ECONOMIA EM ALTA
Mato Grosso tem um dos menores índices de desemprego de longo prazo do país
Kamila Araújo
Mato Grosso aparece entre os estados com melhor desempenho nacional no indicador de Desocupação de Longo Prazo, com 20,9% dos desempregados fora do mercado há dois anos ou mais. Apesar do resultado inferior à média brasileira, que ficou em 27,2%, o dado revela que ainda existe um contingente expressivo de trabalhadores com dificuldades persistentes de reinserção profissional.
O índice integra o pilar Capital Humano e mede o percentual de pessoas que permanecem por longos períodos em busca de emprego dentro do total de desocupados. Especialistas consideram o indicador um sinal sensível da saúde econômica e social, já que o afastamento prolongado do mercado tende a reduzir a qualificação, aumentar a informalidade e ampliar situações de vulnerabilidade.
No cenário nacional, as maiores taxas estão concentradas no Nordeste. A Bahia lidera com 36,8%, seguida por Pernambuco (34,7%), Rio de Janeiro (33,2%), Alagoas (32,9%) e Sergipe (32,6%). Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão também superam a marca de 30%, evidenciando barreiras estruturais para a geração de oportunidades nessas regiões.
No outro extremo, estados do Sul e parte do Centro-Oeste registram os menores percentuais. Santa Catarina apresenta 18,7%, Paraná 18,4% e Rio Grande do Sul 17,9%, resultados associados a economias mais diversificadas e a mercados de trabalho mais dinâmicos.
Em Mato Grosso, o desempenho reflete a força do agronegócio, da construção civil e do setor de serviços, que têm sustentado a criação de vagas formais nos últimos anos. Mesmo assim, analistas alertam que o índice de 20,9% não pode ser tratado como confortável. Permanecer mais de dois anos sem emprego reduz as chances de recolocação e pode empurrar trabalhadores para ocupações precárias ou informais.
O desafio, segundo especialistas, passa por ampliar políticas de qualificação alinhadas às demandas locais, fortalecer programas de intermediação de mão de obra e estimular setores capazes de absorver trabalhadores com menor escolaridade. Sem esse esforço, o desemprego de longa duração tende a se perpetuar, mesmo em estados com economia aquecida.
O indicador reforça que crescimento econômico, por si só, não garante inclusão. Para Mato Grosso, manter a liderança na geração de empregos e, ao mesmo tempo, criar portas de retorno para quem ficou para trás será decisivo para transformar bons números em desenvolvimento social real.



