“ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO”  | MUVUCA POPULAR

Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

ARTIGOS Terça-feira, 13 de Agosto de 2019, 10h:49 | - A | + A




Professor Aureliano.

“ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO”

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“ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO”

Hoje, 12/08, reiniciamos nosso trabalho, cansados, exauridos financeiramente, porém, não vencidos, ainda que as reivindicações da categoria não foram atendidas e o pagamento dos salários descontados se dará de forma parcelada, essa foi a posição do governo.

Entre as pautas de reivindicações está o chamamento de concursado para as vagas livres, pagamento de 1/3 de férias para os contratados, cumprimento da Lei nº 510/2013 e pagamento dos restos a pagar da RGA de 2018 para assegurar a Lei da Dobra do Poder de Compras dos Profissionais da Educação, com o objetivo de mudar a realidade de sermos o pior salário entre as carreiras do executivo estadual.

Mas as reivindicações não se resumiram a isso, mas também às péssimas condições das estruturas escolares, com salas anexas de lata e PVC sem manutenção há mais de dois anos, com riscos de incêndio, desmoronamento de teto e estruturas, a falta de quadras poliesportivas, reformas urgentes, implantação e modernização de laboratórios e falta de funcionários.

Foi uma batalha desleal que durou 75 dias. Resumindo, Governador, Assembleia Legislativa, Judiciário, Tribunal de Contas e os Meios de comunicação se alinharam de forma a enfraquecer o movimento perante a opinião pública. Os profissionais da educação foram extremamente guerreiros, uma vez que os salários foram cortados ilegalmente desde o início (27/05), baseados numa interpretação cabível ao governo de um Recurso Extraordinário (RE 693456) do STF.

O julgamento sobre a greve ser “abusiva” caiu “por acaso” nas mãos de uma desembargadora que tem nas costas as acusações de tráfico de influência, crimes de advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, denunciação caluniosa, falso testemunho, fraude processual, comunicação falsa de crime ou de contravenção e prevaricação (segundo fontes nas mídias digitais).

O presidente da AL (Eduardo Botelho) nos usou como barganha, depois de o governo firmar contrato com empresas de seus familiares no valor de R$ 796 mil, para prestação de serviços à saúde, além do silêncio do governador sobre uma investigação de corrupção envolvendo construtoras, uma dessas, ligada também a seu nome.

Em relação à mídia, o governo aditivo este ano contrato de propaganda no valor de R$ 70 milhões. No Tribunal de Contas, alguns cargos, como direção, presidência, vice, corregedor, ouvidor e presidentes das Câmaras, recebem gratificação de R$ 3,8 mil ao mês, auxílio alimentação está hoje em R$ 1,150 mil. Os conselheiros ainda têm acesso à verba indenizatória de R$ 23,8 mil para cobrir gastos relacionados ao trabalho de fiscalização como despesas com viagens, veículo, combustíveis, passagens e suprimentos de fundo, além, de receber o valor de R$70 mil para aquisição de livros.

Enfim, não tivemos verba para pagar os segundos do horário nobre da televisão, assim como fez o governo, onde, durante várias semanas apresentou um comunicado, dizendo que ganhamos R$5.800,00 e que apesar disso a educação de MT ocupa a 21° posição entre os 27 estados do país e ultrapassou os limites de gastos com salários. Ademais, que o Estado Decretou Calamidade Financeira.

Sobre o salário, um professor com 30 horas ganha R$ 4.395,00, não passando dos R$3.600,00 por conta dos descontos de INSS e Imposto de Renda, sobre o 21° lugar, no ensino fundamental, o estado superou a meta estabelecida pelo MEC, de 5,3, atingindo nota de 5,9. Já no ensino médio, a meta projetada era de 4,4 e a nota foi de 3,5, entretanto, no país, nenhum estado atingiu a meta prevista para o ensino médio.

Sobre o limite de gastos, o governo se utiliza de manobras, segundo o Sintep MT, “Na política de renúncia e incentivos fiscais do Estado o percentual de repasse da educação não está sendo preservado” e que “De repente, o TCE orientou, por meio de nota técnica, que o governo não deve considerar o imposto de renda retido na fonte como receita, mas, como despesa. Essa é uma manobra fiscal para dizer que está extrapolando o gasto com pessoal”, além de outras receitas ocultadas.

Sobre a Calamidade financeira, o Governo Federal não a reconhece. Enfim, esta tem sido a “arquitetura da destruição” emanada em efeito cachoeira pela “nova” (velha) política nacional para o fim de todos os direitos dos trabalhadores. Sobre a veracidade dos dados aqui apresentados, todos estão disponíveis na rede.

Professor Aureliano.

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COMENTÁRIOS

(15) COMENTÁRIOS

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Caliu - 13-08-2019 22:43:13

muvuca, você está apagando os comentários relacionado a este artigo? estamos de olho! parabéns aos professores, a batalha foi muito desigual.... resistiram bravamente....

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Maria Regina Borges de Carvalho - 13-08-2019 22:21:16

As palavras do nobre professor Diego confirma o descaso do nosso representante governamental e da maioria dos nossos deputados, dentre outros, para com a Educação. Infelizmente, educação só é prioridade durante campanha eleitoral. É sabido que nenhum desses senhores tem seus filhos ou netos matriculados em escola pública. Por quê? A Educação Pública do Estado de Mato Grosso precisa ser melhorada. Alguns deputados visitaram a escola em que trabalho, neste periodo de greve e reconheceram que o quadro é muito precário. Escola sem quadra poliesportiva, salas anexas de PVC sem manutenção, telhado precisando ser refeito, sala de laboratório de informática com computadores obsoletos, enfim, uma estrutura comprometida para a concretização da nossa tão sonhada educação de qualidade. Ainda temos uma educação em processo de melhoria porque somos uma categoria forte, perseverante, sábia, capaz de vencer com dignidade um governo insensível, cruel e desumano.

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Rubia A. Sant'ana - 13-08-2019 18:14:34

Parabéns pelo texto, claro e verídico. Quero aqui agradecer aos professores, toda a categoria, por mais esta "aula" de luta, de resistência e esperança. Tenho certeza de que, não foi nada fácil a nenhum de vocês, pois, neste caso houve um cenário desigual e desumano, vindo de uma politica capitalista, suja e de um governo mentiroso que jamais ganhou nem ganhará meu voto. Ainda assim, foi dado o recado, tenho certeza que as aulas de histórias serão ainda mais esclarecedoras para os alunos, meu muito obrigado! Professores não desistam de lutarem por seus direitos #Tamu junto#! Ass: Mãe de aluno.

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Professor Netto - 13-08-2019 16:49:06

A greve que vocês fizeram não conseguiu obter as reivindicações, mas não deixa de ter suas conquistas. Em primeiro lugar, demonstrou essa articulação dos poderosos contra a educação pública - é um absurdo essa aliança da justiça, do legislativo, do executivo e da mídia contra os professores. É impressionante como todos esses braços do poder, que deveriam ser independentes, se utilizam de fakenews, mentiras e manipulação para jogar a população contra os profissionais da educação que lutam por condições dignas de trabalho. Em segundo lugar, vocês deram uma bela lição para os estudantes, de que não há como ter uma educação de qualidade sem luta política. Vai ser difícil voltar ao trabalho sem o atendimento às reivindicações, tendo que encarar as salas de aula feitas de lata e pvc, com o teto caindo, mas com certeza vcs voltarão de cabeça erguida para as escolas, e conseguirão demonstrar para a população, os pais e os estudantes que uma educação pública de qualidade só existe com muita luta dos trabalhadores pela manutenção dos direitos.

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Claudia - 13-08-2019 15:52:27

Parabéns professor sábias palavras.

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Kátia Gilioli - 13-08-2019 15:51:56

Que governo é esse que durante a eleição defende os profissionais da educação? E depois da eleição ganha, desmerece os profissionais? Em qual politico confiar? Excelente e sábias palavras professor, parabéns!

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Bolão - 13-08-2019 15:47:47

Muito bem Professor! Essa luta mostrou como são corajosos e determinados em seus objetivos, mesmo com toda a adversidade de manifestações contra a greve. Continuem a luta e não desanimem nessa peleja, estou torcendo por vocês e espero que alcancem a vitória contra todos os algozes da Educação.

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Kezia Bosser - 13-08-2019 15:18:23

Estamos enfrentando um momento difícil como a falta de ética, corrupção e desrespeito às leis. Bem sabemos que as mesmas não estão sendo cumpridas, porém, manipuladas conforme interesses políticos e pessoais dos "poderosos".

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Rita - 13-08-2019 13:37:10

Estamos vivendo várias crises e a pior é a de ética. Em todas as esferas, só corrupção, desrespeito às leis e descaso com as minorias, professores, cientistas e meio ambiente. Perdas irreparáveis em vários aspectos. Até quando? Precisamos reunir nossas forças...

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Mônica Dias - 13-08-2019 13:35:32

Infelizmente a justiça dos homens é cega e falha. A justiça de Deus virá.

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Elza - 13-08-2019 13:28:57

Parabéns professor Aureliano nada como a verdade para esclarecer o texto traz a realidade da luta com a EDUCAÇÃO.

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Professor Carlos Lisboa - 13-08-2019 13:13:14

Concordo. Excelente artigo no qual explica e explícita o momento difícil em que, nós, profissionais da educação, estamos vivenciando e de forma geral toda a classe trabalhadora brasileira. O momento exige entedimento, criticidade e reflexão para agirmos no sentido de frear os retrocessos sociais e laborais ao qual o Estado vem nos submetendo. Antes, nós tínhamos a justiça e a lei ao nosso lado, hoje, nem isso nós temos mais, pois quem corporifica e concretiza a justiça e a lei não as respeitam e e as interpretam ao seu bel-prazer, o judiciário não está do lado dos trabalhadores, agora é o povo pelo povo, nós por nós mesmos.

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Ana Cláudia de Campos - 13-08-2019 13:10:29

Parabéns pelo texto professor.

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Fabrizzia - 13-08-2019 13:03:42

Me chama atenção no texto as várias evidências de desmandos e usurpação de direitos, com a conivência de intituições (Executivo, legislativo e judiciário) que deveriam ser públicas e justamente combater tais abusos, além dos canais de comunicação de massa que ajudam a manipular informações para tentar controlar a opinião pública. Por outro lado, e isso o texto destacou também, existem resistências, organizadas pelo sindicato e pela sociedade civil, pois apesar de todo poder (econômico, político e cultural) utilizado contra a educação pública, nós profissionais da educação, tivemos apoio de muitas famílias, de estudantes, enfim, da sociedade que não se esquece que direitos não são dados e sim conquistados na luta. Por hoje temos um cenário para (re)pensar formas de emancipação popular, uma delas a organização dos trabalhadores. Lutar por direito não é crime! Obrigada pelo texto didático e acessível. Obs.: Hoje dia 13 de agosto de 2019 teremos mais um TSUNAMI DA EDUCAÇÃO nas ruas!!!

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Katia Arruda - 13-08-2019 12:59:39

Parabéns pelas sábias e bem colocadas palavras. Sabemos que merecemos respeito. E uma política que não prioriza a educação estará condenada ao fracasso. Eleger um político requer ponderações e análises. Agora um momento especial pra sabermos quem eleger e em quem votar.!!!!

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