NÃO FOI COMUNICADO
Mendes evita especular sobre ministério, mas critica barganha do União com o governo Lula
Thalyta Amaral
O governador Mauro Mendes (União) evitou entrar no mérito sobre uma possível indicação do União Brasil para o Ministério do Turismo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas fez questão de deixar clara sua posição contrária a qualquer tipo de barganha política envolvendo cargos no Executivo federal. Ao comentar o tema, Mendes adotou um tom cauteloso quanto às especulações, mas firme ao criticar negociações baseadas em troca de apoio.
Questionado sobre o movimento do União Brasil para voltar a ocupar espaço no governo Lula após a saída de Celso Sabino, o governador afirmou que não foi oficialmente informado sobre a articulação e disse tratar com reserva informações que surgem e desaparecem rapidamente no noticiário político. Segundo ele, esse é justamente o motivo pelo qual evita se posicionar sobre rumores.
“Olha, eu não não fui informado disso, não sei se procede ou se mais algumas daquelas notícias que surgem e depois desaparecem na mesma velocidade que apareceram. Então, eu procuro evitar comentar isso. Eu sou contra partido ficar barganhando troca, participar, tudo bem, agora barganhar jamais”, enfatizou.
Apesar da cautela, Mauro Mendes deixou explícita sua discordância em relação a negociações que condicionem apoio político à ocupação de cargos. Para o governador, há uma diferença clara entre participação institucional e barganha.
“Quem está no executivo tem que ter liberdade e o partido também tem que ter liberdade para se posicionar e os parlamentares federais cumprir com a sua mais relevante missão que é defender os interesses da população que eles representam”, completou.
A declaração ocorre em meio à movimentação do União Brasil para indicar um novo nome ao Ministério do Turismo após a saída de Celso Sabino. O partido passou a articular a indicação de Gustavo Feliciano, ex-secretário de Turismo da Paraíba e ligado a uma das principais lideranças da sigla no estado. A tentativa de recomposição no governo federal acontece depois de o União ter rompido formalmente com Sabino, que foi expulso da legenda por não atender à orientação partidária de deixar o cargo no Executivo.
O episódio evidenciou divisões internas no União Brasil e reacendeu o debate sobre a relação do partido com o governo Lula. Mesmo após determinar a saída de seus filiados de cargos federais, a sigla voltou a buscar espaço na Esplanada, o que gerou críticas e acusações de incoerência no meio político.



