FIM DO IMPASSE
MT oferta R$ 25 mi para comprar Santa Casa e manter serviços de oncologia e nefrologia
Kamila Araújo e Renato Ferreira
Após meses de indefinição e de embates públicos sobre o futuro da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, o governador Mauro Mendes (União) anunciou, na manhã desta quarta-feira (11), que o Estado vai apresentar proposta para adquirir em definitivo o prédio centenário da unidade. A decisão encerra mais de um ano de impasses e reverte o plano inicial de desativação do hospital.
O lance será de R$ 25 milhões, segundo o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo (União). “Todas as propostas que chegaram ao TRT foram abaixo desse valor e muitos com prazo de carência, parcelamento longo, e outras sem garantia de operacionalização. Foram todas negadas e recusadas pelos próprios credores. […] Somando com tudo que já transferimos, nós teremos quase R$ 60 milhões para amortizar a dívida”, explicou o integrante do primeira escalão estadual.
A Santa Casa já vinha sendo administrada pelo governo estadual desde 2019, quando a Prefeitura de Cuiabá declarou não ter condições financeiras de manter os serviços. Com a inauguração do Hospital Central, no fim do ano passado, a expectativa do Executivo era migrar gradativamente as especialidades e fechar a estrutura histórica. No entanto, segundo o governador, a transição não foi possível em sua totalidade.
“Foi por isso que decidimos que o governo vai apresentar uma proposta para aquisição da Santa Casa em definitivo e vamos manter esses dois serviços e agregar outros”, afirmou Mendes, referindo-se à oncologia e à hemodiálise infantil, que não conseguiram ser totalmente absorvidas pelo Hospital Central.
Dívidas e risco de leilão
A situação da Santa Casa se agravou diante de um passivo superior a R$ 78 milhões em dívidas trabalhistas. Em meio ao processo judicial, a Justiça do Trabalho chegou a determinar que o imóvel fosse levado a leilão para quitar parte dos débitos.
Até o momento, o prédio recebeu duas propostas formais no âmbito do processo. A mais recente, apresentada pelo Instituto Evangelístico São Marcos, foi de R$ 40 milhões — pouco mais da metade do valor de avaliação do imóvel, estimado em R$ 78,2 milhões — com 12 meses de carência e pagamento posterior em parcelas mensais de R$ 500 mil. Antes disso, o Instituto São Lucas ofertou R$ 20 milhões, sendo R$ 15 milhões à vista e o restante dividido em seis parcelas. Ambas as propostas ainda dependem de análise da Justiça e da comissão de credores.
Mudança de rumo
A decisão do governo representa uma inflexão na estratégia inicial de centralização dos atendimentos no Hospital Central. Ao optar pela compra do imóvel e pela reconfiguração da Santa Casa, o Executivo busca manter serviços considerados estratégicos, especialmente nas áreas de oncologia, nefrologia infantil e assistência de alta complexidade.
Com mais de 200 anos de história, a Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá é um dos símbolos da rede hospitalar da capital. A definição sobre sua aquisição agora dependerá da formalização da proposta estadual e da deliberação judicial no processo que envolve os credores trabalhistas.



