CRISE FINANCEIRA
“Banco master é o maior esquema de corrupção do país”, afirma Fagundes
Renato Ferreira
O senador Wellington Fagundes classificou a situação do Banco Master como “maior desequilíbrio que já aconteceu do sistema financeiro brasileiro”, ao apontar indícios de corrupção, desvio de recursos e irregularidades que, segundo ele, vêm sendo reveladas ao longo das investigações em curso no Congresso Nacional.
“Uma única coisa que eu posso falar é que a situação do Banco Master é talvez o maior, o maior desequilíbrio que já aconteceu do sistema financeiro brasileiro. Claro, com corrupção, com desvio e tudo mais”, afirmou o senador nesta sexta-feira (06).
O congressista afirma que participou nessa semana das discussões no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes por parte da instituição financeira, e disse que novos fatos reforçam a gravidade do caso.
“Ontem nós tivemos uma grande reunião lá. Olha, cada dia está mais provado o envolvimento também do Banco Master, inclusive nos consignados”, disse.
Segundo o senador, as denúncias vão além das operações de crédito e atingem áreas sensíveis do sistema financeiro. “Olha, tem denúncias de depósitos judiciais que foram transferidos para o esquema do Banco Master. Fundos criados pelo Banco Master para manipular recursos. Isso tudo desequilibra o sistema financeiro. Agora, eu não vou antecipar ou querer falar de algo que eu não estou participando da investigação”, ponderou.
Fagundes também criticou duramente a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou o recolhimento de documentos que estavam sob análise da CPMI. Para ele, a medida compromete o papel investigativo do Congresso.
“O certo que eu posso afirmar para a imprensa é que os documentos que nós tínhamos na CPMI foram recolhidos por determinação do Supremo Tribunal Federal e isso nós achamos um absurdo. Porque olha só, documentos que foram… tá interferindo no Senado. Na CPMI, não é nem no Senado, no Congresso, que é uma comissão mista, ou seja, de senadores e deputados federais”, disse.
Na avaliação do parlamentar, a decisão representa uma interferência direta entre os Poderes. “Então, tá interferindo, porque tá tirando o poder mais supremo de uma CPI que é de investigar. Vou usar aqui uma frase enxula, senador. É o poste mijando no cachorro? Não, eu não diria, não. Eu prefiro dizer que é interferência mesmo de um poder no outro”, completou.
As declarações ocorrem em meio ao avanço do pedido de criação de uma CPMI para investigar fraudes bilionárias no Banco Master, que contou com forte adesão da bancada de Mato Grosso no Congresso. O requerimento reuniu 280 assinaturas de deputados e senadores e aguarda leitura em sessão conjunta para ser oficialmente instalado.
Entre os parlamentares mato-grossenses que assinaram o pedido estão os deputados Coronel Assis, Coronel Fernanda, Gisela Simona, José Medeiros, Juarez Costa, Nelson Barbudo e Rodrigo da Zaeli, além dos senadores Jayme Campos e Wellington Fagundes. O requerimento tem como autor o deputado Carlos Jordy e busca aprofundar investigações que já tramitam na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.
As apurações envolvem suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado, desvio e lavagem de dinheiro, além de uma operação de venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília estimada em R$ 12,2 bilhões.


