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QUENTE PRA DANAR

Cuiabá passa a integrar o mapa nacional das áreas mais vulneráveis ao calor

Nickolly Vilela

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Cuiabá deixou de ser apenas uma capital quente para se tornar oficialmente uma cidade sob risco climático: os registros mais recentes mostram que o calor extremo passou a ser um fenômeno recorrente, estrutural e crescente, colocando a capital de Mato Grosso entre as áreas mais vulneráveis do país às ondas de calor e aos efeitos do aquecimento acelerado.

Dados consolidados por plataformas de monitoramento climático, com base em medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indicam que Cuiabá apresentou em 2025 temperaturas máximas muito acima do padrão nacional, superando com folga a média do país e consolidando uma tendência de elevação contínua dos termômetros.

A cidade já convive hoje com mais de vinte episódios por ano classificados como ondas de calor — eventos prolongados de temperaturas extremas que afetam diretamente a saúde da população, pressionam o consumo de energia elétrica, comprometem o abastecimento de água e reduzem a produtividade em diferentes setores da economia.

Projeções científicas apontam que, mantido o atual ritmo de aquecimento, Cuiabá pode registrar uma elevação adicional próxima de dois graus até o fim da década em cenários mais críticos, o que tende a agravar ainda mais os impactos sociais, econômicos e ambientais do calor excessivo.

O fenômeno não se restringe à capital. Outros municípios de Mato Grosso aparecem como pontos sensíveis do aquecimento acelerado, especialmente no norte e no nordeste do estado. Ribeirão Cascalheira, por exemplo, figura entre as áreas que aquecem mais rapidamente do que a média brasileira, em um contexto fortemente associado à perda de vegetação e à expansão da fronteira do desmatamento.

A redução da cobertura florestal tem diminuído a capacidade natural do território de regular a temperatura e manter a umidade do ar. Com menos vegetação, o solo passa a absorver mais calor durante o dia e libera menos durante a noite, criando ambientes cada vez mais quentes e secos.

Além do desmatamento, o avanço desordenado da urbanização e da agropecuária também contribui para esse processo. Grandes áreas de solo exposto, pavimentação extensiva e substituição da vegetação por superfícies artificiais intensificam o efeito das chamadas ilhas de calor, elevando as temperaturas locais em relação às regiões vizinhas.

O cenário observado em Mato Grosso reflete uma tendência nacional. O Brasil vem registrando sucessivos recordes de temperatura média máxima, com anos recentes figurando entre os mais quentes já medidos. Capitais de diferentes regiões do país, como Manaus, Teresina, São Paulo e Belo Horizonte, também enfrentam ondas de calor mais frequentes, mais intensas e mais duradouras.

Em partes do semiárido nordestino, os termômetros já ultrapassaram marcas extremas, enquanto áreas da Amazônia Legal apresentam aquecimento acelerado justamente onde o desmatamento avança com maior intensidade.

Pesquisadores convergem ao afirmar que os eventos extremos deixaram de ser exceção e passaram a compor o novo padrão climático. A combinação entre mudanças no uso do solo, redução de florestas e crescimento urbano sem planejamento está alterando de forma permanente o comportamento térmico das cidades e das regiões produtivas.

Para Cuiabá e para Mato Grosso, o diagnóstico é claro: o calor recorde deixou de ser um episódio isolado e passou a ser uma característica estrutural do clima local. Sem mudanças profundas na política ambiental, no ordenamento urbano e na forma como o território é ocupado, a tendência é de que os extremos se tornem ainda mais frequentes — e mais severos — nos próximos anos.

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