A REGRA É CLARA
Campos cobra deveres partidários de Mauro Mendes e defende chapa unificada nas eleições em dois turnos
Da Redação
O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) adotou um tom sereno, porém firme, ao comentar o cenário político de Mato Grosso e as articulações em curso para as próximas eleições. Para ele, embora o governador Mauro Mendes evite anunciar oficialmente seus planos, nos bastidores a possibilidade de uma candidatura ao Senado já é tratada como realidade.
“Olha só, o Mauro é candidato ao Senado, né? Todo mundo sabe. Por mais que ele diga que ainda não decidiu, nos bastidores ele já é tratado como candidato”, afirmou o parlamentar.
Júlio Campos ponderou que, caso Mauro Mendes venha a disputar o Senado, caberá a ele esclarecer como se dará o apoio dentro do grupo político, especialmente em relação ao vice-governador Otaviano Pivetta, que poderá assumir o comando do Palácio Paiaguás. “Como candidato, ele poderia ou não apoiar o Pivetta, que estará sentado na cadeira de governador, com a máquina na mão? Só ele pode responder. Não cabe a mim falar por ele”, disse.
O deputado ressaltou que as regras partidárias e a própria legislação eleitoral impõem deveres claros aos candidatos. “A lei é objetiva. Qualquer candidato – a deputado estadual, federal, senador ou governador – tem que apoiar o candidato majoritário do partido. No nosso caso, o nome colocado para a Presidência da República é o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado”, destacou.
Para Júlio Campos, a coerência partidária passa, necessariamente, pela construção de chapas completas. “Se temos candidatura própria à Presidência, temos que ter candidatura própria a governador, senador, deputados federais e estaduais. Não pode haver divisão. Não existe ‘duas mãos’, tem que ser uma mão única”, afirmou.
Ao tratar das possíveis disputas internas entre grupos ligados a Otaviano Pivetta e ao senador Jayme Campos, o deputado minimizou eventuais tensões e destacou a lógica do sistema eleitoral. “A eleição é em dois turnos. No segundo turno, todos se unem. Se for Pivetta, vamos com Pivetta. Se for Jayme, vamos com Jayme”, disse.
Segundo ele, o apoio entre os grupos é natural e tende a ocorrer de forma majoritária. “Tenho certeza absoluta de que, se o senador Jayme Campos for ao segundo turno e o Pivetta não, cerca de 80% de quem esteve com o Pivetta estará conosco. E o contrário também é verdadeiro: se o Pivetta for e nós não, 90% do nosso grupo vai apoiá-lo. Isso é da democracia, é plural”, avaliou.
Por fim, Júlio Campos defendeu o papel do primeiro turno como espaço legítimo para apresentação de projetos e fortalecimento das bancadas. “A eleição foi criada para isso: para que cada partido apresente seu programa de governo, defenda sua tese e eleja sua bancada. Deputados federais e estaduais não têm segundo turno justamente porque o primeiro turno serve para definir essa representação. No segundo turno, os projetos majoritários se enfrentam com o apoio dos demais partidos”, concluiu.



