ARTICULAÇÃO ELEITORAL
Com Pivetta no comando, governo deve trocar pelo menos cinco secretários em abril
Nickolly Vilela
A corrida eleitoral de 2026 deve provocar uma reconfiguração no comando do governo de Mato Grosso já no início de abril: ao menos cinco secretários deverão deixar seus cargos para disputar as eleições, abrindo espaço para uma troca em bloco no primeiro escalão caso Otaviano Pivetta assuma o Palácio Paiaguás de forma definitiva.
O gatilho para essa movimentação é o calendário eleitoral. O governador Mauro Mendes pretende disputar uma vaga no Senado e, por isso, terá de se afastar do cargo até o prazo legal de desincompatibilização. Com isso, Pivetta, atual vice e governador em exercício, tende a assumir o comando do Estado e precisará recompor a equipe para manter a máquina administrativa funcionando.
Além de Mauro Mendes, quem também deve deixar o governo é o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, que planeja retomar o mandato de deputado federal para tentar a reeleição. Garcia, no entanto, também aparece como nome cogitado para compor a chapa majoritária, seja como vice de Pivetta, seja como suplente na candidatura de Mauro ao Senado.
Outro desligamento praticamente certo é o do secretário de Segurança Pública, César Roveri, que pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Embora a tendência seja que ele permaneça no União Brasil, o mesmo partido do governador, Roveri tem recebido convites de outras siglas e ainda avalia qual será o melhor caminho partidário para a disputa.
Na área da Saúde, Gilberto Figueiredo também deve deixar a pasta para tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Depois de ficar como primeiro suplente na eleição passada, mesmo com votação expressiva, ele articula agora a mudança de partido e negocia sua filiação a uma legenda diferente para fortalecer a nova candidatura.
Outro secretário que pretende disputar vaga no Parlamento estadual é Alan Kardec, atual titular da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ex-deputado estadual, ele deve acompanhar o presidente da Assembleia, Max Russi, na migração para o Podemos.
Na Educação, Alan Porto intensificou a agenda política nos últimos meses e também avalia concorrer em 2026. A expectativa no meio político é de que ele dispute pelo Republicanos, partido ligado ao grupo de Pivetta e responsável pela indicação da pasta.
Além dos secretários, o presidente da MT Participações, Wener Santos, irmão do ex-senador Cidinho Santos, estuda entrar na disputa do próximo ano, enquanto o presidente da Empaer, Suelme Evangelista, já comunicou que não pretende se candidatar.
Com esse cenário, a eventual ascensão definitiva de Pivetta ao governo virá acompanhada de uma minirreforma administrativa forçada pelo calendário eleitoral. A recomposição do secretariado será estratégica não apenas para garantir a continuidade das políticas públicas, mas também para preservar o equilíbrio político da base aliada em um ano que se desenha como um dos mais disputados da história recente do Estado.



