CAIU DE PARAQUEDAS
“Não representa as mulheres”, diz deputada de MT sobre Erika Hilton na Comissão das Mulheres
Kamila Arruda e Renato Ferreira
A eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados gerou forte reação entre parlamentares da oposição. A deputada mato-grossense Coronel Fernanda (PL) afirmou que a colega “caiu de paraquedas” no colegiado e declarou que ela não representa as mulheres.
Segundo a parlamentar, a articulação da oposição começou dias antes da eleição com o objetivo de evitar que Hilton assumisse o comando da comissão. Fernanda alegou que a indicação ocorreu por falta de consenso dentro do próprio partido da nova presidente.
“A Erika Hilton caiu de paraquedas lá, por que a função lá é do PSOL, quando a reunião da mesa é definida em relação ao número de parlamentares em cada comissão e ao PSOL foi dada a comissão da mulher. Quando surgiu o nome da Erika Hilton foi porque, apesar de ter três parlamentares mulheres lá, uma não pode assumir porque foi presidente no ano anterior e as outras duas, por questões pessoais, também não quiseram assumir”, afirmou.
A deputada também disse que a oposição conseguiu inicialmente barrar a indicação durante a primeira votação interna. “Nós organizamos para vencer a Erika Hilton na primeira votação, conseguimos derrubar a Erika Hilton na primeira votação, onde a maioria votou contra a presença dela lá como presidente”, declarou.
Coronel Fernanda afirmou ainda que sua crítica não está relacionada à identidade de gênero da parlamentar, mas sim ao que considera ser o objetivo da comissão.
“Nós não estamos aqui questionando se ela é trans, se ela não é trans, qual que é a vida pessoal dela. Isso não é o nosso problema. O nosso problema é que a comissão da mulher é para tratar de assunto de mulheres, a gente está falando de mulheres biológicas. Não existe outro tipo de mulher, existe trans. Trans tem o espaço deles, para tratar da forma biológica, do sentimento de uma mulher só outra mulher”, disse.
A deputada também criticou o uso de termos que, segundo ela, descaracterizam a identidade feminina. “Falar que pessoas que gestam é para você, estão querendo diminuir a mulher na sua essência para poder caber no mundo dela. Nós não vamos permitir isso”, afirmou.
Apesar das críticas, Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no último dia 11, após receber 11 votos favoráveis e dez votos em branco. Ela se tornou a primeira mulher trans a comandar o colegiado.
A eleição também provocou reações divergentes dentro da Câmara. Enquanto parte da oposição criticou a escolha, parlamentares da base governista defenderam a legitimidade da decisão e afirmaram que a comissão deve representar a diversidade das mulheres brasileiras.



