Doleiro revela que JBS bancava campanhas de políticos em troca de incentivos fiscais | MUVUCA POPULAR

Quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

POLÍTICA Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019, 15h:38 | - A | + A




Sonegação e Renúncia Fiscal

Doleiro revela que JBS bancava campanhas de políticos em troca de incentivos fiscais

Lúcio Funaro relatou esquema em CPI que ocorreu de portas fechadas


redacaomuvuca@gmail.com

lu.jpeg

Doleiro Lúcio Funaro / Foto: Ednilson Aguiar

O doleiro Lúcio Funaro foi convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal, na Assembleia Legislativa (ALMT). O depoente estava totalmente preparado para prestar os esclarecimentos ao Parlamento e, principalmente, à sociedade, porém, após requerimento dos deputados Dilmar Dal Bosco (DEM), Nininho (PSD) e Janaina Riva (MDB), a sessão se tornou secreta.

A decisão de realizar a sessão em sigilo incomodou o presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSDB), que ressaltou a transparência da Casa. O próprio doleiro também se manifestou em favor da sessão aberta e afirmou que a sociedade tem direito à informação. “Se eu tivesse mandato de deputado, eu gostaria que tivesse no Brasil o estado democrático de direito e acho que a população tem que ter acesso a todo tipo de informação”, pontuou Funaro.

Após as discussões, a sessão foi  realizada na sala do Colégio de Líderes, na presidência da Casa de Leis. O doleiro foi requisitado na CPI devido às suas declarações na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde citou envolvimento de empresários e políticos de Mato Grosso em esquema de sonegação de impostos e concessão de crédito fiscal no estado.

Segundo Funaro, o empresário Joesley Batista, dono da JBS,  poupou o primo dele, o empresário Fernando Mendonça, na delação premiada firmada com a Procuradoria Geral da República, e além disso, Fernando Mendonça, além de primo de Joesley Batista, também seria operador dele em esquemas ilegais no estado, como sonegação de ICMS da JBS em troca de pagamento de propina a políticos de Mato Grosso.

“Eu acho que um sujeito que foi pego em uma gravação e que todos tiveram acesso, tratando o Judiciário naqueles termos, os deputados naqueles termos, amigos, porque a gente se considerava amigo, nos termos que ele tratou, já deu prova que a JBS, não é questão nem de quadrilha, ali é facção criminosa”, informou o doleiro.

O irmão de Joesley, Wesley Batista, também explicou em delação premiada ter pago propina para o ex-governador Silval Barbosa, em troca de concessão de crédito de ICMS. Também em delação, Silval confirmou o esquema.

Fernando Mendonça é um dos investigados na Operação Ararath, da Polícia Federal, que revelou um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo políticos e empresários do estado. Nas investigações, a Polícia Federal apurou que Mendonça foi o maior doador da campanha de Pedro Taques ao Senado em 2010.

Lúcio Funaro é apontado como operador de propinas e desvios da Caixa Econômica Federal e fundos de pensão. Foi preso em 2016 na Operação Lava Jato, é um dos principais delatores do esquema, hoje cumpre regime semiaberto. No fim da sessão dessa quinta-feira, o doleiro não gravou entrevista.

Fernando Mendonça afirmou, por telefone, que tem certeza que Funaro não possui nenhuma prova contra ele e que sua única ligação com a JBS é a de parentesco. Mendonça afirmou ainda que nunca tratou de assuntos ilícitos da JBS com ninguém no estado e que abrirá uma ação milionária de danos morais contra Funaro, pelas mentiras e difamação envolvendo seu nome.

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

(3) COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do MPopular. Clique aqui para denunciar um comentário.

jose a silva - 20-09-2019 15:54:46

Tá explicado o por que de portas fechadas: hospedado com os RIVA! Tá salvando quem?

Responder

2
1


jose a silva - 20-09-2019 15:50:27

Pois é, esses deputados temendo que o cara (Funaro) falasse demais, fez à portas fechadas para depois suprimir o que não pode vir a público! AFIRMO: ESSA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE MATO GROSSO É UM ANTRO DE MARGINAIS, COMPOSTA DE PILANTRAS! PRINCIPALMENTE AQUELES QUE FORAM ELEITOS! E NÃO ESCAPA UM: SÃO OS 24.

Responder

2
1


olavo - 21-09-2019 12:08:47

Concordo com vc jose, em genero, numero e grau... infelizmente o povo de mato grosso ainda não aprendeu a votar, mas também só tem candidatos marginais, ai fica difícil também votar, mas precisamos votar em ficha limpa, só assim essa nossa realidade poderá ser mudada.

Responder

0
1


3 comentários