A deputada estadual Edna Sampaio (PT) se recusou a divulgar os nomes dos parlamentares que atuaram para substituir a CPI dos Feminicídios, de sua autoria, por uma comissão interna na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). A decisão, segundo a própria deputada, é uma forma de autopreservação.
“Eu fui caçada na Câmara Municipal de Cuiabá acusada de expor os vereadores ali e eu nunca fiz nenhuma exposição. Quer que eu fale os nomes dos deputados para me causar o constrangimento ali dentro?. O jogo político tem limites”, disse Edna durante coletiva na manhã desta quinta-feira (28), ao ser pressionada a identificar quem teria articulado o esvaziamento de assinaturas para instalação da CPI.
A parlamentar lembrou que já foi cassada anteriormente na Câmara Municipal de Cuiabá, após embates, e que não está disposta a ser novamente “a bola da vez para sofrer violência”.
Edna também apontou a desproporção de gênero como um dos obstáculos estruturais para o avanço de pautas voltadas à proteção das mulheres. “Nós temos uma Assembleia composta a mais de 90% por homens e a questão do feminicídio não tem adequadamente sido tratada ali.”
Ainda assim, ressaltou que espera a adesão dos parlamentares homens e dos gestores do Executivo na luta contra a violência de gênero: “Eu espero que nesse processo a gente consiga a adesão dos homens que nos governam, tanto como parlamentares quanto no poder executivo.”
O Governo do Estado e a deputada estadual Edna Sampaio chegaram a um acordo, nesta quarta-feira (27), para a criação de uma comissão especial de combate ao feminicídio na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
O acordo foi firmado após reunião com o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, e o deputado estadual Wilson Santos, que acompanhou a parlamentar. A deputada Edna encabeçava a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os crimes de feminicídio. Com o acordo junto ao governo, a Comissão Especial passará a discutir medidas mais duras de combate a esse tipo de crime.