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Domingo, 07 de Março de 2021

POLÍTICA Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2021, 12h:11 | - A | + A




Intolerância

Após denúncia do MPopular, Sintep repudia discriminação sofrida por professor

Educador relatou que teria que "mudar" aparência para dar aula


redacaomuvuca@gmail.com

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Após reportagem do emanuelzinho, o Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT) emitiu uma nota de repúdio contra a discriminação sofrida pelo professor de educação física, Gilbran Dias, que ao realizar a contagem de pontos em uma escola de Barra do Garças (520 quilômetros de Cuiabá) foi imposto a ele que teria que tirar sua barba, retirar brincos e ‘esconder’ tatuagens para dar aulas na instituição que é militarizada.

O fato rapidamente já provocou em diversas pessoas e até mesmo no profissional um sentimento de revolta, fato este que fez com que ele gravasse um vídeo relatando todo o ocorrido. Gilbran ainda fez questão de ressaltar que não havia descrito em nenhum lugar que ele precisaria realizar tal ‘adaptações’ para ser um educador.

"Eu teria que mudar a minha personalidade e o meu estereótipo para me adequar aos padrões de uma escola civil estadual, que tem a gestão militarizada. Não foi feito um edital a parte para essa escola, dizendo que ela funcionaria e seria regida pelas normas da Polícia Militar", pontuou o professor.

Leia também: Escola estadual exige que professor tire a barba e esconda tatuagens para dar aulas

Diante do ocorrido, o Sintep emitiu um comunicado dizendo que repudia “veementemente” a situação vexatória que o professor, que é concursado há mais de 11 anos, sofreu. O local que representa os servidores públicos destacou que este ato pode ser classificado como um “atendado a dignidade humana e liberdade”.

“Tal atitude desrespeita a dignidade humana e demonstra a intolerância que acomete a nossa sociedade. Intolerância esta, que está sendo propagada para dentro das nossas unidades escolares por meio da entrega da gestão das nossas escolas públicas para as forças de segurança (polícia militar, polícia rodoviária federal e Corpo de Bombeiros)”, diz um trecho do comunicado.

Através desta nota, a organização ainda fez questão de ressaltar que repudia também a militarização de unidades educacionais, esta que foi proposta pelo deputado estadual Silvio Fávero (PSL). O Sintep asseverou ainda que assim como este exemplo citado, estão sendo utilizados “meios truculentos” e “antidemocráticos” para que esta metodologia de ensino ser implantada nestas instituições.

“Esse processo faz com que militares das diferentes polícias (Exército, Civil, Federal e Militar) e corpos de bombeiros, adentrem às escolas civis públicas, nas funções de diretores administrativo, pedagógico, além de monitores ou instrutores dos estudantes. Essa atuação reorganiza o trabalho pedagógico imprimindo práticas desenvolvidas nos quartéis, hierarquia, disciplina subserviente, ritos militares, uniformização e apagamento das subjetividades”, destaca outra arte do comunicado.

O Sindicato pontuou que se colocou à disposição do educador para que a situação passada por ele não fique impune.

Veja o comunicado na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO PELO ATENTADO À DIGNIDADE HUMANA E LIBERDADE DE CÁTEDRA SOFRIDA PELO PROFESSOR, SINDICALIZADO E DIRIGENTE SINDICAL GIBRAN DIAS PAES DE FREITAS
O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso repudia veementemente o atentado a dignidade humana e liberdade de Cátedra sofrida pelo Professor Efetivo de Educação Física da SEDUC-MT, sindicalizado, cidadão e dirigente Sindical do Sintep/MT Subsede de Barra do Garças, Gibran Dias Paes de Freitas, que, ao ser atribuído para trabalhar na Escola Militar Tiradentes, antiga Escola Estadual São João Batista, de Barra do Garças (a 520 km de Cuiabá) fora comunicado que só poderia exercer a atividade educacional se tivesse a barba e cabelos cortados. Além disso, recebeu a determinação para que fizesse uso permanente de camisa de mangas longas para esconder suas tatuagens e, foi informado também que deveria tirar o brinco que usa em uma das orelhas.

Tal atitude desrespeita a dignidade humana e demonstra a intolerância que acomete a nossa sociedade. Intolerância esta, que está sendo propagada para dentro das nossas unidades escolares por meio da entrega da gestão das nossas escolas públicas para as forças de segurança (polícia militar, polícia rodoviária federal e Corpo de Bombeiros).

Manifestamos o total repúdio à política de militarização de escolas públicas em Mato Grosso, capitaneada pelo Deputado Estadual Silvio Fávero (PSL), intensificada a partir de 2020. Um processo que ocorre por meios truculentos, antidemocráticos, envolvendo a secretaria de educação (Seduc), Prefeitos, Vereadores e os comandos das polícias militar, Rodoviária Federal e Corpo de bombeiros, para implantar nas escolas civis públicas a chamada “metodologia de ensino” dos colégios da Polícia Militar em favor de implementação das chamadas escolas cívico-militares.

Esse processo faz com que militares das diferentes polícias (Exército, Civil, Federal e Militar) e corpos de bombeiros, adentrem às escolas civis públicas, nas funções de diretores administrativo, pedagógico, além de monitores ou instrutores dos estudantes. Essa atuação reorganiza o trabalho pedagógico imprimindo práticas desenvolvidas nos quartéis, hierarquia, disciplina subserviente, ritos militares, uniformização e apagamento das subjetividades, obrigando que todos/as estudantes se portem da mesma forma, usem penteados e cortes de cabelos iguais e batam continência.

As justificativas utilizadas pelos governos para implementar a militarização são comuns, destacando-se: a) “baixa qualidade educacional” oferecida nas escolas públicas e a necessidade de melhoria dos índices educacionais; b) combate à violência; c) valorização do discurso militar da disciplina, hierarquia, ordem, respeito e controle; d) criminalização da pobreza; e) desvalorização da escola pública e da gestão democrática.

A comparação pura e simples de resultados, sem considerar diversos fatores é desonesta e resvala, quase sempre, na falácia de responsabilizar os profissionais da educação ou os estudantes e suas famílias pelo “fracasso escolar”. Do mesmo modo é equivocado atribuir o bom desempenho dos genuínos colégios militares do Exército apenas ao ideário militarista desconsiderando as especiais condições dessa oferta educacional: custo por aluno maior, no mínimo quatro vezes o custo médio nacional da rede pública; maiores salários compatíveis com a formação dos profissionais da educação; seleção do público atendido (ingresso nas unidades passa por exames seletivos); oferta de educação integral; excelente infraestrutura, equipamentos, tecnologia, laboratórios.

O espírito conservador das corporações militares requer estudantes à sua imagem e semelhança, obedientes e que acatem ordens, sem permissão para expressar um pensamento diferente ou questionar. Nas escolas militarizadas as marcas identitárias são compreendidas como subversão e a condição ontológica de gênero, raça-etnia, classe social e território devem ser anuladas. É um ataque às subjetividades e ao pertencimento que se contrapõe à estética identitárias e visa o apagamento de sua força e filiação. Ataque legitimado por um discurso militarista equivocado de “disciplina, hierarquia, ordem, respeito e padronização”.

O processo de militarização está na contramão do direito conquistado e no disposto na legislação. A escola pública, fruto de muita luta dos trabalhadores e estudantes, é prevista nesses marcos legais como plural, democrática, pública, universal, laica, gratuita, de qualidade socialmente referenciada que reconhece e valoriza nossa diversidade. Ao entregar as escolas para as polícias - que não tem formação para educar - impõe-se o apagamento da identidade dos jovens, adolescentes e dos Educadores; criminaliza-se estudantes, comunidades e territórios empobrecidos; e, amordaçam-se as múltiplas vozes que constituem nosso povo e que denunciam, à plena voz, a injustiça social e a necessária positivação de direitos que exigimos.

Desse modo o Sintep-MT conclui manifestando-se radicalmente contrário à demonstração de intolerância, preconceito, ataque à dignidade humana e liberdade de cátedra justificada por dogmas e preceitos das escolas públicas militarizadas em Mato Grosso e solidariedade ao professor Gibran Dias Paes de Freitas, se colocando à disposição para que tal agressão à dignidade humana e de cátedra não fique impune.

Assim como, reafirmamos a defesa intransigente do sindicato, pela escola pública como espaço universal do exercício democrático de diálogo, pautada por relações horizontais, organização livre dos estudantes, que acolhe e valoriza as marcas éticas, estéticas e identitárias de raça-etnia, cultura, território, gênero e sexualidade.

Cuiabá, 27 de janeiro de 2021.

Direção Estadual do Sintep/MT

Livre, Democrático e Luta!

 

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COMENTÁRIOS

(12) COMENTÁRIOS

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IDOSO - 27-01-2021 13:36:26

Interessante o pensamento de que " os nossos .... tem que..." abaixo postado. Pergunta-se, Será que o CORRETO EXEMPLO PARA OS FILHOS é o que uma gestão auto proclamada, e com ORGULHO, de "DIREITA " tem mostrado parao o povo? Aumento do Desemprego, MORTES, fome, LEITE CONDENSADO, descaso com SAÚDE, EDUCAÇÃO, SEGURANÇA, etc.......???

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Marcos - 27-01-2021 20:03:57

Kkkkk Você estava em que planeta ? O responsável por esses problemas, eu acrescentaria mais alguns, foi o PT, que desgovernou o Brasil por 16 anos.

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Alex r - 28-01-2021 09:53:08

Cara vc é o pior tipo de pessoa. É o tipo do canalha que pra estar certo comete crime pra não ter outra versão. Velho vá se tratar no meu modo de ver não voto mais no PT mas não vejo o Governo fazendo ABSOLUTAMENTE nada em prol da população. Não sou PTista mas pra cada 1 coisa boa que vc falar que o Governo atual Fez consigo citar bem mais que o PT fez. Começando por Educação. E outra mano pra tu entender Parreira, Zagalo, outros técnicos vc culpa eles pelo Brasil não ganhar Copa atualmente? Não sabe o pq? Pq quem entra em campo hj são outros jogadores e equipe técnica. Pensa nisso, O bostanaro hj está com seu time em campo e o que ta fazendo? Levando de 200 mil a zero do Covid. Seja responsável e coerente. Não esse canalha que esta se mostrando aqui.

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Marcos - 27-01-2021 12:33:01

O que esperar de um sindicato alinhado à esquerda? Os nossos filhos tem que aceitar a libertinagem de alguns professores, que são blindados por esse sindicato parasita.

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Esquecidos por todos - 27-01-2021 13:11:35

Putz brinco é tatuagem é libertinagem? Então negro é ladrão, mulher ñ pode ter corte de cabelo curto, usar calça, etc. Tem que comer muito capim!

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Marcos - 27-01-2021 13:28:20

Escola MI-LI-TAR, tem que soletrar para você entender, ou vou ter que desenhar?

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Esquecidos por todos - 27-01-2021 14:47:22

Então militar ñ pode ter tatuagem?

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Marcos - 27-01-2021 20:27:41

As instituições tem suas normas, todas tem suas normas, é difícil as pessoas respeitarem isso? Você já viu o Papa, os ministros do STF usarem barba grande, brinco ou tatuagem? Não estamos tratando de liberdade de expressão, de inclusão social, estamos falando de normas internas das instituições, só isso.

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CIDADÃ - 27-01-2021 13:26:52

Não gosto, nunca permitiria a qualquer de meus filhos, enquanto responsabilidade sobre eles, legalmente tivesse que fizessem o uso de tatuagens e demais indicativos de PERTENCIMENTO a grupos, turma ou " bando". Entretanto, PENSO com a MESMA POSTURA e VALORES, A RESPEITO de quem DEMONSTRA APOIO e, OU, participação AO "APEDREJAMENTO" Àqueles que, POLITICAMENTE, pensassem diferente de nossa cultura. Nesse sentido OFENDER aos valores defendidos pela ESQUERDA, a meu ver, outrossim DEFENDE o MASSACRE de pessoas pobres, idosos, aposentados, e, o DESCASO À PANDEMIA, com consequência avassaladora, principalmente, por DESCONSIDERAR os ensinamentos CIENTÍFICOS. ADEMAIS não menos GRAVE, entendo que é o fato de INCENTIVAR O ASSASSINATO DE INOCENTES em decorrência, do INDISCRIMINADO CONSENTIMENTO pelo ARMAMENTO extensivo aos menores e, INCAPAZES, LEGALMENTE. Isso, justamente, tem sido a MARCA, daqueles que ESPALHAM INJÚRIAS a respeito da ESQUERDA.

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Marcos - 27-01-2021 19:57:38

Quem faz críticas à esquerda consente em armar menores e massacrar inocentes? Qual é a fonte dessa informação? Quem massacra inocentes ao redor do mundo são as ditaduras esquerdistas.

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Alex r - 28-01-2021 09:56:51

Marcos acho que o senhor esta enganado. No passado e hj quem mais causa miséria, fome, dor e sofrimento é o ser humano para com o ser humano. Então vou te corrigir dizendo que a Ganancia foi a maior responsável pelo que vc disse, então não importa direita esquerda pela ganancia chegarão no mesmo resultado.

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CIDADÃ - 27-01-2021 13:28:15

Não gosto, nunca permitiria a qualquer de meus filhos, enquanto responsabilidade sobre eles, legalmente tivesse que fizessem o uso de tatuagens e demais indicativos de PERTENCIMENTO a grupos, turma ou " bando". Entretanto, PENSO com a MESMA POSTURA e VALORES, A RESPEITO de quem DEMONSTRA APOIO e, OU, participação AO "APEDREJAMENTO" Àqueles que, POLITICAMENTE, pensassem diferente de nossa cultura. Nesse sentido OFENDER aos valores defendidos pela ESQUERDA, a meu ver, outrossim DEFENDE o MASSACRE de pessoas pobres, idosos, aposentados, e, o DESCASO À PANDEMIA, com consequência avassaladora, principalmente, por DESCONSIDERAR os ensinamentos CIENTÍFICOS. ADEMAIS não menos GRAVE, entendo que é o fato de INCENTIVAR O ASSASSINATO DE INOCENTES em decorrência, do INDISCRIMINADO CONSENTIMENTO pelo ARMAMENTO extensivo aos menores e, INCAPAZES, LEGALMENTE. Isso, justamente, tem sido a MARCA, daqueles que ESPALHAM INJÚRIAS a respeito da ESQUERDA.

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