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FARRA DAS CORRIDAS

66% das emendas para instituto investigado partiram de Chico 2000, apontam dados da PC

Nickolly Vilela

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A investigação da Polícia Civil contra o vereador Chico 2000 e outros investigados, no âmbito da Operação Gorjeta, deflagrada no último dia 27 de janeiro, ganhou força a partir da análise de dados financeiros e administrativos que revelam concentração atípica de emendas parlamentares, repasses em cadeia e movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.

Entre novembro de 2022 e abril de 2025, o Instituto Brasil Central (IBRACE) recebeu R$ 5.489.787,00 em recursos públicos do município de Cuiabá. Desse total, R$ 3.650.000,00, o equivalente a 66%, tiveram origem em emendas parlamentares impositivas apresentadas exclusivamente por Chico 2000.

Os dados levantados pela polícia mostram ainda que, no período analisado, foram destinadas 20 emendas parlamentares ao instituto. Em 12 delas, os investigadores identificaram vínculos diretos entre o IBRACE e empresas ligadas ao empresário João Nery Chiroli, apontado como o real executor dos eventos esportivos financiados com dinheiro público.
O caminho do dinheiro
A análise financeira descrita no relatório técnico indica um padrão recorrente:
• o dinheiro público era depositado na conta do IBRACE;
• mais de 90% dos valores eram repassados à empresa Sem Limite Esporte e Eventos;
• em alguns casos, parte do montante retornava por meio de transferências indiretas, saques fracionados ou pagamentos a terceiros.

Em apenas um recorte analisado, após o recebimento de R$ 1,35 milhão em emendas, o instituto repassou R$ 1,293 milhão (95%) à empresa privada responsável pelos eventos, segundo a polícia.

Eventos antes do dinheiro

Outro dado que chamou a atenção dos investigadores foi a inversão do fluxo administrativo. Em ao menos dois eventos, a 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus de Cuiabá e a 6ª Corrida do Legislativo Cuiabano:

• inscrições ocorreram antes da assinatura dos termos de fomento;
• notas de empenho foram emitidas antes dos contratos;
• pagamentos foram compensados dias depois da realização das corridas.

Para a Polícia Civil, esse encadeamento reforça a suspeita de que os eventos já estavam definidos e em execução antes da liberação formal dos recursos públicos.

OPERAÇÃO GORJETA

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Gorjeta, para cumprimento de 75 ordens judiciais com foco na desarticulação de um esquema criminoso que teve como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Esportes.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apuram as práticas dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, envolvendo um vereador, servidores públicos, um instituto sem fins lucrativos, empresas e um empresário.

Os elementos apurados apontaram que o grupo se associou com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e uma empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” ao vereador responsável pela destinação da emenda.

O cumprimento das ordens judiciais conta com a participação de mais de 40 policiais civis, lotados na Diretoria de Atividades Especiais (DAE).

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. Dentre elas estão 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso de dados armazenados em dispositivos móveis.

Também foram expedidas ordens de suspensão do exercício da função pública contra dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá e um vereador, para o qual houve a determinação de afastamento do mandato parlamentar.

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