ASFIXIA FINANCEIRA DO CRIME
Operação revela império criminoso construído em dois anos após fuga de líder com apoio de diretor e policiais penais
Da Redação
Em apenas dois anos, uma facção criminosa conseguiu erguer um verdadeiro império financeiro, com imóveis avaliados em mais de R$ 4 milhões, veículos de luxo e movimentações bancárias milionárias. O esquema veio à tona com a deflagração da Operação Imperium, realizada na manhã desta terça-feira (10) pela Polícia Civil de Mato Grosso.
A investigação aponta que a estrutura criminosa foi consolidada após a fuga do líder da facção do sistema prisional, ocorrida em julho de 2023, com apoio do então diretor da unidade e de policiais penais. Desde então, o grupo passou a operar um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada e documentos falsos para ocultar e movimentar valores oriundos do crime.
Ao todo, a operação cumpre 61 ordens judiciais, sendo 12 mandados de prisão preventiva, 14 mandados de busca e apreensão, quatro sequestros de imóveis, avaliados em mais de R$ 4 milhões, 10 sequestros de veículos de luxo e o bloqueio de 21 contas bancárias, que somam até R$ 43 milhões.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Rondonópolis, com base em investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Os mandados são cumpridos em Rondonópolis, onde está registrado o núcleo empresarial do grupo, e também nos estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Paraná, a Polícia Civil identificou a principal operadora financeira da facção; em Minas Gerais, o responsável pela compra dos imóveis; e, no Rio de Janeiro, operadores patrimoniais ligados ao esquema.
De acordo com o delegado Gustavo Colognesi Belão, titular da GCCO, a investigação teve como foco o levantamento patrimonial e a recuperação de ativos. “Em apenas dois anos, esse grupo criminoso construiu um império baseado em lavagem de dinheiro, com aquisição de imóveis, veículos de luxo e movimentação de grandes quantias. Atacar o patrimônio ilícito é a forma mais eficaz de enfraquecer essas organizações”, afirmou.
As apurações revelaram que empresas sediadas em Rondonópolis, registradas com nomes falsos ou em nome de pessoas diretamente ligadas ao líder da facção, recebiam dinheiro de integrantes do grupo criminoso e reintroduziam os valores no mercado formal, por meio da compra de bens e repasse de lucros aos faccionados.
Segundo a Polícia Civil, a estratégia de asfixia financeira visa inviabilizar a atuação da facção, impedir a dilapidação dos bens e possibilitar que os valores apreendidos sejam revertidos aos cofres públicos após decisão judicial.
O nome Operação Imperium faz referência justamente ao patrimônio ilícito construído e movimentado pela facção criminosa em um curto espaço de tempo, evidenciando o crescimento acelerado do grupo mesmo após a fuga do seu principal líder.



