MELHORAR RESULTADOS
“Não está 100% decidido”, afirma Abílio sobre privatização das escolas da rede municipal
Thalyta Amaral e Patrícia Neves

A proposta do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), de transferir a gestão da rede municipal de educação para a iniciativa privada ainda não está totalmente definida. “Não é uma coisa assim que está 100% decidida”, admitiu o gestor.
Brunini afirmou à imprensa que, antes de efetivar a medida, será necessário cumprir várias etapas legais e institucionais. “Tem o Conselho Municipal de Educação, é necessário a gente passar pela Câmara”, explicou.
A ideia de privatizar a administração das escolas municipais surgiu logo no início da atual gestão. A justificativa apresentada pelo prefeito é de que os resultados da rede são insatisfatórios, ao mesmo tempo em que os custos são considerados muito altos.
O prefeito comparou os gastos com a rede pública e privada. “Quanto custa um aluno hoje na rede municipal? R$ 1.600 por criança. Quanto custa uma matrícula na Escola Adventista? R$ 1.300”, afirmou.
Para Abílio, a mudança poderia representar melhora na qualidade do ensino sem aumento de despesas. “Qualquer sistema das melhores escolas particulares aqui do nosso município é mais barato do que o aluno na rede municipal”, declarou.
A proposta, no entanto, deve enfrentar resistência. Sindicatos de profissionais da educação e vereadores da oposição já manifestaram preocupação, alegando que a medida pode significar precarização do ensino público, perda de autonomia pedagógica e impactos diretos na carreira dos professores efetivos da rede.
O tema deve ser alvo de debates na Câmara de Vereadores, onde a base do prefeito precisará garantir maioria para aprovar o projeto. Também será necessário parecer do Conselho Municipal de Educação, além da análise sobre eventual inconstitucionalidade, já que a Constituição Federal assegura a educação pública como dever do Estado e direito de todos.