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PREOCUPAÇÃO

Gallo alerta que reforma tributária trará “sequelas permanentes” para MT e diz que governo acelera em infraestrutura

Kamila Araújo

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O secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, fez uma análise dura sobre os impactos da reforma tributária para Mato Grosso e afirmou que o governo estadual está executando uma estratégia agressiva de investimentos em infraestrutura até 2032 para reduzir as perdas de arrecadação previstas com a mudança no sistema de tributos.

Segundo ele, o Estado vive um “período de transição decisivo”, no qual precisa fortalecer sua estrutura produtiva e social antes que o novo modelo entre plenamente em vigor.
“A reforma tributária é ruim para o poder público de Mato Grosso, mas é excelente para o setor privado. Ela garante competitividade e mais recursos às empresas exportadoras, mas traz prejuízos graves às finanças do Estado. Vamos continuar andando, mas com sequelas. Seremos um Estado que seguirá de pé, porém com limitações estruturais”, afirmou o secretário.

Mudança estrutural da arrecadação

Gallo explicou que cerca de 40% da arrecadação nacional será alterada pela reforma, o que mudará completamente o mapa fiscal do país. No novo modelo, a tributação deixa de incidir sobre a produção — base principal de estados exportadores como Mato Grosso — e passa a recair sobre o consumo final, concentrado nas regiões mais populosas, como Sudeste e Sul.

“Hoje, Mato Grosso arrecada sobre aquilo que produz e vende para outros estados. No novo sistema, isso praticamente desaparece. Como temos uma população pequena e um alto volume de produção, significa que vamos arrecadar menos. Estados como São Paulo, que têm grande consumo, ganharão. Nós, produtores, perderemos”, detalhou.

O secretário disse que essa redistribuição criará uma nova “geografia tributária” no Brasil, com ganhadores e perdedores. E Mato Grosso, segundo ele, está entre os que mais sofrerão com a mudança.

“É intuitivo: se você troca a base de produção pela base de consumo, os estados que consomem mais ganham, e os que produzem perdem. É uma questão matemática. A reforma, portanto, provoca uma perda estrutural e permanente”, reforçou.

“Precisamos investir agora para sobreviver depois”

Para compensar as perdas futuras, o governo definiu uma estratégia de investimento público massivo até 2032, período em que o atual modelo de arrecadação ainda estará em vigor. O objetivo é fortalecer a infraestrutura econômica e social do estado para que Mato Grosso continue atraindo empresas e pessoas mesmo após a transição.

“A estratégia é investir pesadamente em infraestrutura enquanto ainda temos receita sólida. Estamos aplicando de 15% a 20% de tudo que arrecadamos em obras estruturantes — pontes, estradas, escolas, hospitais. É um volume inédito de investimento público.

Precisamos aproveitar essa janela para garantir competitividade no futuro”, afirmou Gallo.
O plano inclui a pavimentação de mil quilômetros de rodovias por ano, a construção de quatro hospitais regionais, além da ampliação da rede de escolas cívico-militares e da melhoria da infraestrutura educacional e hospitalar existente.

“Não basta ter estrada e produção, é preciso oferecer qualidade de vida. Ninguém se muda para um estado sem escola e hospital. Nosso foco é consolidar a infraestrutura social e econômica que mantenha Mato Grosso atrativo, mesmo com a perda de receita da reforma”, destacou.

“A reforma é um acidente com sequelas permanentes”

Usando uma metáfora marcante, o secretário comparou os efeitos da reforma tributária a uma sequela deixada por um acidente. “A reforma é como um acidente. Você sobrevive, mas fica com sequelas. Mato Grosso vai continuar andando, mas mais devagar, porque a perda de arrecadação é irreversível. Continuaremos crescendo, mas em ritmo menor. O Estado precisará se adaptar a uma nova realidade de receitas decrescentes.”

Segundo Gallo, o desafio é garantir que o Estado não perca sua capacidade de investimento e não se transforme em um ente que apenas “arrecada para pagar despesas obrigatórias”.
“Respeito Alckmin, mas ele não conhece os detalhes da reforma”
O secretário também rebateu as declarações do vice-presidente Geraldo Alckmin, que minimizou o impacto da reforma sobre estados produtores, alegando que o longo período de transição suavizaria os efeitos.

“Respeito o presidente Alckmin, mas ele não conhece os detalhes da reforma. Posso mostrar os números. O impacto é grande e permanente. Mato Grosso perde agora e perde também o que poderia crescer no futuro. A transição só adia o problema, não elimina”, afirmou.
“Fundo Regional é injusto: São Paulo recebe quatro vezes mais que Mato Grosso”
Gallo criticou ainda a distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), que deveria compensar as perdas de arrecadação. Segundo ele, a lógica de repartição é injusta e desequilibrada, beneficiando justamente o estado mais rico do país.

“O estado de São Paulo vai receber R$ 4 bilhões por ano do Fundo, enquanto Mato Grosso, que ainda tem 20 mil quilômetros de estradas a pavimentar, vai receber R$ 1 bilhão. É quatro vezes menos. E com esse dinheiro teremos que competir com São Paulo por empresas e investimentos. Essa é a reforma aprovada. É assim que ela trata os estados produtores”, criticou.

Alerta sobre futuro fiscal

Gallo reforçou que o impacto da reforma não será imediato, mas se manifestará ao longo da próxima década. Ele defendeu que decisões de política fiscal e de investimento devem ser tomadas agora, para que o estado não enfrente um colapso de arrecadação quando o novo sistema estiver completamente implementado.
“Essas decisões não afetam apenas 2025 ou 2026. Elas repercutirão em 2032, 2035, quando a arrecadação cair e a transição acabar. Precisamos estar preparados para não virar um estado quebrado. Não podemos pisar em falso”, alertou.

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