REFORMA TRABALHISTA
Gisela defende fim da escala 6×1, mas alerta para impacto no bolso do consumidor
Kamila Arruda e Renato Ferreira
A deputada estadual Gisela Simona (União) defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, mas ressaltou que a mudança precisa ser debatida com cautela para evitar impactos negativos na economia e no bolso do consumidor.
A parlamentar avalia que a discussão sobre o tema deve ser ampliada, com diálogo entre diferentes setores, para construir um modelo intermediário que garanta melhores condições aos trabalhadores sem provocar aumento de custos para a população.
“Eu Gisele Simone, eu sou a favor do fim da escala 6 por 1, no sentido de nós podermos flexibilizar para o Brasil uma escala que atenda os interesses dos trabalhadores, mas que também é possa aí é não comprometer o custo final para o consumidor. Eu que tenho uma bandeira muito de defesa do consumidor, nós não podemos simplesmente fazer com que o consumidor acabe pagando o custo final desse produto”, disse.
O tema foi debatido em reunião com representantes de diferentes setores produtivos nesta segunda-feira (16) na Fecomércio. Durante o encontro, entidades ligadas ao comércio, à indústria e ao agronegócio apresentaram avaliações sobre os possíveis efeitos da alteração da jornada de trabalho. Segundo Gisela, essas contribuições são importantes para que o país encontre um caminho equilibrado na discussão.
De acordo com a deputada, o debate sobre a mudança na jornada de trabalho passou por ajustes recentes. Propostas iniciais discutiam uma escala de quatro dias de trabalho por três de descanso, com carga semanal de 36 horas. No entanto, o governo federal já sinalizou outra possibilidade: uma jornada de 40 horas semanais organizada no modelo 5×2.
Para Gisela Simona, a discussão não deve se limitar a ser favorável ou contrária à escala atual, mas sim avaliar quais serão os efeitos reais de qualquer mudança no mercado de trabalho e no consumo. Ela destacou que a defesa dos direitos do trabalhador precisa caminhar junto com a responsabilidade de evitar que os custos acabem sendo repassados ao consumidor final.
A parlamentar, que tem atuação voltada à defesa do consumidor, ressaltou que uma alteração mal planejada pode gerar aumento no preço de produtos e serviços. Por isso, defende que a solução passe por uma proposta que garanta melhores condições de trabalho sem comprometer a sustentabilidade das empresas e o equilíbrio da economia.
Gisela também avaliou que o debate ocorre em um momento delicado do calendário político. Segundo ela, o fato de o país estar próximo de um período eleitoral pode prejudicar uma análise mais aprofundada do tema.
Na avaliação da deputada, uma mudança estrutural nas regras da jornada de trabalho exige diálogo amplo com todos os setores envolvidos e tempo suficiente para amadurecer propostas que beneficiem trabalhadores, empresas e consumidores.



