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De maneira inédita em Cuiabá, museóloga traz conceito de Turismo Cultural Regenerativo

Muvuca Popular

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Pela primeira vez em Cuiabá, a diretora e fundadora do Regenera Museu, Lucimara Letelier, fecha o segundo módulo do curso gratuito de “Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar”, que neste final e semana, terá aula presencial. Lucimara que é mestra em Museologia, vai apresentar, no sábado dia 28, para os quase 300 participantes os conceitos do “turismo regenerativo”, terminologia criada por ela mesma e que aborda a relação entre cultura, patrimônio cultural, museus e crise climática, a partir dos conceitos de sustentabilidade e regeneração aplicados ao turismo cultural.

Lucimara, que vai trabalhar o tema “Práticas Sustentáveis e Turismo Cultural Regenerativo”, explica que a aula está alicerçada em referências nacionais e internacionais, como a Agenda 2030 da ONU, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), diretrizes do ICOM (Conselho Internacional de Museus), IPHAN e documentos da ONU e UNESCO, articulando teoria e prática.

O turismo cultural regenerativo é aquele que contribui para que o território saia mais fortalecido do que estava antes — culturalmente, socialmente e ambientalmente.
O turismo regenerativo ultrapassa a ideia de simplesmente ser sustentável. Em vez de apenas reduzir impactos negativos, ele busca transformar positivamente os destinos, contribuindo para que estejam em melhores condições do que antes da visita. A ideia é incluir a recuperação de ecossistemas, o fortalecimento das comunidades locais e a geração de um impacto positivo concreto — não apenas na mitigação de danos. Com a inclusão desta abordagem no campo do patrimônio cultural, os saberes ancestrais locais são parte integrante desta recuperação e da valorização da cultural local como força motriz de regeneração de cada território.

“A metodologia inclui exposição dialogada, estudos de caso, dinâmicas participativas e atividades em grupo, estimulando que os participantes desenvolvam propostas aplicáveis à realidade de seus próprios contextos”, antecipa.

Serão apresentados conceitos fundamentais — sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica — além de práticas institucionais (gestão de resíduos, energia, economia circular, impacto social, diversidade e inclusão) e sua aplicação no território e nos espaços de cultura. “Aprofundaremos o conceito de regeneração e turismo cultural regenerativo, com foco em bioregionalidade, valorização dos saberes locais, patrimônio cultural vivo e desenvolvimento territorial.

“Como é a primeira vez que estarei em Cuiabá, tenho grande interesse em conhecer o território, sua história, seu patrimônio e suas dinâmicas culturais. Quero conhecer de perto o contexto cultural e patrimonial de Cuiabá e das localidades dos demais alunos e contribuir para que os participantes possam desenvolver projetos culturais sustentáveis, incorporando a perspectiva regenerativa como uma abordagem necessária e urgente diante da crise climática e social que vivemos”, explica Lucimara.

A mestre destaca o quantitativo inscrito no curso e a diversidade das origens de cada um. “Também espero apoiar a rede nacional de mais de 300 alunos que acompanham o curso de forma online, para que possam seguir sua jornada como lideranças culturais, incorporando a dimensão socioambiental em sua atuação e se reconhecendo como lideranças climáticas e regenerativas em seus territórios”, concluiu.

O que significa “regenerativo” na prática, no contexto do patrimônio e da cultura?
Enquanto a sustentabilidade busca reduzir impactos negativos e manter o que já existe, a regeneração vai além.

Regeneração é a restauração das condições propícias à vida. Portanto, projetos regenerativos são aqueles que se dedicam a restaurar e sustentar a vida no território, sejam vidas humanas ou não humanas. “Trata-se de reconciliar a vida humana com a natureza e criar novos futuros sustentáveis a partir de escolhas no presente que regenerem o que está degenerado, exaurido e sem vitalidade”, completa a diretora e fundadora do Regenera Museu.

No contexto do patrimônio histórico e cultural, isso significa:

– Valorizar saberes tradicionais e comunidades locais como protagonistas
– Integrar cultura e restauração de ecossistemas nas estratégias de turismo
– Desenvolver iniciativas a partir de uma perspectiva socioecológica que se engaje nos públicos, formando uma comunidade de aprendizagem regenerativa
– Criar experiências culturais que reforcem identidade, pertencimento e cuidado com o lugar.
– Recuperação ativa da natureza: Participação em ações como plantio de árvores, restauração de recifes de coral ou apoio à preservação da biodiversidade.

– Valorização e protagonismo comunitário: Garantia de que o turismo respeite e fortaleça a cultura local, estimule a economia do território e contribua para o bem-estar da população.
– Transformação na postura do viajante: A mudança de uma lógica de consumo para uma lógica de corresponsabilidade e reciprocidade, em que o visitante atua como parceiro da manutenção da vida no destino.

“Diferentemente do turismo sustentável, que se concentra em diminuir a pegada ambiental e social, o turismo regenerativo tem como propósito restaurar, revitalizar e impulsionar a saúde dos territórios visitados”, reforça Lucimara.

PIONEIRA – Lucimara Letelier é Mestre em Museologia especializada em Sustentabilidade Socioambiental na Inglaterra e Mestre em Administração Cultural nos EUA.
Vice-presidente do ICOM Sustain, conceituou o termo “museus regenerativos” no Reino Unido com pesquisa pioneira integrando a museologia e a regeneração. Com 25 anos de atuação em museus, cultura e setor social, trabalhou na Ki Culture e Julies’ Bicycle, organizações internacionais em liderança climática no setor cultural. Formada em Sustentabilidade e Regeneração pelo Gaia Education/ parceiro UNESCO, no Climate Reality Project e no Regenesis Institute.

O CURSO- Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, é composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual. o cronograma conta com visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais.  As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.

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