LEIS FROUXAS
“Matou duas vezes e estava solto”, diz Mauro Mendes ao comentar atropelamento de idosa na FEB
Kamila Araújo
O governador Mauro Mendes afirmou que o autor do atropelamento que matou uma idosa em Cuiabá “já havia matado duas pessoas e estava solto”, ao criticar o que classificou como falhas na legislação e na aplicação das penas no Brasil. A declaração foi feita ao comentar o caso do advogado preso por atropelar e matar a pedestre Ilmes Dalmes Mendes da Conceição, de 71 anos, na Avenida da FEB.
“Olha que absurdo. Matou duas vezes e estava solto. Isso dificulta muito a atuação das forças de segurança no combate aos criminosos”, disse o governador. Mendes lamentou que situações assim continuem ocorrendo e afirmou que mudanças legais e interpretações judiciais acabam permitindo que criminosos com histórico grave retornem rapidamente às ruas.
O atropelamento ocorreu quando a vítima atravessava a avenida a pé. Imagens de câmeras de segurança mostram que ela estava a poucos centímetros do canteiro central quando foi atingida pela caminhonete conduzida por Paulo Roberto. Após o impacto, o motorista fugiu sem prestar socorro. O condutor de um segundo veículo envolvido permaneceu no local e foi liberado após prestar esclarecimentos.
De acordo com a Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), o suspeito foi localizado e preso pouco tempo depois nas proximidades de um shopping da capital. Ele deve responder por homicídio doloso por dolo eventual — quando se assume o risco de provocar a morte — além do crime de fuga do local do acidente.
Ao contextualizar o caso, Mendes destacou os investimentos do Estado na área de segurança. Segundo o governador, Mato Grosso ampliou o efetivo, equipou as forças policiais, investiu em tecnologia e construiu unidades prisionais. “Contratamos mais de 3.500 novos policiais e bombeiros, fortalecemos o combate ostensivo, mas a sensação de impunidade persiste quando a lei permite que criminosos reincidentes voltem às ruas”, afirmou.
A Polícia Civil informou que o preso possui condenações anteriores por homicídio em processos distintos. Em um deles, foi sentenciado pela morte de um delegado da Polícia Civil no Rio de Janeiro; em outro, pelo assassinato de uma estudante de enfermagem em Mato Grosso. Apesar do histórico, ele estava em liberdade no momento do atropelamento.
Para o governador, o episódio evidencia a necessidade de endurecer regras e garantir que penas sejam cumpridas de forma efetiva. “É lamentável. O Estado faz a sua parte, mas precisamos de um sistema que proteja a sociedade e impeça que criminosos com esse histórico voltem a matar”, concluiu.



