FRAUDE EM LICITAÇÃO
Operação Cenário Montado GYN mira esquema de fraudes em licitações; Mais de R$4,2 milhões bloqueados
Da Redação
Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Cenário Montado GYN para desarticular um esquema estruturado de fraudes em licitações públicas, que teria operado de forma continuada em municípios do Araguaia, com indícios de superfaturamento, direcionamento de certames, uso de empresas de fachada, corrupção e associação criminosa. A investigação aponta prejuízos milionários ao erário e a atuação coordenada de empresários e agentes públicos.
A operação é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, sob presidência do delegado Adriano Marcos Alencar, com atuação dos delegados Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz Garcia, responsáveis pela representação judicial. Os trabalhos são coordenados pelo delegado regional Wilyney Santana Borges.
Denúncia anônima deu origem à investigação
As apurações tiveram início no Inquérito Policial nº 11/2025, instaurado a partir de denúncia anônima encaminhada ao GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Durante cerca de dois anos, o grupo atuou na análise preliminar dos fatos.
Na fase inicial, não se confirmou a configuração de organização criminosa nos moldes exigidos para a atribuição exclusiva do GAECO. Diante disso, no início de 2025, os elementos informativos foram formalmente repassados à Polícia Civil, que aprofundou as diligências, resultando na deflagração das Operações Cenário Montado – Fases I e II, até chegar à atual Cenário Montado GYN, considerada a etapa de maior robustez técnica e probatória.
Licitações de Pontal do Araguaia no centro das apurações
O foco inicial das investigações recaiu sobre procedimentos licitatórios realizados pelo Município de Pontal do Araguaia, especialmente os pregões:
- Pregão Presencial nº 01/2022
- Pregão Presencial nº 05/2023
- Pregão Eletrônico nº 39/2023
Segundo a Polícia Civil, esses certames deram origem a Atas de Registro de Preços utilizadas reiteradamente por diversos municípios, por meio de adesões conhecidas como “caronas”. Apenas nesses três pregões, os valores globais chegaram a R$ 25,8 milhões, com possibilidade legal de expansão para mais de R$ 51,7 milhões, considerando o limite máximo de adesões previsto na legislação.
As investigações indicam direcionamento, simulação de concorrência e ausência de competitividade real, com repetição de padrões documentais entre empresas supostamente concorrentes.
Superfaturamento acima de 370%
Análises técnicas da Polícia Judiciária Civil identificaram superfaturamento de até 372,09% em itens como:
- palcos e estruturas para eventos;
- sistemas de iluminação;
- geradores;
- telões de LED.
Após as primeiras fases da operação, uma pesquisa comparativa posterior revelou queda imediata e significativa nos preços praticados, reforçando a suspeita de que os valores anteriores estavam artificialmente inflados por meio de manipulação de pesquisas de preços e orçamentos simulados.
Esquema se expandiu para Barra do Garças
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil constatou que o mesmo padrão fraudulento teria sido replicado em outros municípios, especialmente Barra do Garças, por meio da adesão a atas originadas em Pontal do Araguaia.
Um dos contratos sob investigação é o Pregão Eletrônico nº 19/2025, do Município de Barra do Garças, homologado no valor de R$ 4,2 milhões. O certame passou a integrar o núcleo central da Operação Cenário Montado GYN diante de indícios de subcontratação integral irregular, execução contratual simulada e continuidade das atividades por empresas ligadas a grupos já sancionados judicialmente.
Prisões, buscas e suspensão de empresas
Diante da robustez dos elementos reunidos, o Poder Judiciário acolheu as representações da Polícia Civil, com parecer favorável do Ministério Público, e autorizou um conjunto amplo de medidas cautelares, entre elas:
- 7 mandados de prisão preventiva;
- 7 mandados de busca e apreensão, em endereços residenciais e empresariais;
- 7 quebras de sigilo bancário, envolvendo pessoas físicas e jurídicas;
- 7 quebras de sigilo telefônico e telemático;
suspensão das atividades econômicas de duas empresas, apontadas como instrumentos do esquema.
O valor inicialmente identificado como prejuízo ao erário no núcleo central da operação foi fixado em R$ 4,2 milhões, montante bloqueado e sequestrado. Em fases anteriores da investigação, já houve sequestro judicial de bens em valores superiores a R$ 21 milhões.
Investigação segue em andamento
A Polícia Civil reforça que a Operação Cenário Montado GYN não encerra as apurações, mas representa mais uma etapa de um trabalho investigativo amplo, técnico e contínuo, voltado à proteção do dinheiro público e ao combate qualificado à corrupção.
As investigações seguem com análise aprofundada de documentos, contratos, movimentações bancárias e dados telemáticos. Novas fases, novas responsabilizações e ampliação do alcance das apurações não estão descartadas, conforme o avanço do conjunto probatório.



