MULHER LEVOU 40 FACADAS
“A Justiça foi efetivada”, diz pai de Raquel Cattani após condenação dos réus por feminicidio
Da Redação
“O que mais nos conforta não é ver eles nessa posição, mas sim ver a ação da Justiça sendo efetivada como foi aqui.” A declaração é do deputado estadual Gilberto Cattani, pai da produtora rural Raquel Cattani, assassinada em julho de 2024, após a condenação dos réus pelo crime, julgados nesta sexta-feira (23) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum.
Após cerca de 16 horas de julgamento, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, decidiu pela condenação de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde pelo homicídio de Raquel. Os jurados reconheceram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público: feminicídio, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao final da sessão, a juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski fixou as penas. Rodrigo Xavier Mengarde foi condenado a 33 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de feminicídio e furto. Já Romero Xavier Mengarde, ex-marido da vítima, recebeu pena de 30 anos de prisão em regime fechado, também por feminicídio. Em ambos os casos, foi aplicada a pena máxima prevista na legislação brasileira para esse tipo de crime.
Emocionado após a leitura da sentença, Gilberto Cattani destacou a atuação do Judiciário e afirmou que a condenação traz, ao menos, a sensação de que os responsáveis responderão por seus atos. Segundo ele, o julgamento representou um marco de respeito à memória da filha e de reafirmação da Justiça.
“O que mais nos conforta não é ver eles nessa posição, mas sim ver a ação da Justiça sendo efetivada como foi aqui, desde a senhora juíza, assim como todos os demais membros que participaram, que foram espetaculares em suas funções”, afirmou o parlamentar.
“Fica a sensação de que, pelo menos, eles vão pagar um pouco pelo mal que causaram à sociedade e, principalmente, à nossa família. É como se um capítulo dessa história estivesse sendo encerrado, o que também traz um sentimento de alívio. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que não é algo que realmente se encerra. Não tem como esquecer, não tem como apagar. O que foi feito está feito e não há como voltar atrás. É como um remédio amargo, que precisa ser tomado, mas que nunca cura completamente.”



