TOPO DO RANKING
Mato Grosso lidera a disputa por terras e atrai o olhar do mercado nacional
Kamila Araújo
Mato Grosso se consolidou em 2025 como o estado que mais concentra o interesse de compradores e investidores no mercado de terras rurais do país, mesmo sem figurar entre as regiões mais caras por hectare. Um levantamento nacional sobre anúncios e buscas por propriedades agropecuárias mostra que municípios mato-grossenses lideram a atenção do mercado, impulsionados pela combinação de escala produtiva, disponibilidade de áreas e expectativa de valorização.
Os dados fazem parte de um estudo que cruzou o comportamento de busca por imóveis rurais com os valores médios do hectare em diferentes regiões do Brasil. O retrato que emerge é o de um mercado menos guiado apenas por preço e mais orientado por potencial produtivo, logística futura e espaço para expansão — fatores que colocam Mato Grosso no centro da estratégia de produtores e investidores.
Municípios como Cocalinho, Paranatinga, São Félix do Araguaia, Confresa, Primavera do Leste e Barra do Garças aparecem simultaneamente entre os mais procurados do país e entre os que oferecem valores médios por hectare abaixo dos grandes polos do Sudeste. Em Cocalinho e São Félix do Araguaia, por exemplo, o valor médio do hectare gira em torno de R$ 14 mil a R$ 15 mil, enquanto em Primavera do Leste ultrapassa R$ 56 mil, revelando uma grande variação interna dentro do próprio estado.
Esse movimento indica que o interesse por Mato Grosso está menos associado à disputa por terras já consolidadas e mais ligado à busca por áreas com possibilidade de crescimento produtivo, ganho de escala e valorização futura. Para o mercado, trata-se de uma aposta estratégica em regiões que ainda oferecem custo de entrada relativamente menor em comparação com estados como São Paulo e Minas Gerais.
O contraste fica evidente quando se observa os municípios paulistas, que concentram os valores mais elevados do país. Cidades como Campinas, Tatuí e Sorocaba registram preços médios por hectare muito superiores aos de Mato Grosso, refletindo a pressão urbana, a infraestrutura consolidada e a elevada liquidez dessas regiões. Ainda assim, elas não lideram o ranking de interesse produtivo, justamente porque o alto custo limita a entrada de novos investidores.
Goiás e Minas Gerais aparecem como um eixo intermediário nesse cenário. Municípios como Rio Verde, Uberlândia e Goiânia reúnem estrutura produtiva madura, boa logística e preços médios mais altos do que os de Mato Grosso, mas ainda inferiores aos dos polos mais disputados do Sudeste.
O levantamento também revela que interesse elevado não significa, necessariamente, terra cara. Em muitos casos, o volume de buscas se concentra justamente em municípios onde os valores ainda são acessíveis, o que sinaliza expectativas de transformação produtiva, melhoria logística ou valorização futura.



