BO REGISTRADO
Ex-secretário é acusado de tentar beijar advogada, gritar e fazer acusações criminosas
Da Redação
Uma advogada identificada pelas iniciais K.F. registrou boletim de ocorrência no dia 6 de fevereiro denunciando o ex-secretário de Agricultura e então chefe de gabinete do prefeito de Cuiabá, William Leite de Campos, por suposto assédio sexual e atos de improbidade administrativa. O principal ponto da denúncia é a alegação de tentativas reiteradas de aproximação física e de beijo, que, segundo a comunicante, ocorriam sempre que ambos ficavam a sós em ambientes fechados no exercício das funções públicas. Willian, que havia sido nomeado para exercer a função de secretário de Agricultura, em setembro do ano passado, pediu exoneração na sexta-feira (6). A comunicação foi divulgada em nota oficial da Prefeitura de Cuiabá, que declarou não tem conhecimento formal dos fatos.
Conforme o registro policial, a advogada relatou que foi convidada a integrar a gestão municipal após receber uma mensagem do então chefe, em 1º de janeiro de 2025. A partir do ingresso no gabinete, passaram a ocorrer condutas consideradas incompatíveis com o ambiente profissional, incluindo convites insistentes para encontros reservados e situações em que o ex-secretário se aproximava fisicamente, encostava no rosto e tentava beijá-la, aproveitando-se da posição hierárquica que exercia.
A denunciante afirma que as tentativas de aproximação não consentida se repetiram ao longo do período em que atuou na estrutura administrativa, especialmente em locais fechados, o que teria gerado constrangimento, abalo emocional e prejuízo ao desempenho profissional. Segundo o boletim, o contexto de subordinação funcional teria intensificado a sensação de pressão e insegurança no ambiente de trabalho.
Além das acusações de assédio, o boletim descreve outros episódios, como cobranças em tom exaltado, tentativas de isolamento funcional e questionamentos relacionados a valores e transferências bancárias.
Após isso, ela procurou o secretário de governo Ananias Filho, que diante da situação, que teria proposto sua realocação para outro setor.
Antes que a mudança fosse efetivada, no entanto, um novo episódio de conflito teria ocorrido durante a cobrança do andamento de um processo administrativo, quando o então secretário teria reagido com gritos e ofensas profissionais. Após o episódio, a advogada optou por não permanecer na estrutura e acabou sendo exonerada a pedido.
Narra o BO, que “posteriormente, enquanto resolvia o problema bancário relativo a conta salária, ela conta que recebeu uma ligação dele em tom exaltado, gritando que um pen drive havia desaparecido de sua sala, atribuindo a responsabilidade a ela. Posteriormente, ela informou que outra pessoa havia entrado para tratar aquele assunto jurídico na sala. Posteriormente, ela soube que havia outras pessoas na sala com ele, com objeto estava sua residência. Após retornar, ele reforçou que não deveria confiar em pessoas ou conversar com outros servidores, criando ambiente de controle e isolamento funcional”.
No mesmo dia, ela relatou receio de transportar dinheiro em espécie que havia acabado de receber do salário e perguntou se ele poderia ficar com as cédulas e transferir o valor. “Ao entregar as cédulas, ele empurrou a mão para dentro da bolsa, introduziu a mão junto, gesto que causou constrangimento comunicante, pois não houve motivos para esconder a ação. Em seguida, realizou transferência superior ao valor informado, por meio da conta da empresa, sem aviso prévio. Ao comentar o estranhamento do valor da conta, ele informou que a diferença fosse utilizada para despesas solicitadas por ele, assim como ele fazia com outra servidora”.
No boletim de ocorrência, K.F. sustenta que as condutas ocorreram de forma reiterada e em contexto de subordinação hierárquica, caracterizando constrangimento com finalidade de obtenção de vantagem de natureza sexual, além de violação aos princípios da administração pública. Ela relata que não denunciou os fatos anteriormente por receio de exposição e de prejuízos a um familiar nomeado em outra secretaria.
O caso ganhou repercussão política em meio a uma semana de forte tensão na Câmara Municipal, marcada pela apresentação de pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pelo vereador Daniel Monteiro. O prefeito Abilio Brunini divulgou documentos relacionados ao arquivamento de denúncias anteriores envolvendo o então servidor, bem como o arquivamento de pedido de apuração pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor).
Pedido de exoneração:
A Prefeitura de Cuiabá confirma que William Leite de Campos solicitou exoneração do cargo de secretário municipal de Trabalho. O pedido foi formalizado nesta sexta-feira (6), por decisão pessoal, deixando de integrar o quadro da gestão municipal a partir desta data.
Em comunicado encaminhado à Secretaria Municipal de Governo, William informou que a decisão ocorre por motivos pessoais e registrou agradecimento ao prefeito Abilio Brunini, aos colaboradores e aos servidores pelo período em que esteve à frente da pasta.
Em nota, o ex-secretário afirma que manifestações e denúncias envolvendo seu nome foram analisadas por órgãos competentes como o Ministério Público e a Polícia Civil, através da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, e em ambos foi determinado o arquivamento por ausência de fatos concretos. Declara ainda que pediu exoneração como medida de preservação pessoal e familiar.
A Prefeitura, por sua vez, reforça o compromisso institucional com a ética, o respeito e a integridade no ambiente de trabalho.



