VEJA VÍDEO
Alvo da Operação Agro-Fantasma, empresário nega golpe de R$ 70 milhões e denuncia ameaça contra filha de 4 anos
Kamila Arruda
O empresário Pedro Henrique Cardoso, proprietário da Imaculada Agropecuária, alvo da Operação Agro-Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta quarta-feira (4), veio a público rebater as acusações feitas pelo produtor rural Silvano dos Santos, de Comodoro, que o denunciou por um suposto esquema de estelionato envolvendo operações com grãos que teriam causado prejuízo superior a R$ 70 milhões.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o empresário afirmou que a relação comercial entre as partes começou em abril de 2025 e que, apesar de divergências ao longo da parceria, sua empresa teria honrado compromissos financeiros que ultrapassam R$ 35 milhões.
“Houve erro de precificação e o prejuízo foi nosso, mas mesmo assim honramos os compromissos. Quem age de má-fé não paga milhões”, declarou.
Segundo Cardoso, os conflitos surgiram após desacordos sobre a qualidade de cargas entregues e cobranças que, segundo ele, incluíam juros considerados abusivos, juros sobre juros e valores que não estariam previstos nas negociações iniciais.
O empresário afirmou ainda que tentou negociar diversas alternativas para solucionar o impasse, incluindo a oferta de garantias patrimoniais que, segundo ele, superariam em até 15 ou 20 vezes o valor do débito apontado pelo produtor.
“Oferecemos devolver a aeronave, ofertamos patrimônio superior a R$ 150 milhões e buscamos vender bens para gerar liquidez. Quem quer fugir não faz isso”, disse.
Ameaças contra a família
Durante o pronunciamento, Pedro Henrique afirmou que decidiu encerrar definitivamente qualquer negociação após receber ameaças contra sua família, incluindo sua filha de quatro anos de idade.
De acordo com o empresário, as ameaças teriam sido feitas por telefone e em áudios atribuídos ao produtor rural.
“Quando alguém ameaça uma criança de quatro anos, o silêncio deixa de ser estratégia e vira covardia. Eu não reagi como empresário, eu reagi como pai”, afirmou.
Ele relatou que, após os episódios, buscou assistência jurídica e conseguiu medida protetiva concedida pela Justiça, diante da gravidade das ameaças.
“A ameaça contra nossa família ultrapassa qualquer limite. Isso não é contrato, isso é crime”, declarou.
Denúncia de prejuízo milionário
O caso ganhou repercussão após Silvano dos Santos, produtor rural de Comodoro, registrar o Boletim de Ocorrência na Polícia Civil de Mato Grosso. No registro, ele afirma ter sido procurado durante a colheita de soja de 2025 por um corretor que se apresentou como representante das empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agro Indústria.
Inicialmente, segundo o boletim, foram realizadas operações menores de venda de grãos, todas quitadas regularmente, o que teria consolidado a confiança entre as partes. Com o avanço das negociações, o produtor afirma que passou a adquirir grãos de terceiros em seu próprio nome, sob promessa de pagamento posterior pelas empresas.
De acordo com o documento, os compromissos financeiros assumidos teriam ultrapassado R$ 70 milhões. No entanto, a partir de dezembro de 2025, quando parcelas maiores venceram, os pagamentos teriam sido interrompidos.
O produtor também relatou ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5.817.660,00, recebendo pouco mais de R$ 2 milhões, restando saldo em aberto desde janeiro de 2026.
Para honrar compromissos assumidos, ele declarou ter contraído empréstimos de R$ 16 milhões no Sicoob, R$ 5 milhões no Sicredi e renegociado financiamento de R$ 2,5 milhões.
Operação Agro-Fantasma
A denúncia deu origem às investigações que culminaram na Operação Agro-Fantasma, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira (4).
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além de bloqueio de contas bancárias e indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base nas investigações conduzidas pela Delegacia de Comodoro, que apura crimes de estelionato e associação criminosa.
Os mandados foram cumpridos nas cidades de Cuiabá, Alto Taquari e Campo Grande (MS), com apoio da Politec e da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio das equipes do Garras-MS e do Dracco-MS.
Segundo a Polícia Civil, as investigações indicam que a empresa investigada se apresentava ao mercado com aparente solidez financeira, mas utilizaria um esquema estruturado de fraude na compra de grãos.
De acordo com a apuração, os investigados convenciam produtores a utilizarem o nome de suas propriedades para adquirir grãos a prazo, que posteriormente eram revendidos à vista para indústrias. Inicialmente os pagamentos eram realizados, mas posteriormente as dívidas deixavam de ser quitadas.
Somente uma das vítimas teria registrado inadimplência superior a R$ 58 milhões.
Entre os bens alvo de sequestro na operação está uma aeronave avaliada em mais de R$ 5,8 milhões, além de veículos de alto valor de mercado, como Porsche, Dodge Ram e outros carros importados.
A Polícia Civil também investiga suspeitas de fraude fiscal e obtenção indevida de créditos tributários.
A operação integra o planejamento estratégico da instituição para 2026, dentro da Operação Pharus, vinculada ao programa Tolerância Zero, voltado ao combate à criminalidade em Mato Grosso.
Enquanto as investigações seguem em andamento, o empresário afirma confiar que a Justiça esclarecerá o caso.
“Nós sabemos das nossas responsabilidades e o que a Justiça determinar será cumprido. Mas ameaça contra família ultrapassa qualquer limite. A verdade vai aparecer”, concluiu.



