REPRESENTATIVIDADE
Rainha LGBT do Carnaval Cuiabano rompe preconceitos e desfila em bloco tradicional
Thalyta Amaral
A drag queen cuiabana Nalla Brasil vive seu primeiro reinado como Rainha LGBT do Carnaval Cuiabano. Com coragem e representatividade, ela enfrenta preconceitos e tem ocupado espaços tradicionais da maior festa popular do país, como o desfile de um dos blocos mais tradicionais da capital, o Boca Suja.
“Eu estou aqui para representar a nossa comunidade e mostrar que Cuiabá tem representatividade sim. E que em Cuiabá temos drag queen e transexual”, comemora.
Eleita em um concurso realizado em dezembro, Nalla conquistou o título ao se destacar em quesitos como simpatia, criatividade, harmonia, postura, elegância e empatia. A escolha marcou um avanço simbólico para a diversidade no Carnaval cuiabano, especialmente por levar uma artista drag à Corte Momesca da capital.
Desde então, Nalla tem participado ativamente dos ensaios e, no desfile oficial, sairá como passista destaque do Boca Suja. O bloco, que surgiu a partir da torcida do Mixto Esporte Clube, é um dos mais antigos e populares do Carnaval de Cuiabá e reúne foliões de diferentes gerações.
“As pessoas falam muito que a Boca Suja tem preconceito, mas hoje estou aqui presente e posso mostrar que não é isso. Boca Suja é inclusiva, recebe a gente com total liberdade e com todo amor e carinho”, defende a drag queen.
Para a rainha, o espaço conquistado pela comunidade LGBTQIAP+ em um ambiente tradicional é fundamental para romper estigmas e ampliar o diálogo sobre inclusão. “É de suma importância falar que em Cuiabá temos inclusão com as trans, com as gays, com as drag queens. Falar que inclusão não é só no Rio de Janeiro, mas em Cuiabá”.



