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ALERTA LARANJA

Chuvas já atingem 80 famílias em Cuiabá e Prefeitura mantém força-tarefa

Muvuca Popular

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Cerca de 80 famílias já foram atendidas pela Prefeitura de Cuiabá desde o início do período mais crítico das chuvas, intensificadas no último domingo (22). Com fevereiro acumulando 274,4 milímetros de precipitação,  volume superior ao registrado no mesmo período dos dois anos anteriores, a capital segue em alerta, com equipes mobilizadas em ações emergenciais e preventivas.

A força-tarefa reúne a Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão, a Defesa Civil e a Secretaria de Obras, que atuam em regiões mais vulneráveis, como a ocupação Dante de Oliveira, próxima ao bairro Voluntários da Pátria, na região do Pedra 90, e o Sampaio 2.

Desde o agravamento das chuvas, as equipes realizaram entregas de cestas básicas, kits de alimentação e higiene, colchões, cobertores e travesseiros, além de promover visitas técnicas, cadastramento e acompanhamento contínuo por meio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Pedra 90.

Relatos de perdas e medo constante

Na ocupação Dante de Oliveira, moradores relatam momentos de tensão com a invasão da água nas residências. A moradora Luzimara Ramos Dias, 37 anos, contou que precisou retirar às pressas os três filhos pequenos e a avó cadeirante quando a enxurrada tomou conta da casa. Segundo ela, uma valeta nos fundos do imóvel direciona o fluxo da água da chuva diretamente para dentro da residência.

Sem condições de repor os bens perdidos, a família recebeu colchões e mantimentos da assistência municipal. Situação semelhante é vivida por outros moradores da área, que reconhecem o risco, mas afirmam não ter alternativa imediata para mudança.

No Sampaio, famílias também registraram perdas materiais após a água invadir casas nos últimos dias. Moradores relatam que os alagamentos são recorrentes e cobram soluções estruturais para evitar novos prejuízos.

Limitações técnicas e ambientais

De acordo com diagnóstico técnico da equipe de engenharia do município, a ocupação Dante de Oliveira está situada em área de baixa altitude, com características pantanosas e presença de córrego, além de ser classificada como Área de Preservação Permanente (APP), o que impõe restrições ambientais para intervenções estruturais mais profundas.

As ações emergenciais incluem desassoreamento, monitoramento do curso d’água, patrolamento de vias e medidas paliativas de drenagem. A Prefeitura também busca licenciamento ambiental para intervenções técnicas que possam melhorar a vazão do córrego, respeitando os limites legais.

A secretária municipal de Assistência Social, Hélida Vilela, destacou que o atendimento ocorre de forma integrada e imediata, mas reforçou que muitas famílias resistem à saída temporária das áreas de risco por medo de furtos ou insegurança quanto ao futuro.

Planejamento para reduzir riscos

Como medida estrutural, o prefeito instituiu nesta semana o Comitê Gestor de Redução de Riscos de Desastres (CGRRD), responsável por acompanhar a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso. O objetivo é fortalecer políticas públicas de prevenção e ampliar a capacidade de resposta do município diante de eventos climáticos extremos.

Enquanto o planejamento avança, a Prefeitura mantém equipes de prontidão e reforça a orientação para que a população evite áreas alagadas, não enfrente enxurradas e redobre a atenção em regiões próximas a córregos e encostas.

Com o solo encharcado e previsão de continuidade das chuvas, o município segue em estado de vigilância, priorizando a preservação de vidas e o atendimento humanitário às famílias atingidas.

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