SEM ATROPELO
Russi defende fim dos “mandatos infinitos” no sindicalismo, mas adia votação para debate amplo
Kamila Araújo e Renato Ferreira
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (PSB), defendeu a proposta que limita a dois mandatos consecutivos o afastamento remunerado de servidores que ocupam cargos de direção sindical, mas admitiu que o projeto precisa passar por amplo debate antes de ser votado. O projeto estava na pauta da sessão desta quinta-feira (19), mas foi adiado.
A matéria, encaminhada pelo governador Mauro Mendes (União), também conta com as assinaturas do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim, do procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca e do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, conselheiro Sérgio Ricardo.
“Eu particularmente defendo isso. A Assembleia é dois mandatos também, governador é dois, presidente da República é dois. O único que tá ficando fora disso é a questão sindical. Acho que também tem que seguir essa normativa”, argumentou o socialista nesta quinta-feira (19), ao informar que a matéria não entrará na pauta de votação da sessão de hoje.
Para ele, a alternância é saudável e evita a perpetuação no poder. “Acho que a perpetuação para ninguém é boa. Essa alternância é importante. Dois mandatos é um tempo suficiente para alguém estar à frente. Não quer dizer que não possa voltar. Pode voltar novamente. Quem fizer bom mandato, com certeza vai poder voltar de forma tranquila”, completou.
Mesmo defendendo o limite, Russi ressaltou que não há pressa para aprovar o texto sem diálogo. A matéria estava na pauta de votação da sessão desta quinta-feira (19), mas foi retirada para maior discussão. “É um projeto que tem que ser discutido, debatido, feito alterações, feito mudanças. Não temos necessidade de votar de forma rápida, sem um amplo debate com os sindicatos”, ponderou.
Ele afirmou que a proposta deverá passar por ajustes nas próximas sessões, antes de ser submetida ao plenário.
Perseguição e carreira política
Questionado sobre críticas de que a medida poderia restringir a atuação sindical ou configurar perseguição, Russi rejeitou essa leitura.
“Nós não podemos aceitar perseguição de governo contra nenhum servidor público, sendo ele líder sindical ou não sendo. Perseguição não pode ser aceita de forma nenhuma.”
Também minimizou o argumento de que o mandato sindical serviria como trampolim político.
“Eu particularmente não vejo nenhum desses dois pontos como relevantes para a discussão desse projeto. O que é importante é dar oportunidade para outras pessoas exercerem liderança.”
O Projeto de Lei Complementar nº 1/2026 prevê que o afastamento remunerado só poderá ocorrer por dois mandatos consecutivos. Após esse período, o dirigente poderá continuar na diretoria sindical, mas deverá conciliar a função com o exercício do cargo público de origem.
Nos bastidores, a proposta é tratada como tentativa de corrigir distorções no serviço público, especialmente em casos de dirigentes afastados há mais de duas décadas, recebendo remuneração integral.



