NÃO SUPRE TUDO
Diego diz que pacote antifacção é avanço, mas cobra enfrentamento amplo contra crime organizado
Kamila Araújo
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) avaliou que o pacote antifacção aprovado pelo Congresso Nacional representa um passo importante no combate ao crime organizado, mas alertou que o país só terá resultados efetivos se atuar simultaneamente em várias frentes. Para ele, endurecer penas é necessário, porém insuficiente diante da estrutura e do alcance das facções criminosas no Brasil.
Guimarães afirmou que o endurecimento do Código Penal atende a uma cobrança antiga da população, especialmente diante da escalada de violência e da brutalidade de execuções determinadas por tribunais clandestinos das facções. Ele criticou o fato de criminosos responsáveis por homicídios bárbaros cumprirem penas consideradas baixas. “Não dá para aceitar que alguém que degola outro, que executa por um simples gesto, cumpra seis ou oito anos de prisão. O Brasil clamava por punições mais duras”, disse.
O deputado defendeu que o combate às facções deve ocorrer de forma ampla — nas periferias, no núcleo financeiro e dentro das estruturas de poder. Segundo ele, além do aumento de penas, o país precisa reforçar condições de trabalho das polícias, ampliar operações de grande escala e atacar a sustentação econômica das organizações criminosas. Guimarães citou como exemplo recente uma operação em São Paulo que identificou atuação de facções em áreas nobres e no mercado financeiro. “O crime não está só no morro. Está também no colarinho branco”, afirmou.
Ele ressaltou que o enfrentamento também deve alcançar comunidades vulneráveis, onde facções disputam jovens e impõem controle territorial. Para Guimarães, políticas sociais são tão importantes quanto o aparato repressivo. “Se não tivermos educação, assistência social e moradia de qualidade nas áreas mais afetadas, continuaremos perdendo essa guerra”, declarou.
O parlamentar comentou ainda o debate nacional sobre temas extremos, como prisão perpétua e pena de morte, levantados por grupos que defendem uma revisão constitucional. Embora não tenha posição fechada, ele afirmou que a discussão deve ser colocada diante da sociedade. “A população precisa dizer o que quer. O que não dá é fingir que o problema não existe enquanto as famílias convivem com o poder paralelo”, afirmou.
Para Guimarães, as medidas aprovadas pelo Congresso chegam tarde, mas ainda a tempo de evitar que o crime organizado avance mais sobre o país. “Ou enfrentamos isso como um todo, ou perderemos essa guerra”, concluiu.



