"Fomos traídos descaradamente pelos bilionários do agronegócio", dispara Lúdio | MUVUCA POPULAR

Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

POLÍTICA Sexta-feira, 01 de Junho de 2018, 12h:57 | - A | + A




ENTREVISTA

"Fomos traídos descaradamente pelos bilionários do agronegócio", dispara Lúdio

Depois de um tempo no limbo, petista se lança como pré-candidato a deputado estadual e diz que o momento de buscar um novo projeto de poder para Mato Grosso, sem o "grilhões" do agronegócio

Por: Marcio Camilo

Muvuca Popular

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Médico e político Lúdio Cabral é pré-candidato a deputado estadual

O pré-candidato a deputado estadual pelo Partidos Trabalhadores (PT), Lúdio Cabral, defende que os petistas precisam construir “um projeto alternativo de poder para o Estado”, longe principalmente das amarras do agronegócio.

“Nós fomos traídos por uma parcela importante dos setores políticos que estavam na nossa chapa e traídos descaradamente pelos bilionários do agronegócio, que apoiaram e financiaram a campanha de Taques”, disparou Lúdio ao lembrar de 2014 quando concorreu ao governo do Estado. Nessa época, Lúdio recorda que os governos de Lula e Dilma ainda adotavam a política de conciliação com as elites. Até certo ponto, na leitura dele, essa ‘parceria gerou dividendos para os ricos e pobres, mas houve o momento de ruptura e traição desses setores poderosos: “O impeachment da Dilma foi um exemplo claro disso”, enfatiza.

De qualquer forma, o petista avalia que é o momento da autocrítica do PT, mas de principalmente entender que essa “conciliação acabou”, “que já não faz sentido coligar com as forças que embora sejam oposição ao governador Pedro Taques (PSDB), representam o “mesmo projeto de manutenção para atender os interesses de uma pequena parcela da população de Mato Grosso, que são os bilionários do agronegócio”.

“Não se trata de negar a importância da agricultura, do agronegócio, ao contrário. Se trada de respeitar, de valorizar, mas de acabar com os privilégios que esse setor tem aqui no Estado hoje. Não dá para você conviver com falta de insulina para paciente diabético grave na Farmácia de Alto Custo, e com incentivo fiscal pra que bilionário do agronegócio tenha mais lucro para poder trocar de jato executivo no final do ano”,critica Lúdico

Lúdio Frank Mendes Cabral tem 47 anos e á foi vereador por dois mandatos em Cuiabá. Em 2012 concorreu à prefeitura de Cuiabá e em 2014 ao governo do Estado. Ele é natural de uma pequena cidade do interior de Goiás chamada Cachoeira Alta. Veio para Mato Grosso com a família quando tinha 13 anos de idade.
No estado se formou em medicina pelo Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e desde de novo optou por trabalhar como médico de posto de saúde na periferia de Cuiabá. Ele afirma que a experiência com população mais pobre foi crucial para sua formação política.

Confira os principais trechos da entrevista:

Muvuca Popular – Mas o que te teve levou para a política? Houve um momento específico?

Lúdio – Primeiro a minha origem, eu sou filho de trabalhadores. Segundo a experiência ainda muito jovem [14 anos] como empregado de um banco privado num momento de extrema exploração do trabalho humano na década de 80, a carga oficial era de seis horas, a gente trabalhava nove, dez, onze horas por dia, isso sem compensação remuneratória, sem hora extra, exploração seca mesmo... Na universidade o movimento estudantil foi fundamental, porque era identificado com os ideias da esquerda, de igualdade e fraternidade. Depois teve o movimento sindical. E o trabalho na saúde pública onde as pessoas vivenciam o drama da dificuldade de ser atendido com qualidade. Foi esse percurso que eu fiz que acabou me levando para política e para a disputa da primeira eleição [vereador] em 2004.

Muvuca Popular – Você ‘sumiu’ depois das eleições de 2014 quando concorreu ao governo do Estado. Por onde esteve?

Lúdio - Algumas pessoas me perguntam: ‘Lúdio o que você fez nesse intervalo de tempo?’. Eu me afastei da política. Eu não sou um político profissional, eu não vivo da política. Eu vivo do meu trabalho como médico servidor público. Depois das eleições que eu disputei e fiquei sem mandato, eu voltei com muito orgulho a exercer o meu trabalho como médico, a conviver todos os dias com a população trabalhadora que precisa do SUS, e continuar aprendendo com essas pessoas, e tirar o meu sustento e dos meus filhos com o meu trabalho. Quando a Dilma se reelegeu em 2014, eu fui convido para ocupar cargo em Brasília. Mas eu escolhi ficar em Cuiabá, lá no posto de saúde onde eu sempre trabalhei. 

Essa eleição de 2018 para mim é de recomeço, de retomar a trajetória que me permitiu fazer dois mandatos de vereador de muito resultado e quase me permitiu virar prefeito da minha cidade.

Muvuca Popular – Tendo em vista que a população de Mato Grosso, tem um perfil mais conservador, como será o trabalho de convencimento quanto as pautas mais progressistas?

Lúdio – Não há uma formula mágica. O que você precisa é de um diálogo permanecente com as pessoas. Ir ao encontro das delas, olhar nos olhos e dialogar sobre o sentido do projeto que você quer construir, sobre o sentido do mandato que você quer exercer, a partir dos aprendizados, dos acertos e dos erros, e buscar sensibilizar as pessoas e fazer delas multiplicadoras desse pensamento. Por essa via que nós vamos alcançar um resultado eleitoral positivo.

Muvuca Popular – Você é investigado em algum esquema de corrupção por causa da sua aliança em 2014 com o grupo político do ex-governador Silval Barbosa?

Lúdio - Eu fui depor em condição de testemunha, numa investigação que a Delegacia Fazendária fazia. Só que isso foi feito diante de uma condução coercitiva desnecessária, sem fundamento legal, porque em nenhum momento eu fui convocado para prestar depoimento.

Muvuca Popular – Em que âmbito da investigação?

Lúdio – Era uma investigação de desvio de combustível no Estado. E alguns depoimentos falavam que esses desvios tinham relação com a campanha de 2012. Mas não havia nenhuma relação com a campanha de 2012. Essa investigação resultou numa denúncia do Ministério Público, é uma ação judicial hoje, mas sem que o meu nome tenha sido investigado ou denunciado. Eu só prestei depoimento como testemunha.

Muvuca Popular – E os esquemas apontados por Silval Barbosa? Seu nome não foi citado em nenhuma delação dele?

Lúdio - Em 2014, eu fui candidato a governador com o apoio do MDB, portanto com o apoio do então governador [Silval Barbosa], mas felizmente eu nunca tive nenhum grau de proximidade com a máquina do governo. Nunca ocupei nenhum cargo. Eu fui apenas candidato a governador pelo Partido dos Trabalhadores e busquei construir um arco de aliança com os partidos que eram nossos aliados no plano nacional.

Muvuca Popular – Mas você acredita que o povo vai saber separar as coisas? Fazer essa distinção da sua imagem em relação a do Silval? Como isso pode pesar no processo eleitoral.

Lúdio - O PT Nacional faz uma autocritica em relação as alianças que construímos, que levaram a derrubada da Dilma. Na pré-campanha e na campanha este ano, temos que dialogar com o povo de forma aberta, franca, sobre esse processo de autocrítica necessário que nós devemos exercer.

Muvuca Popular – O trabalho então vai ser muito no sentido de desvincular a sua imagem do Silval?

Lúdio – Eu acho engraçado esse termo: ‘desvincular essa imagem’. Eu apenas fui candidato a governador apoiado pelo MDB. Eu não tive nenhum vínculo cotidiano com o governo Silval.

Muvuca Popular – Mas será que a população tem esse entendimento? Porque é complicado não relacionar?

Lúdio – Na campanha de 2014 eu estive com o Silval apenas uma vez, numa reunião com o diretório nacional do PT em Brasília. Nem participação na campanha o Silval teve.
Mas eu acho que a campanha de 2018 é uma oportunidade de diálogo e de enfrentamento dessa contradição. Isso é um dado de realidade. E um é um diálogo que nós faremos com muita humildade, maturidade, porque é resultado de um aprendizado que nos colhemos ao longo da nossa trajetória.
Mas esse não é um tema exclusivo da campanha, vai ser um aspecto tratado quando for questionado, mas o que nós precisamos mesmo é debater qual será o sentido do mandato que nós pretendemos construir.

Muvuca Popular – Como está sendo o trabalho inicial de pré-campanha no sentido de divulgar a sua possível candidatura, principalmente no interior?

Lúdio – Eu tenho buscado dialogar com os companheiros do PT do interior, da militância dos movimentos sociais e da saúde pública, para em diálogo com esses companheiros articular uma rede de apoiadores para realizar a campanha. Vou realizar algumas viagens nos finais de semana, mas também vou me apropriar da tecnologia que está disponível hoje, das redes sociais.

Muvuca Popular – Você vai usar muito as redes sociais pra divulgara a pré-campanha?

Lúdio – Nos vamos usar a redes sociais de forma muito cuidadosa. A leitura que eu tenho é de que nós não podemos entrar nessa onda da invasão das redes sociais para a companha eleitoral. Aproveitar da oportunidade que a rede nos dá de estabelecer vínculo com as pessoas, de buscar esse vínculo diretamente com elas, e não invasão aleatória generalizada em busca de voto, não tem sentido isso.

Muvuca Popular – Como é que a esquerda de uma maneira geral tem recebido a sua pré-candidatura?

Lúdio - De uma forma muito positiva, porque a tradição da minha militância é de esquerda, então eu estou me encontrando e reencontrando com os companheiros de luta de toda minha trajetória.

Muvuca Popular – Qual deve ser o caminho do PT nas eleições deste ano?

Lúdio - Nessas eleições o PT tem que buscar um caminho próprio, ter candidatura majoritária nessas eleições. É a defesa que nós estamos fazendo.

Muvuca Popular – Mas o PC do B está tentando trazer o PT para o arco de aliança do Wellington Fagundes [senador do PR, pré-candidato a governador do Estado.

Lúdio – Não cabe a mim questionar os movimentos do partido, mas na minha avaliação o PC do B fez um movimento pautado pelo pragmatismo eleitoral.Eu entendo que nós precisamos construir um projeto alternativo de poder para o Estado. E esse projeto tem que enfrentar os interesses que governam o estado hoje. Porque Mato Grosso só vai melhorar a qualidade dos serviços públicos se enfrentar esses interesses.
As candidaturas que se apresentaram até agora na dissidência do governo Taques, elas todas estão buscando construir alianças pra continuar a representar os interesses de uma parcela pequena do nosso Estado, que hoje são os bilionários do agronegócio.

Muvuca Popular – Eu vejo muito aí um discurso de ‘Lúdio raiz’, voltando para as origens (risos)...

Lúdio – Não, mas sempre foi o meu discurso. A realidade hoje nos colocou diante de um fato: a política de conciliação que orientou os governos Lula e Dilma, e que orientou as alianças que fizemos nos Estado, foi um polícia que fracassou.

Muvuca Popular – Então foi um erro a aliança com o MDB em 2014?

Lúdio – Nos tínhamos um projeto nacional em curso de realizações muito positivas para a população brasileira que dependia de alianças nos estados. Essas alianças eram com setores que tinham interesses econômicos diferentes dos nossos. No plano nacional soubemos conciliar esses interesses: todo mundo ganhou durante os governos do PT, os mais pobres e os mais ricos, os bancos continuaram tendo lucros astronômicos, o agronegócio também cresceu muito nos nossos governos. Mas ao mesmo tempo nós demos a oportunidade do filho do trabalhador de entrar na universidade, nós melhoramos a condição de moradia da população pobre com o Programa Minha, Casa Minha Vida.
O problema é que em 2014, quando a crise econômica mundial lá de 2009 começou a chegar pra valer no Brasil, e que havia necessidade de você estabelecer o que seria prioridade, foi nesse momento que nós vivenciamos o desentendimento com esse setor e fomos traídos. O impeachment da Dilma foi resultado disso.Em 2014 nós ainda construímos a articulação política em Mato Grosso em sintonia com a articulação nacional, tendo o PT pela primeira vez na história do Estado protagonizado essa aliança, agora: nós fomos traídos por uma parcela importante dos setores políticos que estavam na nossa chapa e traídos descaradamente pelos bilionários do agronegócio, que apoiaram e financiaram a campanha de Taques.

Muvuca Popular – Pra encerrar, que música você escolheria para essa fase sua de recomeço na política?

Lúdio – Uma música? (risos) Você me pegou agora... Mas vou falar de duas músicas: uma da Mercedes Sosa, ‘Solo Le Pido A Dios’; e uma música do Beto Guedes, que é ‘Sal da Terra’; outra do Beto Guedes, que é ‘Sol de Primavera’.

 

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COMENTÁRIOS

(8) COMENTÁRIOS

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Paulo roberto - 01-06-2018 08:18:52

Petistas de plantão me respondam essa vocês não sabiam de nada né? http://www2.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/149/og/1/materia/505291/t/caixa-2-existiu-na-campanha-de-ludio-cabral-diz-mpe

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Paulo roberto - 01-06-2018 08:15:38

Traídos foram os que venderam fiado para você nas suas campanhas e vocês deram um p*** calote nessa gente... E aí não pagou e vai comprar mais fiado né vem coisa de petista mesmo... Quebraram o país de todas as empresas estatais o preço da gasolina é culpa de vocês que quebraram a Petrobras. O pior é que o caos não é só isso é ter um bando de gente trouxa que vai acabar voltando no Partido de vocês... Sua sorte é que a justiça é lenta e cega No Brasil se não você já estaria na prisão. Ficou 10 anos para se formar na faculdade com a família bancando, e depois entrou para o serviço público e gostaria de saber quanto tempo você ficou de licença para essas suas campanhas. Você vai dizer que isso é legal agora me responde é moral?

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Monique - 29-05-2018 17:22:06

Ludio sempre será meu candidato

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Fabiana - 29-05-2018 15:19:50

Lúdio, sempre votamos em você!...Nossa política NECESSITA de ar puro, a derrubada desse sistema que nos esmaga e que só enxerga os já Ricos e soberbos deste Estado. MT é mais do que Agronegócio. Precisamos de políticos com olhar global, e não com lentes focadas nessa pseudo elite (sanguessuga). Conte conosco!!!

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Jau - 29-05-2018 11:03:38

Ludio não recebeu propina ca campanha dele, não tem moral para falar de ninguém não, além de ser petista comunista kkkkkkkkkkkkkkk

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jose antonio silva - 28-05-2018 06:30:53

ISSO É CONVERSA DE POLITICO PORCARIA, QUE NÃO TEM PLATAFORMA ALGUMA E VEM COM CONVERSA FIADA, DEMAGOGIA E HIPOCRISIA TENTANDO LEVAR O ELEITOR A ERRO! ESTÁ QUERENDO MÍDIA PRA VER SE PEGA UMA BOQUINHA PRA FICAR NA MAMATA E SAIR DO LIMBO ONDE FOI COLOCADO! ESSE TIPO DE GENTE, DESSA LAIA, DO PT, NÃO SERVE PRA ,MÉDICO NEM PRA POLITICO! LUDIO CABRAL TENHA MORAL E VERGONHA NA CARA E SE RECOLHA E SUA RELES MEDIOCRIDADE.

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Maria José Joana - 29-05-2018 00:31:11

Procure se informar, antes de vir bostejar seu ódio e ignorância. O cara é um respeitável e dedicado profissional da medicina.

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Carlos Nunes - 27-05-2018 22:35:30

Cada Estado brasileiro tem um destaque na Economia...MT sempre foi essencialmente agrário, aqui o destaque é o Agronegócio, que inclusive gera superavit na balança de pagamentos do país. Agronegócio é a galinha dos ovos de ouro. Na fábula tinha um homem que possuia uma galinha, que todos os dias lhe dava 1 ovo de ouro. Cheio de cobiça, um dia quis saber daonde vinha o ouro, e abriu a galinha. ..então ficou sem a galinha e sem o ouro. Mexer com o Agronegócio não é fácil. ..tem que estudar muito o caso. Até a taxação influi na concorrência Internacional, que é terrível lá fora. Tem que saber mexer. ..senão pode matar a galinha.

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8 comentários

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