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ARTIGOS Sexta-feira, 29 de Maio de 2020, 21h:02 | - A | + A




Por que ainda aceitamos?

Por que ainda aceitamos?

A violência doméstica é um padrão de comportamento que envolve violência ou outro tipo de abuso por parte de uma pessoa contra outra pessoa num contexto doméstico, em se tratando da violência praticada contra mulheres, somente no Estado de São Paulo foi registrado um incremento de 44,9 % nas ocorrências conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e segundo o mesmo órgão, o Estado de Mato Grosso é apontado com maior aumento no número de feminicídio durante o isolamento social se comparado aos outros cinco estados pesquisados: São Paulo, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Acre e Pará.

O que leva à permanência em relações permeadas por abuso e violência é o que todos tentam responder quando um caso próximo vem à tona. E muitas perguntas emergem:

Por que aceitamos o primeiro tom de voz mais alto e agressivo ainda no início do namoro seguido de pedidos se desculpas?

Por que concordamos quando ele impõe regras para a nossa roupa, o nosso corpo a nossa maneira de ser, falar e existir?

Por que nos calamos quando ele nos puxa pelo braço, depois pelo cabelo e em seguida pelo bolso?

Por que nós nos escondemos embaixo de roupas longas e sorrisos falsos?

Observe que escrevo na primeira pessoa, pois já estive em uma relação abusiva na qual a traição era rotineira, a ameaça constante e o medo estava presente dia e noite!

Não houve denúncia!

Na época ainda não havia a Lei Maria da Penha, Lei Federal sancionada em 7 de agosto de 2006, mês do meu aniversário, mas infelizmente muitos anos após o fim do tal relacionamento.

Tradicionalmente a mulher foi educada para se calar, pois estava sempre errada, e naquela época eu ainda acreditava que devia ficar quietinha para não 'provocar' uma pessoa sob efeito de substâncias psicoativas, porque se o pior acontecesse... a culpa também seria minha!

Mas minhas bússolas me diziam que precisava despertar, uma delas era o meu corpo sempre tenso, apreensivo e dolorido; e a segunda foram os livros: de 'Mulheres que Amam Demais' da psicóloga americana Robin Norwood à 'Costela de Adão - Cartas à um psicanalista' do brasileiro Eduardo Mascarenhas, eu ia tentando me entender e me mover para fora. Tais leituras foram essenciais para que um dia eu colocasse um fim naquele namoro que para todos era tão romântico e parecia seguir para um casamento! Só parecia...

Recentemente eu percebi que essa história tão traumática havia se tornado um segredo, pois ninguém sabia o que eu havia passado e então quando alguém perguntou sobre o tal sujeito e eu comecei a falar o quanto eu preferia não falar sobre ele e no quanto ele foi danoso é que percebi que além da vergonha, do medo ainda temos muito medo do julgamento!

Agora, nós não precisamos mais nos calar! Não precisa ser um degredo, a lei existe, a literatura sobre relacionamentos abusivos, violência contra a mulher e como conhecer o perfil de um narcisista perverso entre outros temas relacionados à violência contra a mulher é vasta.

Eu não me calo mais!

E se você ainda se cala ou espera que o outro mude, sugiro que repense a sua história de vida.

Qual é o pano de fundo que te mantém neste lugar?

Qual é o motivo que te leva a permanecer?

Se o seu corpo dói, se as lágrimas escorrem e você se sente perdida, busque ajuda, apoio psicológico é fundamental! Se conhecer, se sentir acolhida e apoiada é muito importante!

Desperte em vida, pois mulher nenhuma nasceu para viver esse pesadelo.

 

PSICÓLOGA SANI NEVES. CRP 18/01332. Psicologia Clínica. Esp. Gestão em Saúde UAB/UFMT. Sexologia Clínica. Constelação Familiar Sistêmica. Terapia EMDR. 65 999821308. Instagram:sanineves.psicologa

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