Indígenas lutam por terra invadida em Campo Novo do Parecis | MUVUCA POPULAR

Terça-feira, 11 de Agosto de 2020

POLÍTICA Sexta-feira, 10 de Julho de 2020, 17h:36 | - A | + A




Povo Haliti-Paresi

Indígenas lutam por terra invadida em Campo Novo do Parecis

Povo Haliti-Paresi têm relação cultural e sagrada com a terra de Ponte de Pedra


redacaomuvuca@gmail.com

Ponte de Pedra.jpg

Ponte de Pedra, território do povo Haliti-Paresi, é considerado sagrado e originário. Foto: Reprodução. 

Indígenas do povo Paresi, na região de Ponte da Pedra (nos limites do município de Campo Novo do Paresis), lutam para reaver uma terra que foi invadida por um empresário, identificado como J.S.E. Ao irem verificar a situação, o grupo e servidores da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) foram recebidos à tiros pelo gerente do local.

“Nós fomos lá, tem realmente uma situação complicada. A terra está sendo mesmo invadida, tem cerca, porteira, vestígio de mato, implementos lá dentro. O mais grave é que quando nós passamos lá, o pessoal nos cercaram, deram tiros na nossa caminhonete, cercaram a gente dentro de uma curva na terra indígena mas nós escapamos. Disseram que não atiraram para matar, só para assustar”, afirma o líder indígena Arnaldo, em áudio.

A justificativa da invasão estaria supostamente fundamentada na Instrução Normativa 09/2020, da Funai, que permitiria a ocupação e venda de terras indígenas sem homologação. A medida também não leva em consideração territórios isolados e em processo de final de demarcação, como dos indígenas de Ponte de Pedra. A nova norma foi publicada no dia 22 de abril, no Diário Oficial da União.

Contudo, a normativa foi suspensa pela Justiça Federal em Mato Grosso, à pedido do Ministério Público Federal (MPF), no dia 09 de junho. A normativa, de acordo com o Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais que formulou o pedido, viola a publicidade e a segurança jurídica restringindo o direito originário dos indígenas às suas terras, levando ao reconhecimento de propriedades privadas onde provavelmente elas não existam.

De acordo com o coordenador da Funai em Cuiabá, Benedito Garcia Araújo, a instituição acompanha o caso, em conjunto com a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). De acordo com Benedito, os grileiros não estão mais na área.

Nas página oficial do povo Haliti-Paresi, em nota, os indígenas afirmam que a terra “é um lugar sagrado do povo Haliti Paresi, lugar mítico onde surgiu esse povo”. O coordenador da Funai ressaltou que a área é muito importante, culturalmente, para o povo indígena.

Outro lado

Procurado pela reportagem do emanuelzinho, J.S.E, que possui uma gráfica em Campo Novo do Parecis e já teve contratos de licitação com a prefeitura de Colíder e o governo do estado, não quis se pronunciar sobre o caso. O empresário afirmou que seus advogados, um em Cuiabá e outro em Brasília, trabalham no caso e, portanto, não poderia divulgar nenhuma informação.

J. negou que a normativa 09/2020 tenha sido suspendida em Mato Grosso e afirmou que os seus advogados já pediram reintegração de posse da terra e para a Polícia Federal retirar os índios do local. O invasor afirmou que só irá se manifestar quando protocolar as imagens “do que eles fizeram” e ressaltou que não estava na terra.

Ao ser questionado sobre o que os indígenas teriam feito, J.S.E não forneceu outras informações. 

VOLTAR IMPRIMIR

COMENTÁRIOS

COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do MPopular. Clique aqui para denunciar um comentário.

comentários

coluna popular
Únicos políticos presentes
"Talvez você tenha esquecido seu papel"
Gestão da PM
Eleição suplementar ao Senado Federal
Greve da categoria

Últimas Notícias
11.08.2020 - 17:31
11.08.2020 - 16:52
11.08.2020 - 16:22
11.08.2020 - 16:21
11.08.2020 - 15:15




Informe Publicitário