CASO COMPLEXO
Gêmeos siameses de MT devem passar por cirurgia de alto risco, avalia médico
Nickolly Vilela
Os dois gêmeos siameses de Mato Grosso que nasceram no Hospital Estadual da Mulher (Hemu), em Goiânia (GO), estão internados sob cuidados intensivos. O caso é considerado de alta complexidade e a equipe médica avalia realizar uma primeira cirurgia nas próximas horas.
Responsável pelo acompanhamento, o cirurgião pediátrico Zacharias Calil informou que os bebês precisam estabilizar a circulação fetal antes da realização do procedimento. A cirurgia inicial deve incluir uma laparotomia exploradora e a possibilidade de colostomia.
“A gente está esperando estabilizar a circulação para poder operar. A princípio, vamos fazer uma colostomia. Só no momento da cirurgia vamos saber se o intestino é único ou se são separados”, afirmou.
Os recém-nascidos são classificados como gêmeos esquiópagos tripus, quando há união pela região da bacia e presença de três pernas. Segundo o médico, este é um dos tipos mais complexos entre os gêmeos conjugados, devido à possibilidade de compartilhamento de vários órgãos.
Exames preliminares indicam união extensa na região abdominal. Ainda não há definição sobre como estão organizados o intestino grosso e o sistema urinário.
“Pelo raio-x, vemos um abdômen único. Não sabemos ainda como é a bexiga, se é separada, se é única ou se existe divisão interna. Isso só será esclarecido na exploração cirúrgica”, disse Calil.
Outro ponto observado pela equipe é a presença de uma terceira perna ligada à bacia de um dos bebês, o que pode influenciar em futuras etapas do tratamento.
De acordo com o cirurgião, o fato de os bebês serem meninos também pesa na avaliação clínica, já que apresentam, em média, menor resistência em quadros desse tipo.
Após a cirurgia inicial, os médicos só devem discutir novas intervenções conforme a evolução clínica e o crescimento dos recém-nascidos.



