ALFINETOU
“Ninguém pode fugir da raia”, diz Flávia Moretti sobre CPI do Assédio na Câmara de Cuiabá
Kamila Araújo e Renato Ferreira
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que respeita a decisão da Câmara Municipal de Cuiabá de não abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia de assédio contra o ex-secretário municipal William Leite de Campos, mas ressaltou que os vereadores não podem deixar de cumprir o papel fiscalizador para o qual foram eleitos.
Questionada sobre o tema, especialmente diante do fato de a Mesa Diretora da Câmara ser composta majoritariamente por mulheres, Flávia evitou críticas diretas, mas reforçou a importância da atuação parlamentar em casos dessa natureza. “A decisão é delas, da Câmara de Cuiabá”, afirmou.
Em seguida, ponderou que qualquer situação envolvendo suspeita de assédio ou improbidade administrativa deve ser analisada com responsabilidade. “Se os vereadores entendem que há necessidade de investigar, tem que ser investigado. Ninguém tem que se fugir da raia de fazer o papel que foi eleito, como é o caso dos vereadores de fiscalizar”, declarou.
A manifestação ocorre após a base governista na Câmara de Cuiabá ocupar o limite regimental de CPIs permitidas simultaneamente, o que inviabilizou a instalação da comissão proposta para apurar especificamente a denúncia contra o ex-secretário.
Diante do impasse, o Legislativo aprovou a criação de uma comissão especial para acompanhar o caso. A medida foi aprovada com 22 votos favoráveis e uma abstenção. A iniciativa partiu da vereadora Dra. Mara, que assumirá a presidência do grupo.
Segundo a parlamentar, a criação da comissão é uma forma de garantir que a Casa não se omita diante da gravidade das acusações.
Denúncia e exoneração
William Leite deixou o cargo após uma ex-servidora registrar boletim de ocorrência denunciando assédio moral e sexual. Conforme o relato formalizado à Polícia, os fatos teriam ocorrido ao longo de 2025 dentro da estrutura da Prefeitura e envolveriam relação hierárquica.
A denunciante afirmou que não registrou a ocorrência anteriormente por receio de exposição e de possíveis prejuízos a um familiar que ocupava cargo em outra secretaria.
O prefeito Abilio Brunini informou que denúncias anteriores haviam sido encaminhadas ao Ministério Público e à Polícia Judiciária, mas arquivadas por falta de provas. Com o novo boletim, uma nova apuração deverá ser instaurada.
Nos bastidores, a estratégia de ocupar o número máximo de CPIs foi interpretada como forma de impedir a instalação de uma investigação específica sobre o caso. A comissão especial, no entanto, passa a acompanhar os desdobramentos sem os mesmos poderes formais de uma CPI.
Ao comentar o episódio, Flávia reforçou que o enfrentamento a situações de assédio exige postura institucional clara. “Quem ocupa cargo público precisa cumprir sua função”, afirmou.



