RESPONDEU À ALTURA
“Mentem descaradamente”: Mendes sobe o tom, rebate acusações e nega irregularidades no acordo com a Oi
Kamila Araújo e Renato Ferreira
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), reagiu com veemência às acusações de supostas irregularidades no acordo firmado entre o Estado e a empresa Oi e classificou as denúncias como “mentira descarada” e fruto de “má-fé processual”.
As declarações foram dadas após questionamentos levantados sobre o destino de parte dos recursos pagos no acordo. Denuncias citaram que metade do valor, cerca de R$ 150 milhões, teria sido direcionada a um fundo de investimento cujo principal cotista seria o pai do secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
Mauro Mendes negou qualquer irregularidade e afirmou que o Estado agiu dentro da legalidade. “Primeiro, o Estado tem que responder à legalidade. Quem afirmou isso mente descaradamente, age de má-fé processual e tenta enganar a população”, declarou.
O governador afirmou ainda que procuradores do Estado vão à Assembleia Legislativa na tarde desta quarta-feira (11) para apresentar todas as explicações técnicas e jurídicas para desmontar o que chamou de “farsa”.
“Hoje lá os procuradores vão mostrar tecnicamente e juridicamente que foi feita uma farsa jurídica, foi feita uma manipulação de informações, dizendo que estava prescrito, que entrou fora de prazo, fazendo ali uma verdadeira gincana. Ou é uma absoluta incompetência de quem o fez, ou uma absoluta má-fé.”
Acordo reduziu dívida de R$ 600 milhões
Segundo Mendes, o acordo firmado com a Oi representou economia significativa para os cofres públicos. Ele explicou que a dívida original girava em torno de R$ 600 milhões e que o Estado conseguiu encerrar a disputa pagando R$ 308 milhões.
“O Estado agiu legalmente e pagou legalmente uma dívida que era de R$ 600 milhões na época, fez um acordo e pagou R$ 308 milhões.”
O governador destacou que a Câmara de Conciliação do Estado já realizou mais de 70 acordos semelhantes, que teriam gerado economia próxima de R$ 400 milhões aos cofres públicos.
Destino dos recursos não é responsabilidade do Estado
Mendes também afirmou que, após o pagamento do acordo, o destino dos recursos deixa de ser responsabilidade do governo estadual. “Depois que esse dinheiro vira privado, isso não tem nada a ver com o Estado. Isso não é problema do Estado.”
O caso ganhou repercussão política após questionamentos sobre a aplicação dos valores pagos no acordo. O governador, no entanto, sustenta que o processo foi conduzido dentro dos parâmetros legais e que as acusações são infundadas.



