denúncia.

Estado de saúde

A recém-nascida realizou ontem (8) uma cirurgia para passagem de cateter para realização de diálise. O quadro da menina, que está entubada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, continua grave, segundo o diretor da unidade, Antônio Preza.

A intervenção cirúrgica foi necessária após a criança apresentar piora clínica na noite de quinta-feira (07), com insuficiência respiratória. A.K.T., com peso de 2,420 kg e 47 centímetros apresentou, segundo boletim médico, recorrência dos sangramentos digestivos e também piora das escórias renais devido ao quadro de infecção generalizada.

“O quadro da criança é muito grave, ela está entubada. Agora ela deve passar pela diálise. Ainda não dá para analisar o quadro geral e se ela terá alguma sequela”, explica.

Preza diz que os danos ocorrem pela criança ter aspirado terra nas 7 horas que ficou enterrada. Essa terra mistura com a secreção e vai criando uma espécie de lama no organismo.

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