GGI
TRE-MT adota modelo integrado de inteligência para combater fake news e proteger eleições
Da Redação
Diante do avanço da desinformação, do uso de tecnologia e do risco de interferências criminosas no processo eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) passou a operar um modelo integrado de inteligência para antecipar informações, combater fake news e garantir a segurança das eleições.
A estratégia é coordenada pelo juiz auxiliar e coordenador do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), Luis Aparecido Bortolussi, que destacou a formalização de parcerias com forças de segurança para atuação contínua.
“O TRE já fez um termo de cooperação com a Secretaria de Segurança Pública, com a Polícia Civil e com a área de inteligência, justamente para que possamos nos antecipar a informações alusivas a crime organizado, à atuação no pleito e à questão das fake news”, afirmou.
Segundo o magistrado, o foco é atuar antes que situações de desinformação ou tentativas de interferência comprometam o andamento do processo eleitoral. “Vamos estar ligados diretamente a uma equipe de inteligência que estará trabalhando conosco diuturnamente, para que, quando as demandas surgirem, nós já estejamos preparados para a efetiva ação de combate”, disse.
Bortolussi ressaltou que a principal preocupação do tribunal não está restrita ao ambiente virtual, mas à proteção ampla do sistema eleitoral. “Não podemos dizer que o principal problema é a internet. A principal preocupação do TRE é a lisura e a segurança do processo eleitoral, seja por ações de desinformação, fake news ou por candidatos eventualmente apoiados por facções”, declarou.
De acordo com ele, o modelo adotado não se limita ao enfrentamento posterior, mas à estruturação prévia de meios para resposta rápida. “O terreno não é apenas de combate, mas de instrumentalização, para podermos enfrentar essas nuances que podem atrapalhar o processo eleitoral”, explicou.
O juiz lembrou que a responsabilização judicial cabe ao Ministério Público Federal. “O combate, diante de informações e provas, será efetivado pelo Ministério Público Federal, que é o dono da ação. Cabe ao Tribunal Eleitoral julgar as demandas. Por isso é fundamental estarmos à frente da informação”, afirmou.
Dentro dessa estratégia, o TRE também discute a atualização de ferramentas tecnológicas para acompanhar a evolução dos métodos de desinformação, incluindo o uso de inteligência artificial.
“Essa cooperação envolve também tecnologia. Já nos reunimos com os delegados que estarão à frente da equipe. Eles apresentaram as ferramentas que possuem e faremos uma análise do que o TRE já tem e se haverá necessidade de aquisição ou contratação de novos recursos”, disse.
Questionado sobre o peso do crime organizado nas preocupações do GGI, Bortolussi afirmou que o foco central permanece na integridade do processo. “Não é que o foco seja crime organizado ou fake news. O foco é a lisura, a transparência e a segurança do processo eleitoral. As demandas que chegarem nesse campo serão enfrentadas com rapidez e seriedade”, concluiu.



