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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018

POLÍTICA Terça-feira, 04 de Dezembro de 2018, 11h:23 | - A | + A




Pesquisa eleitoral

“Pesquisa eleitoral é um produto que faz parte do marketing do candidato”, diz cientista político

Professor João Edisom defende o fim das pesquisas eleitorais

Por: Helena Corezomaé

 

O professor de ciências políticas João Edisom de Souza afirmou em entrevista que as pesquisas eleitorais, que são realizadas no país, são manipuladas. O cientista político também declarou que defende a criação de uma legislação específica para regulamentar os levantamentos feitos durante o período eleitoral.

“As pesquisas eleitorais hoje são manipuladas. Defendo inclusive que elas entrem em período de quarentena por duas eleições, para que se discuta e se aprove uma nova legislação”, declarou o professor.

Para avaliar um universo grande como a população brasileira, um recurso corriqueiro das pesquisas eleitorais é organizar amostras. É inviável ouvir os 140 milhões de brasileiros. Por isso, escolhe-se um universo menor, que costuma variar entre 2 mil e 3 mil pessoas. Essa amostra deve representar com a máxima perfeição a diversidade do eleitorado, com critérios como sexo, idade, região de residência e classe socioeconômica.

De acordo com João, toda pesquisa deve seguir métodos científicos segundo os quais, ao iniciar os trabalhos, não se sabe o resultado, visto que este dependerá da análise das respostas dos entrevistados. Porém, conforme o professor, não é o que tem acontecido com as consultas eleitorais no país.

“Hoje, as pesquisas são feitas visando um resultado. O que temos é um grande mercado de institutos, que trazem a pesquisa como um produto que faz parte da campanha ou do marketing do candidato”, afirmou Edisom.

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Para o professor, as consultas eleitorais consistem em um importante instrumento para os candidatos, que se mantém informados sobre os reflexos de sua campanha no eleitorado, sobre os temas mais relevantes para o eleitor, dentre outros aspectos. Assim, o professor defende que as pesquisas sejam para consumo interno dos políticos, ficando vedada a divulgação à população.

“Se as pesquisas não forem divulgadas, elas continuaram a cumprir sua principal função junto aos candidatos, sem dar margem para as manipulações que existem hoje”, enfatizou o professor.

O estatístico José Ferreira de Carvalho, professor aposentado da Unicamp e livre-docente pela Universidade de São Paulo, também compartilha das mesmas ideias de Edisom, e defende que as pesquisas eleitorais, como concebidas hoje, nem deveriam ser publicadas. Para Carvalho o ideial é o uso de amostras aleatórias – que pode ser feito por meio do sorteio de telefones, ou endereços a visitar.

Possível solução

Nos Estados Unidos, os institutos fazem pesquisa probabilística enviando aleatoriamente mensagens para os celulares dos cidadãos. Assim, têm acesso a 90% dos adultos.

No Brasil, estamos perto disso: 83% dos adultos têm celulares, ou 115 milhões de pessoas. Se eles forem capazes de entender perguntas por escrito e respondê-las, contaremos com resultados de pesquisas mais fiéis à realidade.

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