IMPACTO ECONÔMICO
Alta do diesel acende alerta no agro e ameaça pressionar preços de alimentos
Kamila Arruda
A recente elevação no preço do óleo diesel em diversas regiões do país tem gerado preocupação no setor produtivo, especialmente entre os produtores rurais. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) avalia que o aumento ocorre em um momento delicado para o agronegócio, marcado por custos elevados de produção, dificuldade de acesso ao crédito, endividamento crescente e margens cada vez mais apertadas.
Para a entidade, a alta do combustível tende a agravar ainda mais o cenário econômico enfrentado pelos produtores. O diesel é considerado um insumo essencial para a atividade agrícola e para a logística nacional, sendo amplamente utilizado em máquinas no campo, no transporte de insumos e no escoamento da produção. Por isso, qualquer aumento significativo no preço do combustível acaba repercutindo em toda a cadeia produtiva.
Além de afetar diretamente o setor agropecuário, o encarecimento do diesel também pressiona o transporte de cargas e passageiros, refletindo no custo de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais. Esse efeito em cascata pode contribuir para o avanço da inflação e gerar impactos sobre o consumo e a atividade econômica.
A Aprosoja destaca que parte da formação de preços está ligada às oscilações do petróleo no mercado internacional, especialmente ao indicador Brent. No entanto, a entidade chama atenção para a rapidez com que variações externas acabam sendo repassadas ao consumidor final, o que amplia a pressão sobre os preços internos.
Outro ponto apontado pelo setor é a vulnerabilidade estrutural do país em relação ao combustível. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de diesel para suprir parte da demanda interna. Essa dependência deixa a economia mais exposta às oscilações internacionais e a fatores geopolíticos que influenciam diretamente o preço do combustível.
Diante desse cenário, a Aprosoja-MT defende o fortalecimento das políticas voltadas aos biocombustíveis como estratégia para ampliar a segurança energética do país. Uma das alternativas em discussão é o aumento da mistura de biodiesel no diesel comercializado no Brasil.
Atualmente, já existe debate nacional sobre a ampliação para a mistura B17, que elevaria para 17% a participação do biodiesel no combustível. No entanto, representantes do setor avaliam que o país possui capacidade produtiva e disponibilidade de matéria-prima suficientes para discutir metas mais avançadas, como a adoção do B20, ampliando o uso de combustíveis renováveis produzidos internamente.
A entidade também defende a adoção de medidas emergenciais para minimizar os impactos de choques externos sobre os preços. Entre as alternativas está a utilização de instrumentos tributários de forma temporária, estratégia que já foi aplicada no país em momentos anteriores para conter a alta dos combustíveis.
Segundo a Aprosoja, enfrentar o atual cenário exige articulação entre governos e setores produtivos, além de planejamento estratégico para reduzir a dependência externa. Para a entidade, ampliar a produção de biocombustíveis e adotar medidas fiscais pontuais em períodos de instabilidade são caminhos importantes para preservar a competitividade da economia e evitar impactos mais severos para produtores e consumidores.



