INVESTIGAÇÃO
Sema suspende entrada de novos animais e Ibama investiga mortes de elefantas em Chapada
Kamila Araújo
A morte de duas elefantas africanas no Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães, levou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) a determinar, de forma preventiva, a suspensão temporária da entrada de novos animais no local. A medida foi adotada enquanto são apuradas as causas dos óbitos e analisado o cumprimento dos protocolos de biossegurança e de manejo adotados pela instituição.
A restrição não implica, neste momento, em irregularidade no funcionamento do santuário. Segundo a própria Sema, o empreendimento possui licenças válidas e autorização ambiental vigente. A suspensão tem caráter cautelar e permanecerá até que o SEB apresente, dentro do prazo de 60 dias, as informações técnicas solicitadas pelo órgão ambiental.
As duas elefantas — Kenya e Pupy — haviam sido transferidas da Argentina para Mato Grosso em 2025 e foram as primeiras da espécie africana a integrar o plantel do santuário. Pupy morreu em outubro e Kenya em dezembro, em um intervalo inferior a três meses entre os dois casos, o que motivou o aprofundamento das investigações.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acompanha o processo e requisitou exames de necrópsia, que estão sendo realizados por uma equipe da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A expectativa é de que os laudos fiquem prontos em aproximadamente 30 dias. Somente a conclusão desses exames permitirá apontar, de forma técnica, as causas das mortes.
Apesar do episódio, o Ibama informou que inspeções anteriores não identificaram inadequações estruturais no local. As fiscalizações indicaram que a área disponível é compatível com as necessidades dos animais e que o santuário conta com profissionais especializados, como veterinários, biólogos e técnicos responsáveis pelo manejo.
Em manifestações públicas, tanto o Ibama quanto o próprio SEB destacaram que os elefantes acolhidos pelo santuário, em sua maioria, vêm de circos ou de cativeiros prolongados, muitas vezes em idade avançada e com histórico de maus-tratos, doenças e outras fragilidades clínicas. Segundo a instituição, esses fatores preexistentes são relevantes na avaliação da saúde dos animais e não podem ser ignorados na análise dos óbitos.
O santuário também rebateu críticas e especulações que associam as mortes a falhas de cuidado ou negligência. Em nota divulgada nas redes sociais, a entidade afirmou que interpretações distorcidas vêm sendo disseminadas por grupos contrários ao modelo de santuários e que não há elementos que indiquem relação direta entre os dois óbitos ou vínculo com supostas falhas no manejo.
A Sema reforçou que a suspensão não é punitiva, mas preventiva, e visa garantir transparência, segurança sanitária e rigor técnico no acompanhamento do caso. Somente após a entrega e análise dos documentos, bem como a conclusão dos laudos periciais, o órgão ambiental decidirá sobre a retomada da autorização para recepção de novos elefantes no local.



