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Mais de 100 famílias são afetadas por incêndios que destruíram 11,4 mil hectares de terras indígenas em MT

Redação

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Os incêndios e a falta de estrutura para combate do fogo ameaçam mais de 100 famílias indígenas no Pantanal mato-grossense. De janeiro a agosto, foram detectados 148 focos de calor em terras indígenas no bioma.

O mês de agosto, em que a alta incidência de ventos na região aumenta o risco da propagação dos incêndios, concentrou 81% das ocorrências.

A Terra Indígena Perigara, a mais impactada pelas queimadas neste ano em todo o estado, teve 8,1 mil hectares consumidos pelos incêndios, o que representa mais de 75% de seu território.

A área equivale a mais de oito mil campos de futebol em extensão atingida pelo fogo que destrói alimentos e remédios naturais e coloca em risco as moradias dos indígenas na região.

Cerca de 35 famílias do povo bororo que vivem na TI Perigaga foram afetadas.

Na Terra Indígena Baía dos Guató, homologada em 2018 e uma das três atingidas pelos incêndios, cerca de 80 famílias do povo guató estão hoje ameaçadas pelo fogo que avança sobre o Pantanal.

Já a Terra Indígena Tereza Cristina perdeu 12% de área para o fogo, que atingiu 3,3 mil hectares.

As TIs Perigara e Baía dos Guatós estão localizadas no município de Barão do Melgaço, que figura como segundo município mais atingido pelo fogo no estado, com 123,6 mil hectares incendiados, atrás apenas de Poconé, líder em queimadas em todo o estado, com 312 mil hectares impactados.

Os dados são da pesquisa “Caracterização das áreas atingidas por incêndios em Mato Grosso” do Instituto Centro de Vida (ICV) que analisou informações disponibilizadas pela Global Fire Emissions Database da NASA e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O estudo combina focos de calor e interpretação de imagens de satélite para estimar as áreas atingidas pelos incêndios no período de janeiro ao dia 17 de agosto.

A área destruída deve ser ainda maior até o fim do período de seca. É o que aponta o Monitor de Queimadas do ICV, que acompanha os números de focos de calor no estado.

Os dados representam um aumento significativo para as TIs no bioma. Em 2019, a categoria somou cinco ocorrências no mesmo período e, em 2018, não contabilizou nenhuma.

Nas três TIs impactadas, a Baía dos Guatós lidera a lista com 89 focos, seguida da TI Perigara com 48, e da TI Tereza Cristina com 11.

De acordo com Soilo Urupe Chue, assessor da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), nenhuma das terras indígenas atingidas pelo fogo no Pantanal conta com brigadistas indígenas ou equipamentos.

Isso preocupa as aldeias, já que as casas são de palha e podem pegar fogo muito rápido.

Uma outra preocupação dos indígenas guató é a mortandade dos peixes que a sujeira dos incêndios pode causar na época da cheia. Como o peixe é a principal base alimentar, eles estão apreensivos.

Risco à saúde acentuado
Além dos riscos às moradias e aos cultivos de subsistência das aldeias, as queimadas ainda agravam a situação de vulnerabilidade acentuada vivida pelos indígenas durante a pandemia do novo coronavírus.

A fumaça pode causar ou agravar doenças respiratórias, consideradas de risco com a incidência do vírus.

Até o dia 2 de setembro, Barão do Melgaço contabilizou 97 casos confirmados de coronavírus e quatro óbitos. Poconé, município que abarca pequena parte do território da Baía dos Guatós, registrou 514 casos confirmados e 21 óbitos. Os dados são do Boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES).

O acesso a TI Baía dos Guatós é limitado pelas vias fluviais, o que dificulta o serviço dos agentes do Distrito Sanitário de Saúde Indígena (DSEI) Cuiabá.

Alessandra relata que o posto de saúde da TI está em condições precárias – foi construído de forma provisória e não tem energia elétrica. Hoje, conta com apenas dois técnicos de enfermagem contratados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI).

 


Fonte: MUVUCA POPULAR

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