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Cresce em Brasília a ideia de impeachment de Bolsonaro

Afastamento do presidente já é aventado no Congresso Nacional

Albízzia Lebbeck, para o Muvuca Popular
De Brasília (Agência RBC News)

 

O impeachment do presidente Jair Bolsonaro já entrou na pauta dos partidos de oposição no Congresso Nacional e transita pela grande mídia. No senado, um grupo de senadores e deputados já debatem a possibilidade de entrar com um pedido de afastamento. Na imprensa tradicional, a manhã desta sexta-feira (17) esteve repleta de análise e até editoriais ventilando a necessidade de o ocupante da principal cadeira do Palácio do Planalto de ser substituído com brevidade.  

A razão da inserção do impeachment na pauta política de agora é a crise política que não cessa e tende a agravar com os ímpetos cada vez mais ferozes de Bolsonaro e enxurrada de denúncias que sofre um de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL). Pelas análises nos gabinetes do Congresso Nacional e nas páginas da grande imprensa, o presidente tem dado demonstrações de que não tem condições mais de governar. Com o agravante de que as denúncias contra seu filho já atingiram sua esposa, Michele, e pode chegar a ele.  

O próprio presidente tratou se se apressar e afirmou em entrevista que “podem vir para cima de mim”, que não “tem nada a temer” e que os parlamentares “façam o que bem entenderem em relação a mim”. Bolsonaro com estas e outras declarações já demonstra estar acuado. Não é para menos. A situação é grave. Seu filho Flávio está sendo acusada nada menos que chefe de uma quadrilha. Soma-se a isto, afora a língua solta presidencial, um quadro de desastre econômico que acena como irreversível, com o crescimento forte do desemprego e o câmbio com descontrole, superando casa dos R$ 4, na cotação desta sexta-feira.  

Por estes e outros motivos, os jornais de hoje publicaram uma série de textos rifando o presidente. "O cenário de fraqueza econômica, instabilidade política e aprofundamento das apurações contra Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) fez a palavra impeachment voltar a circular nos Poderes", cravou a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.  

Ainda na Folha, seu editorial é enfático: "O obscurantismo agressivo do governo Jair Bolsonaro (PSL) converteu o crucial debate sobre o financiamento do ensino superior público, já tardio no país, em um confronto de bandeiras ideológicas". Em O Globo, Estado de São Paulo, Veja, Valor e IstoÉ artigos e editorias seguem basicamente pela mesma linha.  

Confrontos  

O Globo, por exemplo, destacou um grave problema que tem até feito a base aliada do governo colocar as barbas de molho: o incessante confronto que se estabeleceu na retórica do presidente e nas atitudes de seu governo, Bolsonaro, ao contrário de se comportar como um fiel da balança, um patrocinar dos diálogos civilizatórios, vocifera a todo instante uma verborragia ensandecida.  

"Não é possível governar assim. Não se governa por meio de confrontos. Parece não se tratar apenas de uma fase de adaptação do candidato ao cargo que conquistou pelo voto. Casos como este das universidades, o da atuação de milícias digitais contra supostos adversários de Bolsonaro, além de outros exemplos, apontam para um perigoso estilo de governar pelo confronto, em meio a bate-bocas e xingamentos. Por óbvio, não dará certo na democracia. Não é possível governar assim", sentencia, em editorial, o jornal da família Marinho.  

No Estadão, a critica é focada na prioridade de o presidente querer satisfazer seu eleitores, em detrimento do conjunto da sociedade: "Invocando sempre a necessidade de satisfazer seus eleitores, malgrado o fato de que foi eleito para governar para todos, Bolsonaro tem contribuído para transformar debates importantes em briga de rua. Bolsonaro isola-se, num momento em que o País precisa de liderança e inteligência política para construir as soluções para a gravíssima crise ora em curso. São cada vez mais preocupantes os sinais de que o presidente não tem os votos necessários para aprovar no Congresso nem mesmo projetos de lei banais".  

Em sua coluna diária, publicada em seu blog e comentada na rádio CBN, o jornalista Kennedy Alencar afirmar que Bolsonaro está desqualificando o debate público e, obviamente, nivelando “a discussão por baixo”. E com isto, o presidente se “revela um líder desqualificado que só faz desqualificar qualquer debate sério que a sociedade brasileira queira fazer”.  

“O último exemplo foi mais um ataque à imprensa feito ontem de forma geral e particular. Bolsonaro disse que a mídia tem interesse em chegar a ele por meio da investigação do caso Fabrício Queiroz”, observa Alencar. “Contrariando o discurso de campanha, o presidente também bateu no Ministério Público do Rio de Janeiro. Ora, com a plataforma eleitoral que apresentou no ano passado, Bolsonaro deveria apoiar a investigação, que, aliás, está longe do padrão de velocidade da Lava Jato”, acrescentou.  

Alencar lembra do ataque de Bolsonaro à jornalista Marina Dias, da Folha, “mais um no qual o presidente agride uma mulher”. “Aliás, ofender mulheres é uma constante na carreira política de Bolsonaro”, crava o jornalista. E acrescenta: “Bolsonaro disse que ontem poderia até abrir o seu sigilo bancário. Ora, ele deve resposta a uma única pergunta: como emprestou R$ 40 mil para Fabrício Queiroz? Teve TED, DOC ou foi em dinheiro vivo mesmo?”.

Por fim, Kennedy Alencar transcreve o quadro econômico que se avizinha aterrador: “O mercado financeiro finalmente se deu conta da enrascada em que se meteu. Bolsonaro é uma aventura na política brasileira. Isso era claro e sabido desde o ano passado, mas agora a ficha caiu: dólar acima de R$ 4,00 e Bolsa no patamar dos 90 mil pontos. A alta do desemprego é resultado direto da piora das expectativas econômicas, o que é obra direta de Bolsonaro. Em menos de cinco meses, o governo conseguiu transformar otimismo em pessimismo”.  

Recessão à vista  

A preocupação em relação à economia tem, de fato, que ocupar quem acompanha a crise política instalada. Uma crise potencializa a outra. Na manhã desta sexta-feira, por exemplo, surgiu mais um dado econômico que aponta para um quadro muito perigoso no ambiente político. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,1% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o último trimestre do ano passado. Com isto, se coloca à vista um forte quadro de recessão.  

A FGV é faz o monitoramento do PIB brasileiro, que é soma todos os bens e serviços produzidos no país. O recuou 0,1% pode parecer pequeno aos olhos dos leigos, mas significa muito quando se tem uma economia com previsão de crescimento cada vez mais revisada para baixo. Os 3% que se aventou no início do governo já baixo para pouco mais de 1%. Lembrando também que no primeiro trimestre do ano passado houve crescimento (0,5%) e não recuo.


Fonte: MUVUCA POPULAR

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