PROFESSOR DO CV
Professor é denunciado por liderar facção criminosa dentro de escola e aliciar estudantes em Sorriso
Kamila Araújo

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou formalmente o professor Sinei Marinho Pedroso por chefiar uma célula da facção Comando Vermelho (CV) dentro de uma escola estadual no município de Sorriso. A acusação, apresentada pela 5ª Promotoria Criminal de Sinop, aponta que o educador utilizava sua posição dentro da Escola Estadual Mário Spinelli para cooptar adolescentes para o crime organizado, coordenar a venda de drogas e aplicar punições físicas sob ordens da facção.
De acordo com o promotor Marcelo Linhares Ferreira, responsável pela denúncia, Sinei exercia função de liderança dentro da organização criminosa, valendo-se da influência que tinha sobre os alunos para envolvê-los em atividades ilegais. O professor está preso preventivamente desde março e teve a manutenção da prisão requerida pelo MP.
“Professor do CV”: tráfico, aliciamento e violência escolar
O processo revela que Sinei era conhecido entre os estudantes como “Professor do CV”. Investigações e dados extraídos de seu celular mostram que ele organizava o “cadastro” de alunos na facção, facilitava a abertura de “lojinhas” — pontos de venda de entorpecentes — e até orientava adolescentes sobre como preencher fichas de alistamento para o grupo criminoso. Em diálogo com um dos comparsas, ele chegou a afirmar que iria “entrar na mente” de dois menores para recrutá-los.
Além disso, há registros de que o acusado autorizava “salves” — castigos físicos — aplicados por estudantes contra colegas suspeitos de espalhar boatos sobre a facção. Um dos casos envolveu um adolescente de 14 anos que, segundo relatos, teria sido agredido com pedaços de madeira nas mãos por outros alunos sob ordens de Sinei.
Tráfico de drogas dentro da escola
As conversas registradas no celular do professor também revelam seu envolvimento direto com o tráfico de drogas. Ele fornecia maconha aos alunos dentro do ambiente escolar e mantinha diálogo ativo com outros membros da facção sobre as atividades de distribuição. O promotor destacou que a atuação de Sinei ia além da cooptação — ele também fornecia os entorpecentes e articulava a logística da venda entre adolescentes.
Crimes imputados
Na denúncia, o MPMT enquadra o professor nos seguintes crimes:
Organização criminosa armada com participação de adolescentes e uso de arma de fogo (art. 2º, §§ 2º, 3º e 4º, I, da Lei nº 12.850/2013);
Tráfico de drogas com agravantes por ter ocorrido em ambiente escolar e envolvendo menores de idade (art. 33, caput, c/c art. 40, III e VI, da Lei nº 11.343/2006).
O Ministério Público também pediu o desmembramento da parte da investigação que apura tortura mediante sequestro, ainda pendente de laudo pericial, e o encaminhamento de trechos com possível conteúdo de crimes sexuais à Promotoria da Infância e Juventude.
Pedido de condenação
O MP requer a citação do acusado para apresentar resposta à acusação, a oitiva de testemunhas e, ao final do processo, sua condenação pelos crimes descritos. A promotoria também não se opôs à devolução de bens pessoais apreendidos que não têm relação direta com os crimes.
Uso de arma de fogo e crimes violentos
Além da atuação como aliciador, o professor também é acusado de usar armas de fogo para facilitar os crimes cometidos pela organização. O MPMT afirma que ele participou de práticas violentas, como tortura mediante sequestro, e exercia papel de comando nas decisões internas da facção dentro do ambiente escolar.
A investigação foi sustentada por provas extraídas do celular do denunciado, que confirmam seu envolvimento direto com a estrutura criminosa e sua atuação como figura de liderança entre os adolescentes cooptados.
Prisão mantida
Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público também defendeu a manutenção da prisão preventiva do professor, já detido, argumentando que sua liberdade representa risco à ordem pública, especialmente diante da influência que exercia sobre os alunos e do uso do espaço escolar como ponto de apoio para o crime organizado.