Crônicas de Brasília: “Quando o inimigo é o próprio povo” | MUVUCA POPULAR

Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

POLÍTICA Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019, 08h:01 | - A | + A




Fascismo

Crônicas de Brasília: “Quando o inimigo é o próprio povo”

Resumo da semana expõe avanço do fascismo


Da Sucursal de Brasília

 

As Crônicas de Brasília estarão reduzidas hoje a apenas dois temas. E ambos estão intimamente relacionados. São as expressões do fascismo, que só sobrevive se estiver em constante estado de guerra, de mobilização bélica, ainda que esta seja um confronto com seu próprio povo, à base de balas ou de uma frenética mobilização ideológica.

Eu vou falar de Agatha, mas é impossível falar dela sem mencionar o avanço do fascismo, da estupidez e da covardia. Uma tragédia anunciada por diversas vezes. E que agora se transforma na expressão desta guerra contra o inimigo interno chamado povo pobre. Falarei ainda sobre a ida de Jair Bolsonaro à Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

Impossível falar de Bolsonaro sem lembrar de outra tragédia brasileira. Igualmente propalada. Falo da intolerância, da disseminação do ódio, da busca desenfreada pelos inimigos, forjando-os aqui e lá fora. Por exemplo: agora ele, seus filhos e seguidores desandam a aclamar que a culpa das mazelas nacionais são dos petistas e comunistas. Tenta criar no imaginário popular que o fantasma do comunismo ronda o Brasil. Mas Bolsonaro e seu governo não são fascistas clássicos. São de um novo tipo, aquele colonizado e que serve a um patrão.

Os governos fascistas clássicos impõem um estado policial, de constante vigilância de seu povo, entremeados com medida populistas e nacionalistas. Foi assim, para ficarmos somente nos casos mais conhecidos, na Itália de Mussolini, de onde originou sua expressão moderna, em Portugal de Salazar, na Espanha de Franco, na Alemanha de Hitler e até no Brasil do Estado Novo de Vargas, sem falar nas ditaduras militares dos anos 50, 60 e 70, inclusive a brasileira.

Colônia

Bolsonaro está conduzindo o Brasil a um estado fascista entreguista e totalmente colonizado. Tudo que faz é para servir e agradar aos Estados Unidos. Ele vem funcionando como um presidente intervencionista, como se nosso país tivesse se tornado uma espécie de Porto Rico e Bolsonaro seu “governador”.

No plano interno ele tenta desmanchar tudo que tem relação com bem-estar social do povo e soberania nacional, entregando nossas riquezas naturais e nossas empresas estratégicas. No plano externo compra a briga contra parceiros comerciais e estratégicos do Brasil visando favorecer os interesses norte-americanos.

A briga com a China, nosso principal parceiro comercial no mundo, já sabemos no que está dando. Com a Argentina, nosso maior parceiro comercial no continente sul-americano e uma das principais base do Mercosul, acontece o mesmo. Com a França, nosso grande parceiro estratégico na construção de seis submarinos, sendo um deles de propulsão nuclear, vai pelo mesmo caminho.

No plano global, o desprezo pela Amazônia e o discurso contra controles para a segurança ambiental e defesa do clima, ignorando completamente as mudanças climáticas, o transforma num vilão universal. É o mesmo discurso de Donald Trump, de quem diz ser amigo mas é, na verdade, um serviçal.

‘Dano colateral’

Agora, o que tem a morte da menina Agatha Félix neste contexto todo? O assassinato dela com uma bala de fuzil numa operação nas favelas do Rio de Janeiro, é como disse lá em cima, uma das expressões desse fascismo. Agatha não foi um “dano colateral”, como alguns dizem. Ela foi abatida, ela foi um dos alvos.

À medida que a polícia, a mando de seu comandante-em-chefe, o governador Witzel, passar a atuar de forma indiscriminada e autorizada a meter bala em quem quiser, houve aí uma decisão deliberada de matar Agatha e qualquer outra criança, jovem ou adulto que cruzar o seu caminho. Foi justamente o que aconteceu com a artista que morreu em seu carro após os mais de 80 disparos de balas dos fuzis dos soldados do Exército.

Os helicópteros sobrevoam as comunidades pobres e atiram a esmo, a qualquer direção, sem alvo preciso e quando isto acontece, os alvos já estão definidos: são os pobres e os negros que são a maioria nessas comunidades carentes. Quando policiais de dentro de um helicóptero atira até em escolas é sinal de que a brutalidade ganhou proporções intoleráveis.

Witzel, Bolsonaro e Sérgio Moro estão com as mãos sujas do sangue derramado por Agatha e outras cinco crianças igualmente assassinadas este ano, sem falar das outras 11 feridas que conseguiram sobreviver.

Necropolítica

O governador, aliado de Bolsonaro, autoriza matar, insufla abertamente os assassinatos e os comemora descaradamente. Sua política de combate à violência é pura e simplesmente a morte. Não se pensa em políticas públicas, não se pensa no emprego, na cultura, no lazer, no esporte. Para essas comunidades de pobres e pretos a política é a necropolítica.

O presidente dissemina o ódio generalizado e já disse e reiterou não gostar de pobres, negros e favelados. Em suma, como analisa o canal Meteoro, ele dividiu o Brasil entre os que querem o direito de viver e os que querem o direito de matar. E Moro, como ministro da Justiça e Segurança Pública, deixa a barbárie correr solta.

Eles e os demais governadores fascistas têm o povo como seus inimigos. O povo pobre, negro e favelado é sempre bom lembrar. Esses são os inimigos a combater. Se não conseguem reduzir a insegurança pública, bala nas comunidades onde acreditam que todos são bandidos. Se desprezam as políticas de igualdade racial, bala nos negros que eles consideram ser todos bandidos.

Como na Alemanha hitlerista, onde tudo que não fosse ariano, hétero e saudável deveria morrer, no Brasil de Bolsonaro e Witzel vale o mesmo para tudo que não for macho, branco, hétero e, no mínimo, remediado.

Inimigos

É por esta razão que o assassinato de Agatha Félix terá sido em vão. Não vão adiantar os protestos, os textos indignados com este, as denúncias internacionais, os posicionamentos de autoridades dos demais poderes. Nada vai adiantar porque os fascistas só sobrevivem assim: eliminando seus inimigos reais e imaginários. E seus critérios são sociais e raciais.

É envolto neste cenário que Bolsonaro chegará à Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (24). Isto se ele for, porque ainda pairam dúvidas se terá ou não coragem de enfrentar protestos dentro e fora do prédio da instituição em Nova Iorque.

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

(4) COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do MPopular. Clique aqui para denunciar um comentário.

Carlos Nunes - 23-09-2019 15:05:15

BOLSONARO só cometeu um erro até agora...assim que assumiu o governo, já na primeira semana, devia ter ocupado rede de TV e Rádio, e narrar pro povo brasileiro como encontrou o país. Qual foi a herança maldita que recebeu? Devia ter contado tudo, numa linguagem bem popular: Economia Brasileira AFUNDADA, ARREGAÇADA...rombo dentro de rombo...Por que os governantes não abrem o jogo com os eleitores, e mostram a realidade dura, nua e crua? Dizem que os assessores recomendam: não conte nada, porque vai afastar os Investidores estrangeiros...investidor que se preze, não investe em país esculhambado. Quando o cara mais honesto do Brasil, que tá preso, disse: não se preocupem, não tem crise, é só uma Marolinha...MENTIU! Não era só uma Marolinha coisa alguma, era um tsunami pior do que rompimento de barragem em Brumadinho. 14 Milhões de desempregados, aparecimento dos Desalentados, mais de 30 Milhões de trabalhadores, jogados NA MARRA no Setor Informal pra sobreviver...isso não apareceu da noite pro dia, foi resultado de uma série de erros sucessivos. Enquanto a vaca da Economia ia pro brejo e ficava atolada até o pescoço, tio Lula e tia Dilma emprestavam BILHÕES DE REAIS, via BNDES, pros compadres lá fora. E a empreiteira que tocava a maioria das obras lá fora começa com ODE e termina com BRECHT. Ih! Devem ter lavado a égua com o dinheiro. E BOLSONARO até agora não abriu a Caixa Preta do BNDES...tá esperando o que?

Responder

2
1


mané - 23-09-2019 10:52:52

E o GADO tai ,repetindo o BOZÓ, e xingando quem escreve a VERDADE !!!kkkk...é comunista ,petralha ,foi o pt,foi o vizinho que enrrabou a minha mulher kkkk...a culpa é sempre do outro ...kkkkkk

Responder

3
1


olavo - 23-09-2019 13:32:48

vixi cara, minhas condolências, seu vizinho é foda né comeu sua mulher....isso não se faz...faz um B.O. e separa dela, não bate tá por que agora tem lei...

Responder

2
1


olavo - 23-09-2019 09:17:59

o colunista bobão, se o cara não tem medo de nada, foi esfaqueado, vc acha mesmo que ele tem medo, de protesto? ainda mais de gente imbecilizada? me poupe, esquerda acuse-os do que sou... bando de comunistas!!!

Responder

2
3


4 comentários